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12 julho 2019

Há 14 anos

era internada no hospital para fazer aquilo que se chama de curetagem.

Há 10 dias que eu sabia que o bebé que esperávamos para Fevereiro de 2006, afinal não ia nascer. Nem sequer ia crescer, já que na segunda ecografia, com 11 semanas, não encontrámos lá bebé nenhum. A placenta crescia sozinha, sem vestígios do embrião. De nada adiantava dizerem-me que não existia bebé nenhum, porque eu bem o tinha visto umas semanas antes, no ecrã ecográfico. Na minha cabeça, alberguei um segundo filho durante quase dois meses, e desfazer-me dessa ideia ia para lá da dor física de expulsar restos placentares. Poucos dias depois, partíamos de férias. Uma família de três, com uma pequenina a caminhar tropegamente.

Estávamos muito longe de imaginar - nem mesmo nos nossos melhores sonhos - tudo aquilo que Deus tinha ainda guardado para nós. Também estava longe de perceber o que este episódio me trouxe. Entre outras coisas, uma empatia especial com aquelas mulheres que perdem bebés ou que simplesmente não os conseguem gerar. Nada como experimentar uma ponta de sofrimento para ganhar compaixão.


03 abril 2014

Quando as nossas palavras não chegam, Bíblia.


Hoje em dia é comum prevalecer a ideia de que para falarmos sobre um tema da vida, precisamos ter conhecimento de causa. E ajuda muito, claro. Eu, por exemplo, sou uma pessoa bastante tímida a falar perante um conjunto de pessoas superior a 5, vá. Tenho por hábito desabafar com amigos com a mesma dificuldade (fobia?), porque compreendem o estado de nervos em que fico quando estou numa situação dessas. Quando abortei, também. Senti que as pessoas que já tinham passado pelo mesmo percebiam melhor a minha dor.

Ora a dor é uma coisa muito relativa e a forma como a sentimos também. Basta pensar que quando abortei, com cerca de 10 semanas, fiquei largos dias a aguardar em casa, mas acabei internada num hospital para fazer uma raspagem, e passei um Verão chato de recuperação. Passados largos meses, num episódio corriqueiro, sei que provavelmente terei abortado novamente, mas sem certezas (as análises assim indicavam, e a ter sido mesmo, teria umas 4 semanas se tanto). Como na minha cabeça eu não estava grávida, saltei este último episódio com uma leveza que não saltei no anterior. Porquê? Porque a minha perspectiva da dor foi diferente, a forma como a enfrentei também.

São muitas as circunstâncias em que me sinto incompreendida. Ninguém tem a minha vida, na verdade.  Eu não tenho a dos outros. Nisto de sermos ajuda é complicado saber onde agir, falar, estar.

Mas aqui começam as boas notícias. Sendo cristã, acreditando que a Bíblia é o meu guia principal, porque nela creio que está escrito tudo o que é importante para a minha vida, e que foi aquilo que Deus escolheu deixar registado para me orientar, eu posso falar e aceitar que me falem sobre qualquer assunto, se for baseado nas Escrituras. Sei que testemunhos pessoais ajudam muito, mas quando não os tenho, firmo-me naquilo que não falha e que sei que é bom.

Quando me sinto fraca, por exemplo, recordo-me de Isaías 43:1: "Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.".

Quando me sinto sozinha, vou a Josué 1:9: "Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares".

Quando me olho ao espelho e não gosto do que vejo, lembro que: "Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.", em Génesis 1:27.

Quando me sinto inútil e sem objectivos, "Pois eu bem sei os planos que tenho para vocês, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.", Jeremias 29:11

Quando estou com medo: "No amor não existe medo; o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor” , I João 4:18.

Quando ando preocupada com as contas: "Portanto, não se preocupem, dizendo: 'Que vamos comer?' ou 'Que vamos beber?' ou 'Que vamos vestir?' (...)  Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal." em  Mateus 6:31-34. E poderia continuar.

O consolo de ser cristã e poder dar e receber apoio em qualquer circunstância da vida, é este: A Bíblia pode e deve ser o livro mais citado. Ouve-se, lê-se e pede-se ajuda a Deus para viver como ela nos ensina. "A minha graça te basta" escrevia Paulo aos Coríntios. E peço a Deus que me baste sempre.

12 julho 2013

Sabem aquelas datas que nunca se esquecem?

Há 8 anos, revisitava o mesmo bloco de partos onde tinha nascido a Maria 14 meses antes, para ser intervencionada e passar uma noite internada. Com estes dias tristes, viria a compreender que nestas coisas da vida - sobretudo de gravidez - muito pouco (nada) depende de nós para que corra bem.

18 julho 2005

Das pressões profissionais

Entregar uma baixa médica numa empresa nunca é a mesma coisa que entregar uma baixa médica na Função Pública. Não é.

15 julho 2005

Vida e morte

Ficar no recobro, ao som de choros de bebés acabados de nascer, com a mão numa barriga onde não habita bebé nenhum.
"Se estiver com dores, avise."
Mas não havia remédio para esta dor no coração.

14 julho 2005

Nova Iorque na Expo.

Dormi pouco na noite a seguir à operação. Adormeci com o enfermeiro a ligar o ar condicionado, fazia bastante calor e a bata que eu vestia obrigava que me tapasse com um lençol.

Sonhei que estava em Nova Iorque, que caminhávamos junto ao rio a comer um cachorro. Vestia um sobretudo pesado e nevava tanto que não sentia os dedos dos pés.

Acordei. Estava realmente frio e era hora de desligar o ar.

Bloco de partos nº 2, Quarto 3.28

O bloco era o mesmo onde nasceu a Maria. Parecia mais pequeno e tinha menos gente. Atrás de mim, a anestesista angolana que me aconselhou uma canja à moda da sua terra para a minha recuperação. Do meu lado esquerdo, a enfermeira Carina que acompanhou a Maria no primeiro dia de vida e que está agora grávida de quatro meses. À direita, a auxiliar de olhos verdes que se recordou da minha cara, naquelas andanças. Aos meus pés, a minha médica que falava alegremente das suas meninas que tinham todas parido (expressão dela) naquela semana. Cerca de quinze minutos nos preparativos, um ardor na mão direita, fechar os olhos e mais nada.

- foto tirada pelo Tiago, quando acordei, com o telemóvel -

04 julho 2005

Maria do Carmo

Tenho uma médica de quem pouco sei para além de ter um neto pequeno chamado António e ter proveniência das Beiras. É pouca a informação que obtenho da sua pessoa, mas é muita aquela que amealha acerca de mim. Não sei quantas pacientes atende por dia, por semana, por mês. Mas sei que pelo facto de me tratar sempre pelo nome ( sem ter de olhar para nenhum papel ), se recordar do nome da minha filha que ajudou a nascer e me ter tocado no braço, hoje no elevador, que tenho a certeza que não quereria estar entregue a mais ninguém.

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Nunca este post me disse tanto.

02 julho 2005

Vazia

Confirmamos que aquela é a morada. A casa condiz com a descrição. As luzes estão acesas e batemos à porta. Insistimos mas ninguém responde. Chegámos aperaltados para jantar mas os donos não estão. A casa está sem ninguém. Regressamos sem comer e sem encontrar quem esperávamos. Voltamos tristes.

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...