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16 julho 2018

Ponto de situação

A minha agenda é feita de anos lectivos. Quando o tempo começa a melhorar, anseio os dias menos corridos de viagens, de horários (o dia em que deixo de ter o despertador a tocar às 6h50 deveria ter direito a uma festa, a ver se penso nisso para o ano), de parar. Mais do que as férias, anseio pelo descanso mental, rever aquilo que passou e o que desejo fazer melhor ou diferente para o ano que vem.

As férias são pouco mais do que três meses. As férias dos filhos, entenda-se. Noutros tempos, pareceria quase impossível tanto tempo juntos 24 horas; hoje sei que tudo não só se faz como convém que se faça: cada ano é irrepetível e o tempo passa muito mais rápido do que achamos.


Estive fora de casa uns dias, do lado de lá do Oceano, a aprender. O pai ficou com os filhos, e o melhor de sair (preferia ir com todos, sim) é regressar a casa. Ainda estou a processar e a registar tudo o que não quero esquecer.


De seguida, mergulhámos em 11 dias num paraíso chamado Culatra, onde os dias se resumem a areia, mar, pés na areia. Que descanso para a alma.



Regressámos para ter mais um filho a prestar exames de final de ciclo (provas obrigatórias para quem está em ensino doméstico) e a enfrentar com responsabilidade, coragem e alegria o que tem de ser feito (mais do que as notas, para mim esses são os verdadeiros exames: os do carácter).


18 outubro 2017

Impiedoso, o tempo.


O ano lectivo começou há precisamente um mês. Plastificámos dezenas de manuais, fizemos planeamentos, desenhámos estratégias para que estes meses que se seguem sejam combatidos e vividos sempre de melhor forma. Custou ter o despertador a tocar novamente às 6h50, pegar em sacos e saquinhos, viagens constantes. O calor só agora começa a desaparecer, depois de vermos grande parte do nosso país (novamente) a arder.

Gostava de vos contar como foi o nosso Verão, entre férias e compromissos fora de Portugal. Vamos ver se consigo passar para escrito aquilo que gostava de nunca me esquecer. Só não sei por onde começar.


12 julho 2017

Poder escolher

Vamos para o quinto ano de Ensino doméstico. Já se passaram 4 anos? Já. A discussão em torno de escolhas alternativas parece-me sempre muito superficial.

SOCIALIZAÇÃO
Esta é a primeira questão que geralmente nos colocam. Segundo esta fonte: "O termo socialização é usado pelos sociólogos, psicólogos e pedagogos para se referirem ao processo de assimilação da cultura em que vivemos e de se aprender a viver nela. Para a sociedade, a introdução de todos os seus membros às suas normas, atitudes, valores, motivações, papéis sociais, linguagem e símbolos é "o meio pelos quais a continuidade social e cultural é atingida".

E isto tem de necessariamente ser feito na escola, no modelo que a conhecemos? Uma das coisas que me intriga é que partimos do princípio que a socialização tem de ser obrigatoriamente feita no meio da respectiva faixa etária, debaixo do modelo escolar que conhecemos.

Acredito numa socialização com pares, mas acredito numa aprendizagem feita no meio da vida real. Nas compras, nos transportes, com vizinhos mais velhos. Preparando para a vida. Isto só se faz com tempo. Não escondemos a realidade nem queremos criar crianças totós. Mas podemos ser nós a participar dessa realidade? Acho que podemos (e devemos).

CONTEÚDOS DE APRENDIZAGEM
Se nos compararmos com países como o Brasil (*), em que o ensino doméstico é ilegal, temos a liberdade de em Portugal optar por esta via. Mas se nos compararmos com os Estados Unidos, não temos liberdade nenhuma. Então como funciona o ensino doméstico em Portugal? A criança fica à guarda de um tutor (pode ser pai ou mãe ou qualquer adulto que tenha mais do que um ciclo de ensino do que aquele que está a leccionar à criança) e, no final de cada ciclo de ensino (4º, 6º, 9º e 12º ano) a criança tem de obrigatoriamente comparecer no Agrupamento de Escolas da área da residência para prestar provas de equivalência à frequência de todas as disciplinas que o Estado determinou que são as exigidas para aquele ciclo de ensino. Em 4 anos neste modelo, 3 deles tivemos de comparecer para exames. A Maria, mais velha, já compareceu no 4º e 6º ano, a semana passada foi a estreia da nossa Marta, para o 4º ano.

