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18 janeiro 2019

Desafio dos 10 anos


Anda por aí um desafio dos 10 anos, que desconfio que sirva para todos nos dizerem como éramos mais novos mas também para nos assegurar que o nosso processo de envelhecimento está a ser generoso. Vou poupar-me a isso, fico à espera dos vossos comentários para quando eu estiver mesmo ali na decadência total e começar a pensar em botox (estou a brincar!).

Resolvi ir ver o que se passava com a minha pessoa há uma década, e ora me dá vontade de rir, ora me apetece mandar-me calar. Bolas, que chata.

Basicamente, no início de 2009 eu tentava encontrar um equilíbrio entre ter três filhos abaixo dos 4 anos, que ora iam à escola porque eu tinha um trabalho permanente ao computador que era essencial ao nosso rendimento, ora estavam doentes com mil e uma coisas. Nesta fase, a rainha das doenças era mesmo a Marta, e era raríssimo estar sem a companhia dela em casa.

Há 10 anos, eu precisava muito de encontrar alguém nas mesmas circunstâncias que eu, e isso vê-se nas minhas maravilhosas declarações no Facebook, ou neste blogue. Exorcizar o meu desespero era parte da terapia e acho que teve o seu papel. Mas... prometo que não voltarei a esse nível. Se começar a descarrilar, por favor dêem-me uma paulada na cabeça e o assunto fica encerrado.

Ao mesmo tempo, vejo ali uma pessoa cansada, mas ainda assim com energia. Eu queria mesmo sair à rua com três crianças, só porque não aguentava mais estar em casa? Eu trabalhava no computador a todas as horas e mais algumas, inclusive ao serão de sexta-feira? No final desse ano, não contente com o caos desta casa, engravidei mesmo do quarto filho?

Efectivamente, passaram-se 10 anos. Os meus níveis de energia estão mesmo nos 40 (desculpem, pessoas super jovens e cheias de energia com a mesma idade que eu), não me passa pela cabeça ter o computador ligado ao serão de uma sexta-feira, estar em casa sem ter um plano é coisa que hoje me agrada sobremaneira, embora passeios sem destino também me soem bem, e uma boa notícia: os miúdos raramente estão doentes. De tal maneira que tive de usar o termómetro a semana passada com a nossa gata, e ele não reagia por falta de uso.

Dez anos depois, ainda não comprei o papel para a polaroid que a Miriam me deu. Prometo que compro nos próximos dez anos, ok? Uma década depois, acho que há lugar para tudo mas sobretudo para a gratidão. Deus foi bom nesses tempos e deu-nos tudo o que precisávamos e até mais. Tem feito crescer os miúdos de forma saudável, harmoniosa, e tem-nos ajudado enquanto pais. Hoje, o trabalho ao computador deixou de ser essencial para os dias. Quase tudo o que faço é voluntário, e escrevo para abençoar outros, sobretudo. Sirvo com o Tiago na Igreja que Deus nos deu, e quero ter a capacidade de olhar sempre para trás e identificar quem se possa estar a sentir sozinho nas suas dificuldades. Ter alegria, independentemente das circunstâncias, continua a ser um desafio, mas não vamos desistir.

2009 parece que foi ontem, mas não parece nada que foi ontem. É sempre assim, certo?

04 janeiro 2019

Esta noite dormi mal

Aqui há uns tempos cometi a ousadia de comentar, na presença de jovens mães, que não tinha passado bem a noite.

"Duvido que esteja aqui alguém que tenha dormido bem a noite." - foi a resposta pronta.
Num pequeno instante, as reacções saltaram. Como pipocas.

E foi assim que me calei quase instantaneamente, porque me senti a provar do meu próprio veneno. De nada valia a pena explicar a estas mães que eu vivi durante largos anos um estado zombie, que sei muito bem o que é estar no limite das minhas forças e paciência, que vivi vários internamentos de filhos, que também sei o que é estar eu mesma doente e ter filhos doentes, que sei o que é ter o pai ausente e ter de acudir a vários colos de pequeninos... enfim.

