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07 janeiro 2020
Recomeços
Recomeçando, deste lado de cá. Entregando a Deus todas as minhas expectativas, segura de que é ele quem toma conta de tudo, e está connosco em todos os momentos.
26 novembro 2019
Bibliotecas
Nestes meses, tornámo-nos clientes assíduos das Bibliotecas de Madison, Ridgeland, Pearl, Flowood e Pelahatchie. Perdi a conta aos livros que todos juntos lemos, e passámos bons dias de trabalho nestes espaços.
Aqui em baixo, Flowood e Ridgeland.
08 novembro 2019
Escritório do Tiago, produtividade e novamente o ensino doméstico
Este é o escritório do Tiago, no nosso quarto. Têm sido meses de muita leitura para todos, e bastante estudo.
Tinha ideia de que nestes meses fora teria uma dose extraordinária de criatividade e faria mil e uma coisas para as quais não tenho tempo em Portugal. Estava errada. A adaptação a um novo lugar e a necessidade clara de paragem fizeram com que a produtividade também parasse. Dediquei-me a ler e escrever muita coisa, mas sinto que este tem sido um tempo de contemplação, reavaliação e de meditação. E isso faz-se até no tipo de leituras que se misturam (estreei-me na ficção cristã, coisa a que sempre tive alguma aversão). Sou, também, uma pessoa que produz bem debaixo de alguma pressão. E aqui não tenho nenhuma. Mas este tempo também era necessário para repensar tudo aquilo que Deus me chama a fazer na minha vocação, e portanto não produzir também é necessário para mais tarde produzir.
Ao mesmo tempo, o novo modelo de ensino doméstico que temos, drena grande parte da minha energia. Era algo que queria experimentar assim há muito, e ainda estou a descobrir o ritmo e modelo. À medida que vou conhecendo mais e melhor como se implementa tudo aqui deste lado, chego à conclusão de que não são propriamente as circunstâncias, os apoios, a diversidade de currículos que fazem com que tantas famílias optem por um modelo diferente. É comum em Portugal acreditarmos que não somos capazes de algumas destas coisas "porque não há apoios", ou porque "não há grupos de encontro como na América" e uma série de outras desculpas que descobrimos para a nossa falta de motivação ou dificuldade em arriscar. Não me interpretem mal, eu continuo a achar que há diferentes tipos de ensino e que a escola pode ser a escolha certa para algumas famílias. Mas a razão porque aqui se escolhe o que se quer tem a ver com a liberdade que cada um sente, acompanhada da ausência de culpa de que os erros que cometemos enquanto pais terão efeitos devastadores e irreparáveis para o futuro dos nossos filhos. Apesar da diversidade de currículos, a esmagadora maioria das famílias não tem grupos de apoio nem faz nada na companhia de outras. A enormidade do espaço faz com que toda a gente more longe de toda a gente, e o facto de esta escolha implicar um salário por casa limite a escolha das actividades extra-curriculares. Portanto, também não é por uma questão de apoios ou companhia. É mesmo porque se quer.
O valor da família está nos antípodas daquilo que vemos pela Europa. Aqui, o risco é a idolatria do lar (e isso também não é fixe) e o risco de cair em hipocrisia, mas não me cabe a mim julgar (até porque não tenho moral para o fazer). Prefiro, antes, recolher para mim tudo o que é bom e positivo, e levar comigo. Coisas boas e que motivem. Sem culpas. Deus ajuda, fortalece e perdoa-nos diariamente.
Tinha ideia de que nestes meses fora teria uma dose extraordinária de criatividade e faria mil e uma coisas para as quais não tenho tempo em Portugal. Estava errada. A adaptação a um novo lugar e a necessidade clara de paragem fizeram com que a produtividade também parasse. Dediquei-me a ler e escrever muita coisa, mas sinto que este tem sido um tempo de contemplação, reavaliação e de meditação. E isso faz-se até no tipo de leituras que se misturam (estreei-me na ficção cristã, coisa a que sempre tive alguma aversão). Sou, também, uma pessoa que produz bem debaixo de alguma pressão. E aqui não tenho nenhuma. Mas este tempo também era necessário para repensar tudo aquilo que Deus me chama a fazer na minha vocação, e portanto não produzir também é necessário para mais tarde produzir.
Ao mesmo tempo, o novo modelo de ensino doméstico que temos, drena grande parte da minha energia. Era algo que queria experimentar assim há muito, e ainda estou a descobrir o ritmo e modelo. À medida que vou conhecendo mais e melhor como se implementa tudo aqui deste lado, chego à conclusão de que não são propriamente as circunstâncias, os apoios, a diversidade de currículos que fazem com que tantas famílias optem por um modelo diferente. É comum em Portugal acreditarmos que não somos capazes de algumas destas coisas "porque não há apoios", ou porque "não há grupos de encontro como na América" e uma série de outras desculpas que descobrimos para a nossa falta de motivação ou dificuldade em arriscar. Não me interpretem mal, eu continuo a achar que há diferentes tipos de ensino e que a escola pode ser a escolha certa para algumas famílias. Mas a razão porque aqui se escolhe o que se quer tem a ver com a liberdade que cada um sente, acompanhada da ausência de culpa de que os erros que cometemos enquanto pais terão efeitos devastadores e irreparáveis para o futuro dos nossos filhos. Apesar da diversidade de currículos, a esmagadora maioria das famílias não tem grupos de apoio nem faz nada na companhia de outras. A enormidade do espaço faz com que toda a gente more longe de toda a gente, e o facto de esta escolha implicar um salário por casa limite a escolha das actividades extra-curriculares. Portanto, também não é por uma questão de apoios ou companhia. É mesmo porque se quer.
