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16 agosto 2018

Voltar a onde fomos felizes

Rua S. João da Mata, Santos-o-Velho, Lisboa. Dá para perceber porque amo tanto casas antigas?







16 maio 2017

Mamã

(Mamã)

Vivemos numa época tão corrida que parece que os dias especiais têm de ser altamente comemorados. As festas temáticas, os eventos inesquecíveis, um sem fim de memórias que parece que se vão como vieram. Não sei se é assim, mas aos meus olhos parece-me um bocadinho que esta obsessão com o "tempo de qualidade" seja muito derivado do sentimento de culpa de não haver "tempo normal" mas muita falta dele.

Já disse antes que sou uma pessoa de datas, e gosto de comemorações. Mas não necessariamente as muito tradicionais. Gosto de recordar de formas diferentes cada data e ano específico, e - imaginem! - até alturas em que por algum motivo a comemoração não foi comemoração nenhuma e estivemos apenas.

Portanto, quando há obrigação do "tem de ser", ofereço alguma resistência. Talvez também por ter crescido sem valorizar muito as datas que se institucionalizaram. O dia da mãe (ou das mães, que isto dava pano para mangas) não ganhou uma carga por aí além quando me tornei mãe. Mas se é para agradecer, quero estar lá com prontidão. E sou muito agradecida pela mãe cristã que Deus me deu, e porque ainda a tenho comigo e é avó dos meus netos.

27 abril 2017

Saudade, Silêncio e Simplicidade.

Sou uma pessoa de datas. Ficam-me na cabeça e é difícil passar algumas datas sem me recordar o que a elas se ligam. Às vezes os números ficam-me a martelar na memória e demoro algum tempo a relacionar factos, mas chego lá. Outras vezes não resisto e digo-o em voz alta, mas na sua maioria sinto-me ridícula por ocupar a base de dados da minha cabeça com coisas que já lá vão, porque umas não são assim tão importantes como outras.

Abril será sempre um mês de saudade e serve para relembrar do que já lá vai e de como passa. A avó que tive até à idade adulta era uma pessoa não me convém esquecer, não apenas porque era minha avó e do meu sangue mas porque me relembra de simplicidade e silêncio. Simplicidade e silêncio, duas coisas tão raras e urgentes nestes dias. Silêncio. Simplicidade.
Simplicidade. Silêncio.

Ficam o aparador e os pratos, relembrando outros dias em Santos-o-Velho, com o som do eléctrico a passar, os cortinados a esvoaçar, a varanda minúscula, o mosaico hidráulico, os quartos interiores, a despensa escura.

21 abril 2014


Há 13 anos, Deus chamava para Si de uma forma muito pacífica, após anos de muito sofrimento, a minha avó materna. As previsões médicas apontavam para uma partida difícil, sendo que a avó dependia de oxigénio nos ultimos anos de vida. Deus quis contrariar este cenário quase garantido e permitiu que os momentos antes de a levar para junto dele fossem tranquilos e rodeada dos seus.

Ficar junto a alguém que amamos no momento em que o seu corpo deixa de ter vida é uma dor muito grande, mas também um grande privilégio. Choro sempre que me recordo da avó que tive, porque foi um exemplo de simplicidade como ainda não encontrei em mais ninguém. Mas agradeço muito a Deus porque ainda a tive na minha vida 24 anos, pela forma como escolheu levar a minha avó nesse 21 de Abril de 2001 e porque nesse dia desisti de ir à Gulbenkian ver um filme de animação e estava em casa.

06 março 2014

Chegou o "cobertor" do Caleb!

A avó Nice foi fazendo as mantas, uma a uma, e as meninas já tinham as delas desde o ano passado.

 O Joaquim trouxe a dele no final de 2013 e nesse dia, apesar de já ter escolhido as cores para a sua própria manta, o Caleb teve uma crise existencial. Foram várias as noites em que foi para a cama desconsolado (em lágrimas, mesmo) porque "eu não tenho um cobertor destes".

A avó lá acelerou as agulhas e fomos buscar o tão desejado "cobertor". É que vocês nem imaginam a alegria!




(Todas as mantas têm as cores que cada um deles escolheu)

29 novembro 2013

O avô e o futebol.

Sai do banho, e quando chega à sala, já o avô João chegou e está sentado no sofá com a televisão ligada.

Marta Cavaco, 7 anos: "Então mas isto é assim? Chegas a casa das pessoas e pões-te a ver futebol?"

14 novembro 2013

Rua São João da Mata

Andar pela zona de Santos e não descer ou subir propositadamente a Rua São João da Mata é a mesma coisa que ir a Sintra e não comer um travesseiro. Por exemplo.

26 setembro 2013

.

A multidão de gente que se ouve na rua a falar alto, que depois entra no meu prédio, deixa a porta da rua bater com força, que grita e uiva, corre escadas acima, não é uma multidão. É o meu pai com dois dos netos.

13 setembro 2013

E.

A 13 de Setembro de 1999 deixava de fazer sentido caminhar todos os dias em direcção ao Chiado.


13 agosto 2013

Não são as saudades. É a culpa.

Em 1999 via tudo muito diferente do que vejo hoje. Parece que a vida é assim. Se pudesse mudar alguma coisa, mudaria a forma como encarei a eternidade de alguns que me foram próximos. Que nunca mais me falte a urgência em falar. E que os constrangimentos sejam despejados no lixo.

21 junho 2013

!

Enquanto a avó Tina cose um boneco da neta, Marta Cavaco com ar contemplativo:
"Avó, estás sempre a trabalhar muito, não é? Coses as coisas, fazes tudo!"

06 junho 2013

65!

Cresci a achar que todas as mulheres regressavam da maternidade com este ar fresco, novo, maravilhoso. Mais tarde percebi que existe a generalidade das mulheres, e depois existem as excepções, como a minha mãe (já lhe "perdoei "o equívoco que me passou toda uma vida).

Hoje, esta jovem faz 65 anos! Parabéns!



29 maio 2013

Mantas

Foi a avó Nice que fez, mas foram as netas que escolheram as cores, ao gosto de cada uma delas. E não sei qual gosto mais, de tão bonitas que ficaram!

A da Maria:



A da Marta:


21 abril 2013

A minha esperança,

está noutro mundo.
Mas ainda assim, duvido que enquanto for viva, me esqueça que o 21 de Abril  é um dia de saudade.

10 janeiro 2013

Esperteza saloia

Criança de 2 anos, que geralmente dorme agarrado a uma fralda de pano, a dar baile à avó que lhe comunica que vai dormir depois do almoço, em casa dela: "Não, avó, não há cá fraldas!"

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...