O que eu experimentei naquele dia, razão pela qual me calei no imediato, foi aquilo que eu acreditei  durante muito tempo, e ainda hoje é uma tendência para mim em muitas áreas: acharmos que aquilo que nós vivemos é mais difícil do que os outros vivem.

Não foram poucas as vezes, que perante uma mãe de filho único a queixar-se, eu tinha a resposta presente: "era tudo tão fácil quando tinha só um". Ou quando uma mãe se lamentava de uma bronquiolite, eu pensava: "sei o que são bronquiolites há meses seguidos". Quando alguém dizia que era impossível ir às compras com os filhos, eu dava uma gargalhada cínica: "Nunca deixei de ir às compras com filhos atrás". Podia continuar o chorrilho de respostas que me tornavam a maior mártir da história da maternidade.

Ainda hoje caio facilmente neste tipo de julgamentos. Quando alguém se queixa de algo, minimizar a queixa (nem que seja em pensamento); ou também, ao contrário: quando alguém faz algo visto como extraordinário, desvalorizar esse esforço lembrando as inúmeras pessoas algures na história da humanidade que fizeram igual ou melhor (eu, incluída).

Este tipo de pensamentos não são nada bons, e muito menos cristãos - falo por experiência própria. Alimentam as nossas fraquezas. Se tendemos para a auto-comiseração, aumentam-na. Se tendemos para o ressentimento, alimentamos esse ressentimento. E por diante.

Outro dos perigos é resguardarmo-nos em conversas com "pessoas que nos compreendem". Se por um lado é bom falar com pessoas que estão na mesma fase ou a passar pelo mesmo desafio, por outro isso convence-nos que só essas pessoas sabem das nossas lutas e nos podem ajudar.

Descobri que ver em perspectiva é sempre uma boa opção. Darmo-nos o benefício da dúvida. A história do copo meio cheio ou meio vazio. Claro que uma mãe que está privada de sono sabe que esta fase não durará o resto da vida e não encontra grande conforto no: "Isso vai passar". Pode, até, ficar irritada com o "Ainda vais ter saudades". Mas alargar a visão e buscar ouvir não só o que nos conforta ou agrada, pode parecer um contra senso, mas tenho aprendido que ajuda a olhar além de nós.

Experimento, há alguns anos, a presença de amigas que desejariam muito ter uma noite mal dormida. Mas não conseguem por nada engravidar. Foi com elas que aprendi a refrear os meus queixumes, numa primeira fase. O poder que um olhar triste e desejoso de ter esse tipo de angústias teve no modo de me expressar acerca dos meus dramas, foi muito grande. Já viram ou partilharam as lágrimas de alguém que vive infertilidade? Experimentem.

Desde aquele dia que peço ainda mais ajuda a Deus para me calar. Para me ajudar a reagir com amor, com compreensão e sem julgamento. Para que haja lugar a um desabafo (eu tinha mesmo dormido mal aquela noite graças a uma enxaqueca com aura), porque acredito no poder aliviador de um fardo. Às vezes, o silêncio é a melhor compreensão. Outras vezes, "vais conseguir ultrapassar, sei o que isso é", e ainda outras: "nunca passei por isso, mas lamento muito" e sempre: "Vou orar por ti".

"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. 
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor."

-excerto de 1 Coríntios 13-


Imagens retiradas daqui.

24 maio 2018

No início de ter bebés, houve uma fase em que a minha leitura parecia que nunca ia ser retomada. Entre dar de mamar e extremo cansaço, era mais fácil ver porcarias na televisão, porque a capacidade de concentração estava toda em cremes, fraldas, medicação e sopas. A rota foi corrigida ao longo dos anos e, felizmente, os bebés mais novos já não têm memória de me ver a assistir ao Dr. Phil (a mais velha faz questão de gozar comigo de vez em quando, para grande vergonha). Agora que consigo ler novamente vários livros ao mesmo tempo, percebo melhor o desperdício desses anos. Entre um bebé ao colo e a obrigatoriedade de estar parada, façam boas escolhas e alimentem bem a vossa alma. Vão por mim, uma desnutrida recuperada.