O valor da família está nos antípodas daquilo que vemos pela Europa. Aqui, o risco é a idolatria do lar (e isso também não é fixe) e o risco de cair em hipocrisia, mas não me cabe a mim julgar (até porque não tenho moral para o fazer). Prefiro, antes, recolher para mim tudo o que é bom e positivo, e levar comigo. Coisas boas e que motivem. Sem culpas. Deus ajuda, fortalece e perdoa-nos diariamente.
06 novembro 2019
25 outubro 2019
É sexta-feira, chove muito e o homeschooling é aquilo que cada família define.
Os vídeos abaixo não são de hoje, mas hoje está assim. Chego a sexta-feira com o sentimento de alívio de termos concretizado mais uma semana. Organizo os quadros com os objectivos atingidos e marco os não atingidos. No geral, os miúdos estão adiantados na matéria, mas precisam de motivação constante na permanência de cada alvo.
Depois de algumas conversas sobre o homeschooling, desisti de seguir algumas contas de instagram de pessoas que tinha como referência nas redes sociais. Não só não me fazia bem como não coincidem minimamente com a realidade que vejo na prática aqui.
Aceitarmos a nossa realidade é meio caminho andado para a aceitarmos e melhorarmos, em vez de andarmos a inspirar-nos em planos que nunca iremos conseguir atingir. Sei que não sou a mãe mais criativa do mundo, e não há problema nenhum com isso. Sou a mãe que Deus me ajuda a ser, e tenho estes filhos porque ele entendeu. Nunca serei suficiente, e será nessa insuficiência que eles perceberão que Deus é quem nos capacita, não as nossas aspirações.
Ao mesmo tempo, na semana passada falava com uma das mães da igreja, com 5 filhos com idades entre os 9 anos e os 5 meses. Todos em casa, dois deles em idade escolar. Ela, ao invés de me parecer apressada para que os filhos cresçam e ganhem autonomia, expressou o contrário: "Enquanto eles só brincam e desarrumam a casa não há obrigações", o que me demonstrou o que é viver o dia-a-dia sem pressas, aproveitando cada instante. Tantas vezes vivemos a querer acelerar o relógio, achando que é aí que encontramos alívio. E não é. Cada momento é um momento com os seus desafios, e é preciso enfrentá-lo sem urgências, confiando em Deus.
Foi uma boa semana.
Depois de algumas conversas sobre o homeschooling, desisti de seguir algumas contas de instagram de pessoas que tinha como referência nas redes sociais. Não só não me fazia bem como não coincidem minimamente com a realidade que vejo na prática aqui.
Aceitarmos a nossa realidade é meio caminho andado para a aceitarmos e melhorarmos, em vez de andarmos a inspirar-nos em planos que nunca iremos conseguir atingir. Sei que não sou a mãe mais criativa do mundo, e não há problema nenhum com isso. Sou a mãe que Deus me ajuda a ser, e tenho estes filhos porque ele entendeu. Nunca serei suficiente, e será nessa insuficiência que eles perceberão que Deus é quem nos capacita, não as nossas aspirações.
Ao mesmo tempo, na semana passada falava com uma das mães da igreja, com 5 filhos com idades entre os 9 anos e os 5 meses. Todos em casa, dois deles em idade escolar. Ela, ao invés de me parecer apressada para que os filhos cresçam e ganhem autonomia, expressou o contrário: "Enquanto eles só brincam e desarrumam a casa não há obrigações", o que me demonstrou o que é viver o dia-a-dia sem pressas, aproveitando cada instante. Tantas vezes vivemos a querer acelerar o relógio, achando que é aí que encontramos alívio. E não é. Cada momento é um momento com os seus desafios, e é preciso enfrentá-lo sem urgências, confiando em Deus.
Foi uma boa semana.
23 outubro 2019
Another day at the office
Nestes nossos dias, a frase mais repetida por mim é: "Agora quero silêncio" e "Tenho de ir pesquisar para ter a certeza" - que isto de ter filhos em níveis de escolaridade acima da primária tem um lado de constante descoberta e necessidade de actualização.
A parte de corrigir obriga-me a essa renovação, mas tem o seu lado divertido. À pergunta: "Como se pode prevenir a prisão de ventre?" um dos meus filhos responde: "Comendo na quantidade exacta."