Nesta parte, pretendo fazer um parêntesis bastante necessário. Vivemos em Oeiras e temos uma relação com o Agrupamento de Escolas muito boa. Nunca fomos tratados com estranheza, sempre fomos bem recebidos (primeiro, porque quando optámos por esta decisão, a explicámos presencialmente aos responsáveis do Agrupamento; em segundo, porque as notas se têm verificado bastante boas, o que ajuda a perceber que alguma coisa está a correr bem).

Mas chamam a isto liberdade. Os pais podem optar pelo ensino doméstico desde que o Estado se certifique que estão a ensinar aquilo que eles determinaram que tinham de ensinar. Isto não é bem liberdade.

MODELO ESCOLAR
Cá em casa, sonhamos com uma escola cristã evangélica. Estamos inseridos num modelo escolar com outras famílias, que se têm mobilizado para fazer acontecer algo de concreto. Já estivemos mais longe de isso acontecer mesmo, e estamos certos que Deus querendo, irá surgir no tempo certo. Temos três filhos neste modelo, isto porque a "escola" ainda não é sustentável e só pode assegurar a faixa etária 1º - 6º ano. A nossa mais velha vai para o segundo ano fora disto. Está em casa, num modelo de homeschooling mais tradicional.  

Esta é outra questão que nos fazem muito frequentemente e inclui: "Então e tens capacidade de ensinar tudo o que ela precisa aprender no 7º ano?". Basta pesquisar um pouco pela internet fora (ou falar com quem pratica modelos opcionais) e vemos que a autonomia é a chave para a aprendizagem em ensino doméstico.  Ensinar a criança a pensar e a calcular, e ela está pronta para desbravar caminho. A Maria vai para o 8º ano e eu não estou sentada ao lado dela todos os dias. Ela tem um plano de trabalho, que avança em papel ou virtualmente, e vai testando conhecimentos. Se acho que se tem de aprender imensa coisa desnecessária? Acho. Sonho com o dia em que poderemos optar um currículo alargado e flexível, em que decorar as fases de formação das rochas não seja encarado como um conteúdo essencial à sobrevivência da humanidade.

A RESPONSABILIDADE DOS PAIS
Esta é a parte mais sensível, mas não a vou saltar. Optar por este modelo dá uma grande trabalheira, uma enorme despesa, uma preocupação constante. Não optamos por esta via por causa dos resultados (a nossa maior preocupação enquanto pais é a salvação dos nossos filhos e isso não está nas nossas mãos). Não optamos por esta via porque é garantia de adultos cristãos felizes e responsáveis, embora o desejemos. Optamos por este modelo porque sentimos que podíamos fazer diferente e que não tínhamos de nos render ao modelo comum.

É frequente perguntarem aos nossos miúdos (especialmente quando não estamos) se eles gostam desta escola. Os mais novos nunca conheceram outra e não contestam muito (embora fiquem curiosos com outros modelos). A nossa mais velha sente-se pressionada, não tanto por desprezar este modelo em que ela tem de facto muita liberdade e autonomia, mas porque se sente diferente, e a pressão social é tramada. Ia pedir para pararem de fazer isso, ok? :)

Mas sempre que ela se vem queixar, tentamos trabalhar o lado da segurança e o poder ser diferente. Sem manias, sem arrogâncias, mas poder ser aquilo que quisermos. Temos de fazer todos igual? Não.