08 março 2018

Abrandar


Somos educados para produzir, para pensar, para trabalhar. Vivemos a um ritmo que fica cada vez mais difícil parar e focar. Os dias são curtos, os afazeres são muitos. É aqui que vivemos, não há como fugir.

Nunca nego a possibilidade de ter um bebé no colo, e as razões são várias :

Um bebé obriga a parar. E preciso - precisamos - tanto de parar.
Sabemos, especialmente as mães mais recentes - que se não for o bebé a obrigar a parar, não o vamos fazer. O corpo ainda é jovem, há muito que fazer, e é difícil esperar. Mas precisamos abrandar e contemplar.

Um bebé treina a nossa paciência. E preciso - precisamos - tanto de exercitar a paciência. Especialmente durante a noite.
Um bebé precisa de ser ensinado a dormir. Quem nunca teve um bebé cheio de sono, mas a lutar contra ele próprio?

Um bebé no colo ensina-nos acerca do imenso amor de Deus. De como ele nos carrega, nos embala, não nos abandona e nos ensina a descansar nele. Um bebé confia como devemos confiar no nosso Pai.

Se tens a possibilidade de ter um bebé no colo, ignora a confusão ao redor, fecha os olhos e aproveita. Deus é bom em todo o tempo e delicia-se em cuidar de nós. Só precisamos abrandar e confiar.

09 janeiro 2018

Cenas da vida de um acumulador

Duvido que alguma vez me dê para o minimalismo, mas isso não significa que seja apegada a lixo. Dizem que a maternidade testa os nossos limites no seu melhor, e é verdade. Tenho um filho que colecciona tudo o que é catálogo, que guarda as etiquetas e cartões de peças de roupa acabadas de comprar, e que quando se abre a caixa do correio diz sempre: "Tudo o que não quiseres, dá-me." Arrumar a prateleira de tralha dele é um perigo, porque a tralha está acumulada e organizada, assim:

Chama-se Caleb e veio comprovar que, mesmo sendo o quarto filho, há sempre imensas novidades.

08 janeiro 2018

Disponibilidade


As pessoas costumam comentar que agora que estão mais crescidos é bom, porque ajudam. Certo. Mas para irem ajudando, cada vez mais, precisamos estar continuamente a ensinar. E essa é a parte mais difícil na correria dos dias: paciência e tempo para explicar e um olhar tolerante com o resultado de quem ainda está a aprender. Ainda assim, mais vale uma cama mal feita por mãos pequenas do que uma cama eternamente arrumada pela mãe ou pelo pai.


E não me estou a dar como exemplo, estou num processo de aprendizagem também.

19 julho 2017

Férias escolares

Chega o Verão e as férias. A média de tempo de ausência de aulas é entre três meses, três meses e meio (isso mesmo, pelo menos 100 dias a tempo inteiro com filhos!). Não sei como seria se eu trabalhasse fora de casa, mas calculo um gasto enorme em ATL's e afins. À excepção de uma semana de acampamento para cada um, eles estão sempre em casa, maioritariamente comigo. O desafio de conciliar todo o trabalho que tenho para fazer é enorme, até porque eles estão de férias mas nós não. O que fazemos? Eles vão connosco para onde precisamos ir (ainda esta semana tivemos várias reuniões, além de consultas médicas).

Mas uma coisa engraçada nisto de eles terem uma semana cada um em acampamentos, é que são cerca de 3 semanas em que eles andam desencontrados. Por exemplo, na semana passada estávamos sem os rapazes e apenas com as filhas e uma sobrinha. Apesar de três meninas em casa, a sensação era a de que estávamos praticamente sozinhos (elas brincavam no quarto, liam, ouviam música, sem desarrumar muito e sem grandes ruídos).