04 outubro 2019
27 setembro 2019
Hora do intervalo
Está na hora do intervalo da manhã. Hoje é sexta-feira e agradeço a Deus porque foi possível estar com 7 miúdos o tempo todo. Estou mais cansada do que estava no início, sim, e a precisar de um sábado sem obrigações. Também estou contente porque, apesar do calor permanecer, temos conseguido trazer a mesa para fora e ficar aqui entre as 8h e as 12h, e voltar a colocar a mesa para o jantar. E, sobretudo, porque os rapazes voltam do intervalo com um cheiro para lá do normal, porque eles não se importam com o calor e jogam futebol como se nada fosse, e estar fora torna esta convivência mais suportável.
Os homens estão prestes a chegar da viagem à Flórida.
19 setembro 2019
Começar
Apesar de este ser o nosso sétimo ano em ensino doméstico, este é o primeiro em que arriscamos o tempo inteiro com os quatro filhos. Acredito muito que Deus nos irá ajudar e encaminhar. E se, preciso for, ter também a humildade para reestruturar ou mudar, caso seja esse o caminho. No entanto, começo com a alegria desta oportunidade, entregando a Deus todos os meus sentimentos de incapacidade e caminhando um dia de cada vez.
04 setembro 2019
21 agosto 2019
4 semanas
São quatro as semanas que se completam hoje fora de casa. Temos, agora uma rotina, que engloba dias longos. Amanhecemos cedo, para quem ainda está de férias, mas o jetlag em Nova Iorque acertou-nos os relógios biológicos para as 7 da manhã, o que acaba por ser um bocadinho providencial para os horários que aqui se fazem, e que implicam um esforço da nossa parte. Não estamos habituados a almoçar entre as 11h30 e o meio-dia, ou a jantar às 17h30, coisa que tem acontecido sempre que estamos com alguém de cá, incluindo a nossa família. Quando estamos só nós, o mais cedo que conseguimos é almoçar pelas 12h30 e jantar pelas 19h.
Escrevo agora da Biblioteca de Ridgeland, onde planeio o novo ano lectivo que se iniciará na nossa casa a meio de Setembro. Têm sido muitas as vezes que me questiono se seremos capazes deste novo modelo familiar, mas tenho de me relembrar que isto não é acerca de capacidades, é acerca de dependência em Deus.
Escrevo agora da Biblioteca de Ridgeland, onde planeio o novo ano lectivo que se iniciará na nossa casa a meio de Setembro. Têm sido muitas as vezes que me questiono se seremos capazes deste novo modelo familiar, mas tenho de me relembrar que isto não é acerca de capacidades, é acerca de dependência em Deus.
15 julho 2019
A época dos exames passou,
e chegou a hora dos resultados.
Se anteriormente tinha dito que a prova da resistência já era mais do que positiva para estas duas miúdas, a hora de comprovar que todo o esforço não foi em vão, mas pelo contrário, é bem visível nos resultados, é uma dupla vitória. Não é para os resultados, por si só, que trabalhamos. Mas neles vemos como Deus é bom e como vale a pena continuar neste caminho.
Se anteriormente tinha dito que a prova da resistência já era mais do que positiva para estas duas miúdas, a hora de comprovar que todo o esforço não foi em vão, mas pelo contrário, é bem visível nos resultados, é uma dupla vitória. Não é para os resultados, por si só, que trabalhamos. Mas neles vemos como Deus é bom e como vale a pena continuar neste caminho.
27 junho 2019
O Ensino doméstico em Portugal não é para mariquinhas
Estamos em época de exames. E por exames, entenda-se, muitas provas de equivalência à frequência. Para os alunos em Ensino doméstico, isso significa prestar provas escritas, práticas e orais de todas as disciplinas correspondentes a cada ciclo de ensino. Portanto, temos a Marta a efectuar 10 provas escritas, 2 orais e uma prática ; a Maria, por sua vez, tem 12 provas escritas e 3 orais. É um tudo ou nada, já que cada uma vale 100% da nota final.
Ainda não chegámos a meio e estamos longe de as notas saírem. Neste campeonato, é a terceira vez da Maria e a segunda da Marta. Por esta altura sei que há uma avaliação que já lhes podemos fazer: a da resistência.
Quando saímos todas as manhãs de casa, depois de orar, caminhamos cerca de 10 minutos em direcção ao nosso local de exames. Elas pegam no material correspondente, entram na sala prontas para começar, determinadas. Vejo nelas uma confiança que vem de Deus, e agradeço. Ele tem sido bom na vida das minhas filhas.
29 maio 2019
11 outubro 2018
Sobre Ensino doméstico
Reportagem de Maria João Caetano publicada no DN a 17. Set. 2018
Evan tem 8 anos e durante o mês de agosto leu oito livros "gordos", como conta na página de Facebook que criou para falar dos seus livros preferidos. É fascinado com tudo o que tenha que ver com a natureza, sabe coisas extraordinárias sobre animais e plantas e no futuro sonha ser cientista. Evan não anda na escola. É uma das mais de 600 crianças que "frequentam" o ensino doméstico em Portugal e que, por isso, esta noite vai dormir descansado, sem se preocupar com a escola, e amanhã acordará sem despertador e poderá passar o dia descalço, entre os seus livros e as brincadeiras com os irmãos.