Quero, ainda, fazer a ressalva que só optámos por este caminho porque a nossa estrutura familiar permitia. Claro. Ter uma filha a tempo inteiro connosco e ir buscar os três filhos pelas 15h todos os dias, não está ao alcance de quem faz um horário de trabalho normal. Eu sei disso. Mas não vou dizer que esta opção não é muito esforçada, porque é. Era tão mais fácil quando tínhamos uma escola nas nossas traseiras e onde podíamos deixar os miúdos até tarde, se quiséssemos.

Acredito que há muitos caminhos, mas não vou mentir que este caminho tem sido muito bom para a nossa família. Somos agradecidos a Deus por ter chegado até aqui. Queremos continuar um caminho de confiança e humildade. Assim Deus nos ajude.


(*) - Tanto quanto me foi informado, até há pouco tempo o ensino doméstico era ilegal no Brasil, mas foi aprovada uma lei que faz com que exista um vazio legal nesta matéria. Contudo, é um país onde este assunto ainda não é claro. 

09 fevereiro 2017

Era uma vez dois feijões


Recordo-me do dia em que, na escola primária, fizemos experiências com os nossos feijões. Um ficava exposto ao sol, outro dentro do cacifo da professora (que tinha umas frinchas no cimo), outro no corredor. Todos eram regados da mesma forma e o objectivo era ver como se desenvolviam. Foi engraçado perceber como reagiam, consoante o meio onde estavam e a quantidade de água que recebiam.

Em Dezembro passado, os nossos rapazes também trouxeram dois feijões da escola, e ficaram de tratar deles, junto à janela da cozinha, para ver como se desenvolviam. A preocupação diária em os regarem era tanta, que acabaram por encharcá-los umas quantas vezes, em dias em que o sol não espreitou propriamente.

A dada altura colocámos uma estaca no feijoeiro que crescia a maior velocidade, e esperei pelo dia em que os deitaria no lixo, que já não se desenvolveriam mais. Mas eles continuaram e tive, até de trocar os pequenos recipientes de vidro e acrescentar mais terra. Estão, agora, com umas florinhas amorosas e simples, que comovem até corações descrentes como o meu, no que toca a plantas dentro de casa.


Recordo aquele versículo que nos lembra sobre a ansiedade que tantas vezes temos com o amanhã. Que se Deus cuida dos lírios do campo, que não trabalham, quanto mais não cuidará de nós?

O da esquerda é do Caleb e o da direita é do Joaquim. Parece-me que escolheram crescer em função da estatura dos respectivos donos.

24 setembro 2014

Agradecer e confiar.



O ano lectivo que passou foi reflexo de uma caminhada de um par de anos de inquietações, oração e reflexão com outros pais acerca do ensino dos nossos filhos. Foi longo o processo de chegar a um projecto, de pensar e repensar nas implicações, e chegar a um consenso sobre o que pretendíamos. A escolha acabou por ser tomada e foi um passo de fé. Implicava deslocações diárias, despesas várias e, por último mas ainda mais importante, assumir perante o Estado que entrávamos num regime de ensino doméstico, sujeitando os nossos filhos a exames finais em cada final de ciclo, deixando de existir uma avaliação contínua reconhecida oficialmente.

Graças a duas famílias que consideramos também nossa família, a nossa pequena escola iniciou-se. Durante um ano, os esforços imensos que fizemos foram compensados com uma paz enorme: o difícil tinha sido feito, tomar a decisão.

O final do ano chegou e a nossa mais velha prestou 5 exames, entre eles uma oral, no agrupamento de escolas aqui da zona. Apesar de nestas provas não residir a nossa real avaliação sobre o desempenho dela, os resultados eram essenciais para um reconhecimento legal do ensino que estava a ter. As notas foram excelentes, a forma como todo este processo de avaliação se desenrolou não poderia ter sido melhor.

No sábado passado, foi tempo de agradecer. Agradecer pela forma maravilhosa com que Deus nos tem presenteado com pessoas de visão, pela forma como sentimos que Deus nos empurra a tomar decisões, e como nestes períodos difíceis de escolhas, Ele nos encoraja e nunca nos sentimos sós.