Sábado passado, tínhamos uma filha a partir e dois rapazes para chegar.  A mais velha foi filha única por um dia. Fomos passear, conversar, matar o tempo. Parecia que o dia se estendia sem terminar. Engraçado mas muito estranho!









03 maio 2017

Maria Ana

Foi-nos dada uma filha há 13 anos. Na verdade, ela foi-nos emprestada por quem a inventou e um dia nos pedirá contas. Se é verdade que a Bíblia promete coisas bonitas a quem educa bem os seus filhos, por outro reforça que nada está nas nossas mãos. Difícil, este equilíbrio entre responsabilidade e descanso. Dependemos sempre mais, mais, mais. As noites já não nos são interrompidas nem nos doem as costas com o peso a carregar. Mas pesa-nos a incerteza do que virá, numa mistura de alegria pelo que já é, e espanto do tanto que já se viveu. Agarramo-nos a quem nos sustenta, dia após dia. A gratidão é muita.






09 março 2017

Penteados

 Estamos numa fase em que quase 13 anos e 10 anos e meio, tudo o que é "infantil" (este conceito é algo assim a coisa mais relativa que possamos imaginar, mas siga), não pode ser, é passado, "já não somos criancinhas".

Portanto, já há muito que se penteiam e aqui a chata da mãe entra em cena quando temos ninhos de ratos instalados e é preciso fazer alguma coisa ("Ai, eu pus amaciador mas tenho nós!").

Sugestões para soltar mais o cabelo ou colocar algo que favoreça o rosto nem sempre são lá muito bem aceites, até porque me habilito sempre a ouvir que eu ando quase sempre igual, o que é a verdade. Mas volta e meia consideram que sim, a mãe até tem um gosto acessível e um aliado chamado Pinterest, o que lhe confere alguma credibilidade.

E pronto, tudo isto para dizer que elas me pedem, volta e meia, para lhes fazer penteados,"mas por favor, nada infantis!".

Ok, miúdas.


(Fotos do telemóvel, que a minha bela máquina deu o berro de tanto uso, e o mealheiro ainda não encheu o suficiente para tirar novamente fotos decentes)

22 fevereiro 2017

De outros Fevereiros


Há dez anos, estávamos quase a mudar de casa. Tinha duas bebés (uma de 2 anos e outra de 3 meses). Os dias eram passados a desejar que a mais nova não precisasse de ginástica respiratória (mas precisava quase diariamente), e a pensar no que seria o meu futuro em breve, sem perspectiva de escola para as duas e uma empresa em mudança. Havia, algures, uma ideia de uma igreja a começar, mas nada de concreto acerca do que isso seria na nossa vida. Tinha umas amigas, também na mesma fase de maternidade, com quem almoçava religiosamente uma vez por semana.

Às vezes gostava de perguntar a essa pessoa aí da fotografia o que ela pensava estar a fazer daí por 10 anos. O que gostaria de manter e o que não gostaria. É que não faço a mínima ideia. Estava a dias de fazer 30 anos e, sabia, apenas que a vida ia acontecer. Algures na minha imaturidade, não me demorava em muitos sonhos ou projectos. Talvez tenha sido bom. Não sei. Nada do pouco que imaginei foi o que Deus trouxe. Ainda estou a aprender, e quase sempre com muitos encontrões e esforço, que não sou eu que sei o que é bom para mim. É Deus. Ele está a cuidar de nós, mesmo quando nem sempre estamos tão atentos, e mesmo quando estamos em vigilância.

Dias depois engravidava do Joaquim. Adormeci muitas vezes de cansaço nesta posição no sofá, no tempo em que os desenhos animados cumpriam um papel de sobrevivência nesta casa. Adormecia encostada, adormecia na carpete, adormecia.