Evan andou na creche por pouco tempo quando tinha 3 anos. "Ele ficava triste e muitas vezes choramingava. Eu ficava com o coração apertado", lembra a mãe, Anastasia. Não precisou de muito mais para tomar a decisão de ficar em casa com os filhos e ser responsável pelo seu ensino. "No início os dias pareciam enormes, não sabia o que fazer com eles e achava que tinha de estar sempre a fazer alguma coisa. Mas isso não é verdade. Não temos de estar sempre a fazer coisas e não temos de fazer tudo com eles. Temos de deixá-los explorar a imaginação. E depois eles crescem e tornam-se cada vez mais autónomos."
Cinco anos depois, Anastasia e Pedro não poderiam estar mais felizes e convictos de que tomaram a decisão certa. O filho do meio, Tristan, tem 5 anos e já leu todos os livros de Harry Potter. Aprendeu a ler sozinho quando ainda não tinha 3 anos, mas a sua verdadeira paixão é a matemática. Evan e Tristan não sabem o que são metas curriculares e nunca fizeram um teste mas sabem fazer pão, falam e leem em português (a língua do pai), russo (a língua da mãe) e inglês, jogam xadrez melhor do que muitos adultos. O irmão maispequeno, Artur, tem 2 anos e para já parece mais interessado em brincar e pintar.
"O mais importante é que aprendam a pensar", diz Pedro, que é gestor e é o único na casa que tem horários a cumprir. "Queria que eles não perdessem a curiosidade", acrescenta Anastasia. "Todas as crianças são curiosas, é uma coisa natural. Nós não temos de fazer nada. É só estar com eles e responder quando nos fazem perguntas. E se não sabemos, procuramos. E ensinamo-los a procurar as respostas." A palavra ensinar não se aplica aqui. As aprendizagens são feitas à medida dos interesses e das curiosidades de cada um. Com muitos livros (mas não manuais escolares), viagens, brincadeiras, conversas e experiências - essa é a base de tudo. Depois ainda há as atividades "geralmente chamadas extracurriculares", como a música, as artes marciais, os escuteiros. "E dois dias por semana temos encontros com outras famílias do ensino doméstico. O nosso recorde é oito horas a brincar no parque!"
Nem todas as famílias que optam pelo ensino doméstico tomam uma opção tão radical quanto Anastasia e Pedro. A poucos dias do início do ano letivo, Maria, Marta, Joaquim e Caleb sentam-se em volta da mesa da sala a apagar os manuais que vão ser reutilizados enquanto ouvem música. Todos eles sabem qual o ano que vão frequentar e em cada ano fazem um planeamento daquilo que vão estudar e de como vão trabalhar. Também nesta família a filha mais velha, Maria, que tem 14 anos, chegou a frequentar brevemente o ensino regular até, em 2013, os pais, Ana Rute e Tiago Oliveira Cavaco, optarem pelo ensino doméstico. "Ao início é um pouco assustador", conta a mãe. "Estivemos quase dois anos a decidir. Falámos com muitas pessoas. Ao nosso redor toda a gente faz de uma determinada maneira e ou nós tínhamos muita firmeza naquilo que íamos fazer ou não ia dar. Definimos aquilo que não queríamos fazer e aquilo de que gostávamos e decidimos arriscar." Todos os anos, a família faz uma avaliação e decide se vale a pena continuar. "Para nós não é um caminho de sentido único."
Na altura, a decisão foi impulsionada pelo facto de haver outras famílias amigas que também queriam uma escola diferente. Juntos, criaram um pequeno centro de ensino doméstico onde cada pai é responsável por uma área diferente. Neste momento, o projeto tem seis famílias e menos de 20 anos alunos do 1.º ao 6.º ano. Unem-nos os valores cristãos e a ideia de que a escola não é tanto o sítio onde se vai "receber" conhecimentos mas antes uma comunidade onde se treina o pensamento. "Não é aquela ideia clássica da pessoa mais velha que está a ensinar a mais nova. À exceção da alfabetização e daqueles conceitos básicos que são feitos com a ajuda de um adulto, numa fase muito precoce da vida começa-se o treino para a autonomia e para saber buscar o conhecimento a qualquer lado. Treinar para pensar é o mais importante."
"Não sou contra o sistema, mas havia algumas coisas que nós sentíamos que amputavam as crianças. As pessoas têm a ideia de que quem opta pelo ensino doméstico quer proteger os filhos. Mas, na verdade, nós queremos é ter uma visão maior", explica Ana Rute. A "frequentar" o 9.º ano, a Maria está pelo terceiro ano em casa e estuda sozinha, com a ajuda dos manuais e da Escola Virtual. Organiza o seu tempo e o seu trabalho. Sem dramas. Quando tem dificuldades fala com os pais ou com outros adultos. As aulas de espanhol, por exemplo, são dadas por Skype por uma amiga da família.