Com um coração agradecido, novo ano a começar e cheia de expectativas para tanto quanto Deus já preparou. Vamos a isto!

18 setembro 2014

1º ano, here he goes.



Com o terceiro filho a entrar no ensino primário, resta-nos apenas um no infantário. Diz que está cheio de vontade e a aprender "coisas difíceis". Que eles crescem depressa já todos sabíamos, embora quando temos vários bebés num curto espaço de tempo parece que nunca vamos sair dele, mas nós já saímos e vê-los pequenas pessoas tem os seus desafios, mas é bom.

16 setembro 2014

A reutilização no regresso às aulas.








Foi mais de uma semana a conferir as canetas que ainda pintavam, as esferográficas que estavam funcionais, os lápis que podiam ser afiados, os estojos que tinham aproveitamento. Quanto aos manuais, compram-se novos apenas os que não se acham entre amigos, site de manuais escolares, banco de troca de livros usados. Fica mais ou menos equilibrado (que eu também gosto muito do cheiro novo dos livros) mas se estamos numa época em que tanto se fala em ensinar o valor das coisas aos miúdos, há que fazê-lo desde cedo.

Não é fácil, dá trabalho, mas as coisas que valem a pena nunca são simples.



21 maio 2014

Fase 5 de 5.




Hoje foi o último exame da Maria, desta vez de matemática, o quinto desta série. Que alívio, que sentimento de missão cumprida. Agora é só treinar um bocadinho mais a paciência e aguardar os resultados dia 12 de Junho.

Nestes dias de espera, com intervalos pelo meio, dediquei-me a reservar tempo para coisas que no dia-a-dia são sempre interrompidas com demasiadas coisas para fazer. O capítulo traduzido hoje vai direitinho para pessoas como eu: se têm dificuldade em dizer não, tentam fazer tudo e mais um par de botas e é comum sentirem ainda em cima dos ombros muita culpa porque não conseguem fazer ainda mais, vão aqui. É para vocês também

- fotos tiradas com o telemóvel-

20 maio 2014

Fase 4 de 5.

Hoje foi dia de prova oral de Língua Portuguesa. Como era pública, pude assistir e devo dizer que correu muito bem.
Ai, só falta mais uma, já amanhã.

19 maio 2014

Fase 3 de 5.

Hoje mais um exame, desta vez de Língua Portuguesa e em conjunto com os alunos de 4º ano do agrupamento de escolas. Diz que foi fácil. Eu instalei-me no centro de recursos da escola com a Marta, enquanto aguardávamos, e dediquei-me a mais um capítulo do livro. Fala sobre a forma como hoje vivemos enquanto pais. É irem aqui.

16 maio 2014

Fase 2 de 5.


Mais um exame feito, desta vez de Estudo do Meio. Acordou mais cedo hoje, por iniciativa própria, para rever o índice da matéria, que não é pouca. Mas o balanço é positivo, no final a Maria saía animada, acabou a prova antes dos 90 minutos e ainda a reviu duas vezes.

Enquanto eu esperava no corredor, acabei por traduzir mais um pedaço do livro do momento. Se quiserem saber os perigos a evitar nesta vida sobreocupada, vão até aqui.

13 maio 2014

Fase 1 de 5.


- fotos tiradas com o telemóvel -

Hoje foi dia de prova. A nossa mais velha, 4º ano a chegar ao fim, presta provas nacionais. Quem não se encontra em ensino regular, como é o nosso caso, presta mais três provas além das duas nacionais de Língua Portuguesa e Matemática. Foi hoje a primeira e o balanço é positivo. Enquanto esperava, 60 minutos da primeira parte e depois mais 30 da segunda, traduzia partes de um livro que muita atenção e pensamentos me tem tomado nos últimos tempos. Veio mesmo ao encontro de algumas das minhas batalhas. Uma delas é acerca de estarmos muito ocupados com coisas com importância mas nem sempre ter as ideias certas, com as prioridades bem definidas. É irem aqui, e juntarem-se à minha leitura.

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...