Hoje adormeço de outras formas (já é seguro deitar-me sem estar por perto da miudagem). Quero adormecer sempre com a segurança de que Deus está a cuidar. Adormecer cansada e acordar com forças. Deus trata de tudo em todo o tempo.

"Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno." - Hebreus 4:16

30 janeiro 2017

Sinais dos tempos


Até há muito pouco tempo, a ideia de ficar em casa num dia de folga parecia-me sempre ser um desperdício de tempo (a menos que fosse para dormir, que eu sempre gostei muito de dormir). Quando casámos, perspectivar um dia de descanso sem colocar os pés a caminho de um passeio (e não confundamos com centros comerciais, eu não gosto particularmente da ideia de ir passear para ver montras, nem nunca gostei) era como se o dia fosse um autêntico desperdício.

Quando me tornei mãe, a coisa não mudou: era mesmo necessário sair e fazer alguma coisa, a comprovar que não era a rotina dos dias que nos tomava, mas nós que tomávamos os dias. Com vários filhos pequenos, ir para o parque era uma espécie de manutenção de sanidade mental, também.

Pois eles cresceram, e dou comigo numa conquista que tem já algum tempo, mas que vai ganhando um sabor cada vez maior. É algo tão simples como isto: eles acordam e ficam no quarto até nós acordarmos também (isto só é possível ao sábado ou de férias) e ficamos em casa sem planos de maior. Eles voltam a ler ou descansar depois do almoço e nós descansamos também. O dia todo dentro de portas, assim.

Se dissessem que a Ana Rute a roçar os 40 anos ia amar dias assim, a Ana Rute de 25 atirava-se para o chão a rir.

16 março 2016

Não há nada tão tóxico como a comparação


Não há nada que nos derrube mais do que a comparação.

Não a queremos fazer, mas fazemos. E quando nascem os filhos é que são elas. Começamos pelas parecenças físicas e depois encaminhamo-nos para encontrar explicações de todos os tipos de defeitos e qualidades. Se não é ao pai que sai naquele defeito, será certamente à mãe, ou ao avô, à avó, ao tio e à tia.

Damos connosco a querer encontrar tantas vezes explicações, maravilhados que ficamos com talentos deles: "Mas de onde vem isto?" e a suavizar aquilo com que não sabemos lidar com um: "Mas o pai quando era novo também era assim". Crescemos a tentar encontrar um legado genético que nos explique enquanto pessoas, e a estar destinados a ser igual a este ou aquele; ou até pode ser que não, que as oportunidades hoje são outras.

As comparações, justificações e outras coisas acabadas em "ões" só servem para teorizar e esquecer que Deus tem um plano para cada um. Um plano que vai muito além da carga genética, da educação, das circunstâncias sociais, dos traumas. E não há nada mais libertador do que isto. Não sermos escravos dos genes ou do ambiente.

A comparação de nada serve. Na verdade, só destrói.

28 janeiro 2016

Stop.

Poderia dizer que não me custa rigorosamente nada acordar pelas 6h50, mesmo quando me deito pelas 22h. Mentiria. Também poderia dizer que gosto de conduzir e que por isso levar e trazer miúdos, ir ali, voltar acolá não me cansa. Mas cansa bastante. Também ficaria muito bem dizer que a serenidade é uma característica que me acompanha de manhã à noite a que poucas vezes perco a paciência. Errado.

Mas ainda assim, parando e pensando, sei que cada dia que coloco os pés fora da cama e é mais um dia destes, cheio de tanta coisa, é um dia que Deus nos dá. E no caminho que me cansa, nos momentos em que perco a paciência, quase sempre é só olhar em frente para ser constantemente relembrada disso.






Fotos tiradas com o telemóvel.