"Não sou contra o sistema, mas havia algumas coisas que nós sentíamos que amputavam as crianças"
"As pessoas que não sabem muito sobre homeschooling
acham que não vão conseguir porque não têm o domínio das matérias
todas. Mas nós não temos de fazer tudo", explica Anastasia. "Só temos de
saber como procurar e ajudá-los a procurar a informação. E depois
contamos com a ajuda da família, dos amigos, da comunidade." As crianças
não passam o dia fechadas em casa, isoladas. Têm irmãos e amigos,
participam na vida da família. "Nós vivemos no mundo real e temos muitas
pessoas à nossa volta. Existe o mito de que asocialização dos miúdos tem de ser feita com os pares, com os da
mesma idade", diz Ana Rute. "Mas a socialização pode ser feita de muitas
maneiras."A liberdade dos alunos em ensino doméstico termina no
final de cada ciclo, quando têm de fazer exames em todas as disciplinas e
cumprir metas curriculares iguais às dos alunos do ensino regular. Na
família de Ana Rute e de Tiago esses momentos têm sido vividos com
tranquilidade e boas notas. "Não os pressionamos e até costumamos tirar
férias nas semanas antes dos exames", diz a mãe. "Mais importante do que
as notas é a atitude deles, queremos que sejam responsáveis e
confiantes."Anastasia ainda não passou por esse processo mas, para já, não está preocupada. "Uns meses antes teremos de ler os manuais e estudar um pouco, sobretudo para eles se sentirem mais confortáveis com a linguagem dos exames. Mas eu sei que eles sabem muitas coisas. Nos exames, eles têm de decorar a matéria toda e responder sozinhos. Mas a vida não é assim. Na vida, temos recursos que podemos usar e trabalhamos em equipa, cada pessoa tem as suas competências. Por isso, em vez de prepará-los numa matéria, quero prepará-los para pensar, para trabalhar com outras pessoas, para comunicar. Dar-lhes ferramentas. Isso é o mais importante."
Artigo originalmente publicado aqui.
08 outubro 2018
2018/2019
O ano lectivo começou há três semanas. Não tem sido fácil arrancar. Gostava de ser daquelas mães desejosas que a
escola comece e que o despertador passe a tocar, mas não sou! Gosto
muito da liberdade dos dias em que eles estão em casa sempre, mesmo que
isso implique estarmos o tempo todo juntos.
Entre manuais guardados, bibliotecas e amigos, conseguimos grande parte dos manuais para este ano e isso foi um encorajamento (pagar 857€ ia ser complicado, mas Deus sabe das nossas necessidades!). O tempo começa a esfriar e não tarda estamos a dar as voltas aos roupeiros e a comer castanhas com mantas no sofá. E isso agrada-me!
Entre manuais guardados, bibliotecas e amigos, conseguimos grande parte dos manuais para este ano e isso foi um encorajamento (pagar 857€ ia ser complicado, mas Deus sabe das nossas necessidades!). O tempo começa a esfriar e não tarda estamos a dar as voltas aos roupeiros e a comer castanhas com mantas no sofá. E isso agrada-me!
16 julho 2018
Ponto de situação
A minha agenda é feita de anos lectivos. Quando o tempo começa a melhorar, anseio os dias menos corridos de viagens, de horários (o dia em que deixo de ter o despertador a tocar às 6h50 deveria ter direito a uma festa, a ver se penso nisso para o ano), de parar. Mais do que as férias, anseio pelo descanso mental, rever aquilo que passou e o que desejo fazer melhor ou diferente para o ano que vem.
As férias são pouco mais do que três meses. As férias dos filhos, entenda-se. Noutros tempos, pareceria quase impossível tanto tempo juntos 24 horas; hoje sei que tudo não só se faz como convém que se faça: cada ano é irrepetível e o tempo passa muito mais rápido do que achamos.
Estive fora de casa uns dias, do lado de lá do Oceano, a aprender. O pai ficou com os filhos, e o melhor de sair (preferia ir com todos, sim) é regressar a casa. Ainda estou a processar e a registar tudo o que não quero esquecer.
De seguida, mergulhámos em 11 dias num paraíso chamado Culatra, onde os dias se resumem a areia, mar, pés na areia. Que descanso para a alma.
Regressámos para ter mais um filho a prestar exames de final de ciclo (provas obrigatórias para quem está em ensino doméstico) e a enfrentar com responsabilidade, coragem e alegria o que tem de ser feito (mais do que as notas, para mim esses são os verdadeiros exames: os do carácter).
Estive fora de casa uns dias, do lado de lá do Oceano, a aprender. O pai ficou com os filhos, e o melhor de sair (preferia ir com todos, sim) é regressar a casa. Ainda estou a processar e a registar tudo o que não quero esquecer.
