
A Maria tem uma memória quase irrepreensível. Raramente se esquece de algo que lhe dizemos, com os medicamentos - quando é preciso tomar - ela lembra-se nas horas exactas. Visualmente nada lhe escapa. Há uns tempos, teimávamos em relação a um boneco que temos aqui em casa e, quando fomos confirmar, ela é que tinha razão.
Na escola, a professora diz que ela se apercebe de tudo, e que têm de ter muito cuidado com o que dizem ou demonstram, senão ela não as larga com um interrogatório. É típico dela.
Em casa, põe a mesa há muito tempo, sem ser preciso dizer o que é para colocar (só a informamos se há segundo prato ou não, no caso do jantar) e com as roupas e cama, sabe dobrar tudo.
Na escola, a professora diz-me que sabe que se lhe der um recado, que ele chega correcto ao destino. Que é responsável e que cumpre aquilo que lhe pedem para executar. Nos trabalhos, é perfeccionista e não descansa enquanto não consegue. No outro dia, por não conseguir saltar ao pé coxinho, estava desgostosa. A professora explicou que para conseguirmos uma coisa que queremos, às vezes temos de a repetir muitas vezes, para que saia bem. A insistência da Maria era saber, exactamente, quantas vezes.
O sogro de uma amiga dizia há uns tempos: "Nós não queremos os nossos filhos iguais a nós, queremo-los melhores." E se é verdade que me orgulho tanto deste lado da Maria, por outro não quero que isto lhe pese demasiado.


