27 novembro 2015

Esforços


É o terceiro ano lectivo num modelo escolar diferente. Entre muitas outras coisas, implica preparar refeições para a tropa toda levar para o almoço. Os meus filhos sabem o quanto isto me custa (eu sou refilona o suficiente para todos perceberem o esforço que coloco nas coisas).

Não é que eu não goste de cozinhar e receber pessoas em casa (gosto muito!), mas ter de obrigatoriamente comprar, planear, executar e embalar almoços todos os dias, é uma trabalheira desgraçada. De há umas semanas para cá, comecei a congelar para a semana inteira. O processo passou por tentar descobrir que coisas ficam bem no processo de descongelação e que coisas não ficam (ovos cozidos, não dá), e por largar ideias românticas de alguns pratos. Temos de ser realistas, práticos, e sobretudo económicos. A coisa faz-se, e alivia na canseira dos dias.

Pergunto-me muitas vezes se eles mais tarde se lembrarão do esforço que fizemos por eles (esta deve ser a questão mais frequente para mães e pais). Eu creio que nunca saberão com exactidão. Mas quando me pedem que repita um prato específico, ou um deles chega a casa e elogia o que comeu ao almoço, penso: vamos lá.

19 novembro 2015

Planos preferidos


As famílias maiores facilmente se identificarão com isto: há poucos planos em família que reunam consensualidade total. Aqui não é diferente. Mas há um que é sempre garantido e que todos se entusiasmam, que pode ser realizado horas a fio e com muita regularidade. É rara a semana em que os nossos miúdos não passem umas horas na biblioteca de Oeiras.

É vê-los chegar, cada um se encaminhar para a sua área de interesse e instalar-se o silêncio.Há uns dias não foi diferente, sendo que estávamos noutra biblioteca, onde passei muitas horas na minha juventude, mas que no nosso passeio deu para perceber que já não era exactamente no mesmo local. Lá andámos nós por Algés.

Os miúdos chegam, investigam, sussurram e nunca se permitem levantar o tom de voz. Como sempre acontece na biblioteca, algo de maravilhoso se dá: não discutem, não chamam por nós, ficam na deles. Podem imaginar o paraíso que isto representa para uma mãe de vários? Pois bem. Eu até li um pedaço de um livro. Mas depois o único som que ouvia era o das páginas serem viradas, a respiração deles, e um dos poufs enormes no chão pareceu-me demasiado confortável para não me instalar. Este ambiente de paz como que gerou música de embalar, e dormi uma sesta. Daquelas sem interrupções, impensáveis durante o dia. Ah, gosto tanto de ir à biblioteca!





22 outubro 2015

Despertar


O despertador toca às 6h50. São apenas dez os minutos de tolerância para começar a abrir estores, confirmar estado do tempo, e colocar as roupas do dia. Custa-me falar logo ao acordar, até a voz me sai com dificuldade. Não são os almoços a colocar no saco, nem o leite para  aquecer, as torradas para fazer que me cansam. São as palavras que temos sempre de repetir: "Vistam-se", "façam a cama", "colaborem, por favor". Depois, as vozes em simultâneo: "Não quero esta camisola", ou "Não acho a minha outra meia", ou ainda "Mamã, ele está a olhar para mim, pára com isso!". Depois, as eternas preferências entre torradas, pão fresco, ou cereais. "Vá lá, comam", "vão lavar os dentes", "têm o que precisam?"- São 8h05 e precisamos começar a sair. "Não sei onde está o meu casaco". Temos mesmo de sair. "Ponham o cinto, não pousem os casacos no chão do carro, por favor.".
Partimos. Colocar a música no rádio e finalmente alguma calma que se instala.

E o céu, sempre o céu, completamente indiferente a toda esta correria.






01 agosto 2015

Uma bebé ao colo

"Agora não posso", ou: "Está quase, já vou", e ainda: "Menos barulho, menos".

Um bebé ao colo é a desculpa (ou antes, missão) perfeita para não fazer mais nada.

 (Carmo, 3 meses e meio)

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...