De seguida, mergulhámos em 11 dias num paraíso chamado Culatra, onde os dias se resumem a areia, mar, pés na areia. Que descanso para a alma.
Regressámos para ter mais um filho a prestar exames de final de ciclo (provas obrigatórias para quem está em ensino doméstico) e a enfrentar com responsabilidade, coragem e alegria o que tem de ser feito (mais do que as notas, para mim esses são os verdadeiros exames: os do carácter).
22 março 2018
Muitas vezes fazem-me perguntas
(especialmente por mail) acerca do ensino doméstico. Talvez as minhas
respostas sejam pouco claras, porque nesta casa estamos num caminho, que
se tem construído lentamente. E nós acreditamos que cada família deve fazer o
seu caminho, no seu tempo, com liberdade.
Em momentos destes, em que a matéria de História já chegou ao fim mas a de Matemática está baralhada, olho para esta foto e relembro: esta escolha é muito mais do que números e letras.
Em momentos destes, em que a matéria de História já chegou ao fim mas a de Matemática está baralhada, olho para esta foto e relembro: esta escolha é muito mais do que números e letras.
18 outubro 2017
Impiedoso, o tempo.
O ano lectivo começou há precisamente um mês. Plastificámos dezenas de manuais, fizemos planeamentos, desenhámos estratégias para que estes meses que se seguem sejam combatidos e vividos sempre de melhor forma. Custou ter o despertador a tocar novamente às 6h50, pegar em sacos e saquinhos, viagens constantes. O calor só agora começa a desaparecer, depois de vermos grande parte do nosso país (novamente) a arder.
Gostava de vos contar como foi o nosso Verão, entre férias e compromissos fora de Portugal. Vamos ver se consigo passar para escrito aquilo que gostava de nunca me esquecer. Só não sei por onde começar.
12 julho 2017
Poder escolher
Vamos para o quinto ano de Ensino doméstico. Já se passaram 4 anos? Já. A discussão em torno de escolhas alternativas parece-me sempre muito superficial.
SOCIALIZAÇÃO
Esta é a primeira questão que geralmente nos colocam. Segundo esta fonte: "O termo socialização é usado pelos sociólogos, psicólogos e pedagogos para se referirem ao processo de assimilação da cultura em que vivemos e de se aprender a viver nela. Para a sociedade, a introdução de todos os seus membros às suas normas, atitudes, valores, motivações, papéis sociais, linguagem e símbolos é "o meio pelos quais a continuidade social e cultural é atingida".
E isto tem de necessariamente ser feito na escola, no modelo que a conhecemos? Uma das coisas que me intriga é que partimos do princípio que a socialização tem de ser obrigatoriamente feita no meio da respectiva faixa etária, debaixo do modelo escolar que conhecemos.
Acredito numa socialização com pares, mas acredito numa aprendizagem feita no meio da vida real. Nas compras, nos transportes, com vizinhos mais velhos. Preparando para a vida. Isto só se faz com tempo. Não escondemos a realidade nem queremos criar crianças totós. Mas podemos ser nós a participar dessa realidade? Acho que podemos (e devemos).
CONTEÚDOS DE APRENDIZAGEM
Se nos compararmos com países como o Brasil (*), em que o ensino doméstico é ilegal, temos a liberdade de em Portugal optar por esta via. Mas se nos compararmos com os Estados Unidos, não temos liberdade nenhuma. Então como funciona o ensino doméstico em Portugal? A criança fica à guarda de um tutor (pode ser pai ou mãe ou qualquer adulto que tenha mais do que um ciclo de ensino do que aquele que está a leccionar à criança) e, no final de cada ciclo de ensino (4º, 6º, 9º e 12º ano) a criança tem de obrigatoriamente comparecer no Agrupamento de Escolas da área da residência para prestar provas de equivalência à frequência de todas as disciplinas que o Estado determinou que são as exigidas para aquele ciclo de ensino. Em 4 anos neste modelo, 3 deles tivemos de comparecer para exames. A Maria, mais velha, já compareceu no 4º e 6º ano, a semana passada foi a estreia da nossa Marta, para o 4º ano.
Nesta parte, pretendo fazer um parêntesis bastante necessário. Vivemos em Oeiras e temos uma relação com o Agrupamento de Escolas muito boa. Nunca fomos tratados com estranheza, sempre fomos bem recebidos (primeiro, porque quando optámos por esta decisão, a explicámos presencialmente aos responsáveis do Agrupamento; em segundo, porque as notas se têm verificado bastante boas, o que ajuda a perceber que alguma coisa está a correr bem).
Mas chamam a isto liberdade. Os pais podem optar pelo ensino doméstico desde que o Estado se certifique que estão a ensinar aquilo que eles determinaram que tinham de ensinar. Isto não é bem liberdade.
MODELO ESCOLAR
Cá em casa, sonhamos com uma escola cristã evangélica. Estamos inseridos num modelo escolar com outras famílias, que se têm mobilizado para fazer acontecer algo de concreto. Já estivemos mais longe de isso acontecer mesmo, e estamos certos que Deus querendo, irá surgir no tempo certo. Temos três filhos neste modelo, isto porque a "escola" ainda não é sustentável e só pode assegurar a faixa etária 1º - 6º ano. A nossa mais velha vai para o segundo ano fora disto. Está em casa, num modelo de homeschooling mais tradicional.
Esta é outra questão que nos fazem muito frequentemente e inclui: "Então e tens capacidade de ensinar tudo o que ela precisa aprender no 7º ano?". Basta pesquisar um pouco pela internet fora (ou falar com quem pratica modelos opcionais) e vemos que a autonomia é a chave para a aprendizagem em ensino doméstico. Ensinar a criança a pensar e a calcular, e ela está pronta para desbravar caminho. A Maria vai para o 8º ano e eu não estou sentada ao lado dela todos os dias. Ela tem um plano de trabalho, que avança em papel ou virtualmente, e vai testando conhecimentos. Se acho que se tem de aprender imensa coisa desnecessária? Acho. Sonho com o dia em que poderemos optar um currículo alargado e flexível, em que decorar as fases de formação das rochas não seja encarado como um conteúdo essencial à sobrevivência da humanidade.
A RESPONSABILIDADE DOS PAIS
Esta é a parte mais sensível, mas não a vou saltar. Optar por este modelo dá uma grande trabalheira, uma enorme despesa, uma preocupação constante. Não optamos por esta via por causa dos resultados (a nossa maior preocupação enquanto pais é a salvação dos nossos filhos e isso não está nas nossas mãos). Não optamos por esta via porque é garantia de adultos cristãos felizes e responsáveis, embora o desejemos. Optamos por este modelo porque sentimos que podíamos fazer diferente e que não tínhamos de nos render ao modelo comum.
É frequente perguntarem aos nossos miúdos (especialmente quando não estamos) se eles gostam desta escola. Os mais novos nunca conheceram outra e não contestam muito (embora fiquem curiosos com outros modelos). A nossa mais velha sente-se pressionada, não tanto por desprezar este modelo em que ela tem de facto muita liberdade e autonomia, mas porque se sente diferente, e a pressão social é tramada. Ia pedir para pararem de fazer isso, ok? :)
Mas sempre que ela se vem queixar, tentamos trabalhar o lado da segurança e o poder ser diferente. Sem manias, sem arrogâncias, mas poder ser aquilo que quisermos. Temos de fazer todos igual? Não.
Quero, ainda, fazer a ressalva que só optámos por este caminho porque a nossa estrutura familiar permitia. Claro. Ter uma filha a tempo inteiro connosco e ir buscar os três filhos pelas 15h todos os dias, não está ao alcance de quem faz um horário de trabalho normal. Eu sei disso. Mas não vou dizer que esta opção não é muito esforçada, porque é. Era tão mais fácil quando tínhamos uma escola nas nossas traseiras e onde podíamos deixar os miúdos até tarde, se quiséssemos.
Acredito que há muitos caminhos, mas não vou mentir que este caminho tem sido muito bom para a nossa família. Somos agradecidos a Deus por ter chegado até aqui. Queremos continuar um caminho de confiança e humildade. Assim Deus nos ajude.
(*) - Tanto quanto me foi informado, até há pouco tempo o ensino doméstico era ilegal no Brasil, mas foi aprovada uma lei que faz com que exista um vazio legal nesta matéria. Contudo, é um país onde este assunto ainda não é claro.
SOCIALIZAÇÃO
Esta é a primeira questão que geralmente nos colocam. Segundo esta fonte: "O termo socialização é usado pelos sociólogos, psicólogos e pedagogos para se referirem ao processo de assimilação da cultura em que vivemos e de se aprender a viver nela. Para a sociedade, a introdução de todos os seus membros às suas normas, atitudes, valores, motivações, papéis sociais, linguagem e símbolos é "o meio pelos quais a continuidade social e cultural é atingida".
E isto tem de necessariamente ser feito na escola, no modelo que a conhecemos? Uma das coisas que me intriga é que partimos do princípio que a socialização tem de ser obrigatoriamente feita no meio da respectiva faixa etária, debaixo do modelo escolar que conhecemos.
Acredito numa socialização com pares, mas acredito numa aprendizagem feita no meio da vida real. Nas compras, nos transportes, com vizinhos mais velhos. Preparando para a vida. Isto só se faz com tempo. Não escondemos a realidade nem queremos criar crianças totós. Mas podemos ser nós a participar dessa realidade? Acho que podemos (e devemos).
CONTEÚDOS DE APRENDIZAGEM
Se nos compararmos com países como o Brasil (*), em que o ensino doméstico é ilegal, temos a liberdade de em Portugal optar por esta via. Mas se nos compararmos com os Estados Unidos, não temos liberdade nenhuma. Então como funciona o ensino doméstico em Portugal? A criança fica à guarda de um tutor (pode ser pai ou mãe ou qualquer adulto que tenha mais do que um ciclo de ensino do que aquele que está a leccionar à criança) e, no final de cada ciclo de ensino (4º, 6º, 9º e 12º ano) a criança tem de obrigatoriamente comparecer no Agrupamento de Escolas da área da residência para prestar provas de equivalência à frequência de todas as disciplinas que o Estado determinou que são as exigidas para aquele ciclo de ensino. Em 4 anos neste modelo, 3 deles tivemos de comparecer para exames. A Maria, mais velha, já compareceu no 4º e 6º ano, a semana passada foi a estreia da nossa Marta, para o 4º ano.
Nesta parte, pretendo fazer um parêntesis bastante necessário. Vivemos em Oeiras e temos uma relação com o Agrupamento de Escolas muito boa. Nunca fomos tratados com estranheza, sempre fomos bem recebidos (primeiro, porque quando optámos por esta decisão, a explicámos presencialmente aos responsáveis do Agrupamento; em segundo, porque as notas se têm verificado bastante boas, o que ajuda a perceber que alguma coisa está a correr bem).
Mas chamam a isto liberdade. Os pais podem optar pelo ensino doméstico desde que o Estado se certifique que estão a ensinar aquilo que eles determinaram que tinham de ensinar. Isto não é bem liberdade.
MODELO ESCOLAR
Cá em casa, sonhamos com uma escola cristã evangélica. Estamos inseridos num modelo escolar com outras famílias, que se têm mobilizado para fazer acontecer algo de concreto. Já estivemos mais longe de isso acontecer mesmo, e estamos certos que Deus querendo, irá surgir no tempo certo. Temos três filhos neste modelo, isto porque a "escola" ainda não é sustentável e só pode assegurar a faixa etária 1º - 6º ano. A nossa mais velha vai para o segundo ano fora disto. Está em casa, num modelo de homeschooling mais tradicional.
Esta é outra questão que nos fazem muito frequentemente e inclui: "Então e tens capacidade de ensinar tudo o que ela precisa aprender no 7º ano?". Basta pesquisar um pouco pela internet fora (ou falar com quem pratica modelos opcionais) e vemos que a autonomia é a chave para a aprendizagem em ensino doméstico. Ensinar a criança a pensar e a calcular, e ela está pronta para desbravar caminho. A Maria vai para o 8º ano e eu não estou sentada ao lado dela todos os dias. Ela tem um plano de trabalho, que avança em papel ou virtualmente, e vai testando conhecimentos. Se acho que se tem de aprender imensa coisa desnecessária? Acho. Sonho com o dia em que poderemos optar um currículo alargado e flexível, em que decorar as fases de formação das rochas não seja encarado como um conteúdo essencial à sobrevivência da humanidade.
A RESPONSABILIDADE DOS PAIS
Esta é a parte mais sensível, mas não a vou saltar. Optar por este modelo dá uma grande trabalheira, uma enorme despesa, uma preocupação constante. Não optamos por esta via por causa dos resultados (a nossa maior preocupação enquanto pais é a salvação dos nossos filhos e isso não está nas nossas mãos). Não optamos por esta via porque é garantia de adultos cristãos felizes e responsáveis, embora o desejemos. Optamos por este modelo porque sentimos que podíamos fazer diferente e que não tínhamos de nos render ao modelo comum.
É frequente perguntarem aos nossos miúdos (especialmente quando não estamos) se eles gostam desta escola. Os mais novos nunca conheceram outra e não contestam muito (embora fiquem curiosos com outros modelos). A nossa mais velha sente-se pressionada, não tanto por desprezar este modelo em que ela tem de facto muita liberdade e autonomia, mas porque se sente diferente, e a pressão social é tramada. Ia pedir para pararem de fazer isso, ok? :)
Mas sempre que ela se vem queixar, tentamos trabalhar o lado da segurança e o poder ser diferente. Sem manias, sem arrogâncias, mas poder ser aquilo que quisermos. Temos de fazer todos igual? Não.
Quero, ainda, fazer a ressalva que só optámos por este caminho porque a nossa estrutura familiar permitia. Claro. Ter uma filha a tempo inteiro connosco e ir buscar os três filhos pelas 15h todos os dias, não está ao alcance de quem faz um horário de trabalho normal. Eu sei disso. Mas não vou dizer que esta opção não é muito esforçada, porque é. Era tão mais fácil quando tínhamos uma escola nas nossas traseiras e onde podíamos deixar os miúdos até tarde, se quiséssemos.
Acredito que há muitos caminhos, mas não vou mentir que este caminho tem sido muito bom para a nossa família. Somos agradecidos a Deus por ter chegado até aqui. Queremos continuar um caminho de confiança e humildade. Assim Deus nos ajude.
(*) - Tanto quanto me foi informado, até há pouco tempo o ensino doméstico era ilegal no Brasil, mas foi aprovada uma lei que faz com que exista um vazio legal nesta matéria. Contudo, é um país onde este assunto ainda não é claro.
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