A ideia é relembrar o dia da Reforma protestante, que aconteceu há 502 anos. As crianças apresentam um reformador ou personagem bíblica na igreja. Os rapazes quiseram participar e escolheram o John Wycliffe e o Albrecht Dürer.
31 outubro 2019
30 outubro 2019
Visitas
Aqui, um convite para jantar geralmente implica que chegamos pelas 17h30/18h, que não há entradas ou bebidas alcoólicas (há todo um contexto histórico aqui, mas a maioria dos adultos que conhecemos nunca beberam álcool e tencionam não o fazer), servimo-nos da comida na bancada comum à cozinha e sala (aqui, estas divisões são geralmente uma só) e sentamo-nos na mesa ou pela sala. É provável que comamos com descartáveis e que não hajam facas ao dispor (sim, partem quase tudo com garfo, ou então usam a faca para partir tudo no início e não a usam o resto da refeição. Mas o mais comum é estes portugueses pedirem uma faca porque geralmente não a encontram). As mesas de madeira são usadas assim mesmo, sem toalhas (e devo dizer que apesar de gostar de uma toalha bonita, uma mesa rústica de madeira sem mais nada tb pode ficar muito bem). A sobremesa come-se da mesma maneira e geralmente é gelado e bolo (quando se vislumbra fruta é aos pedaços para topping - morangos, por exemplo). As crianças comem do lado de fora da casa, e ficam por lá, sem adultos a controlar cada passo. Volta e meia alguém avisa para fazerem menos barulho, e é só. Desta vez, eram 9 rapazes com idades entre os 4 e 14 anos (as minhas miúdas já ficam com os adultos, claro). Mais ou menos pelas 20h/20h30 estamos todos a caminho de casa.
29 outubro 2019
Não sei não escrever
Mais ou menos em Junho, em preparação para o sabático, fui deixando de postar online nas redes sociais (mais especificamente no instagram, onde era mais assídua). Numa primeira fase, desinstalei as aplicações e deixei mesmo de consultar. Dei comigo a pegar de forma instintiva no telemóvel, e a não ter nada para ver. Foi difícil, a sensação era que tinha deixado de existir e de de ter acesso ao mundo real.
Com o tempo, habituei-me a não receber feedback do que colocava, que na maioria dos dias era um feedback positivo, mas também deixei de sentir oscilação de sentimentos. Sei que isso está estudado, a quantidade de hormonas /adrenalina / outras coisas acabadas em "ina", whatever, que são activadas nesta interação. E eu sentia esses mecanismos a acontecer dentro de mim, que com a minha retirada deixaram de existir dessa maneira, e isso acabou por ir sabendo bem.
Ao fim de algum tempo, voltei a consultar o instagram mas sem postar. Mas em vez de ficar à mercê do mural principal, passei a consultar as pessoas que quero ver. Sinto-me uma espécie de fantasma que vê mas não interage, mas deduzo que não haja uma forma certa de estar - talvez possa ser encontrada uma maneira equilibrada para quem quer estar. E isto deve variar de pessoa para pessoa (embora demasiada frequência nunca seja bom sinal).
Ao mesmo tempo, é rara a semana em que não recebo alguma mensagem de "desconhecidos" a perguntar se está tudo bem e quando vou voltar a escrever. Isto deixa-me sempre a pensar qual é o meu lugar e papel nestas coisas todas.
Eu não sei não escrever. Talvez essa seja a afirmação mais abrangente de toda a minha vida, desde que o sei fazer. Muita coisa mudou em mim no meu crescimento, menos isto. Não sei não tomar notas, não sei não registar. Não sou uma escritora nem tenho essa presunção, mas escrever é o meu verbo de acção preferido no que toca a gostos pessoais (fotografar, também).
Enquanto reflicto nestas coisas todas, é incontornável concluir que tem sido através dos meus registos que Deus mais me tem usado para abençoar outros, e que poderá continuar a usar.
Só preciso descobrir qual a medida certa.
25 outubro 2019
É sexta-feira, chove muito e o homeschooling é aquilo que cada família define.
Os vídeos abaixo não são de hoje, mas hoje está assim. Chego a sexta-feira com o sentimento de alívio de termos concretizado mais uma semana. Organizo os quadros com os objectivos atingidos e marco os não atingidos. No geral, os miúdos estão adiantados na matéria, mas precisam de motivação constante na permanência de cada alvo.
Depois de algumas conversas sobre o homeschooling, desisti de seguir algumas contas de instagram de pessoas que tinha como referência nas redes sociais. Não só não me fazia bem como não coincidem minimamente com a realidade que vejo na prática aqui.
Aceitarmos a nossa realidade é meio caminho andado para a aceitarmos e melhorarmos, em vez de andarmos a inspirar-nos em planos que nunca iremos conseguir atingir. Sei que não sou a mãe mais criativa do mundo, e não há problema nenhum com isso. Sou a mãe que Deus me ajuda a ser, e tenho estes filhos porque ele entendeu. Nunca serei suficiente, e será nessa insuficiência que eles perceberão que Deus é quem nos capacita, não as nossas aspirações.
Ao mesmo tempo, na semana passada falava com uma das mães da igreja, com 5 filhos com idades entre os 9 anos e os 5 meses. Todos em casa, dois deles em idade escolar. Ela, ao invés de me parecer apressada para que os filhos cresçam e ganhem autonomia, expressou o contrário: "Enquanto eles só brincam e desarrumam a casa não há obrigações", o que me demonstrou o que é viver o dia-a-dia sem pressas, aproveitando cada instante. Tantas vezes vivemos a querer acelerar o relógio, achando que é aí que encontramos alívio. E não é. Cada momento é um momento com os seus desafios, e é preciso enfrentá-lo sem urgências, confiando em Deus.
Foi uma boa semana.
Depois de algumas conversas sobre o homeschooling, desisti de seguir algumas contas de instagram de pessoas que tinha como referência nas redes sociais. Não só não me fazia bem como não coincidem minimamente com a realidade que vejo na prática aqui.
Aceitarmos a nossa realidade é meio caminho andado para a aceitarmos e melhorarmos, em vez de andarmos a inspirar-nos em planos que nunca iremos conseguir atingir. Sei que não sou a mãe mais criativa do mundo, e não há problema nenhum com isso. Sou a mãe que Deus me ajuda a ser, e tenho estes filhos porque ele entendeu. Nunca serei suficiente, e será nessa insuficiência que eles perceberão que Deus é quem nos capacita, não as nossas aspirações.
Ao mesmo tempo, na semana passada falava com uma das mães da igreja, com 5 filhos com idades entre os 9 anos e os 5 meses. Todos em casa, dois deles em idade escolar. Ela, ao invés de me parecer apressada para que os filhos cresçam e ganhem autonomia, expressou o contrário: "Enquanto eles só brincam e desarrumam a casa não há obrigações", o que me demonstrou o que é viver o dia-a-dia sem pressas, aproveitando cada instante. Tantas vezes vivemos a querer acelerar o relógio, achando que é aí que encontramos alívio. E não é. Cada momento é um momento com os seus desafios, e é preciso enfrentá-lo sem urgências, confiando em Deus.
Foi uma boa semana.
24 outubro 2019
"Preciso mesmo de ir aí!"
Passamos o dia nisto. Há sempre alguém na casa-de-banho e há sempre a alguém a querer entrar. Somos seis, pois. É a única divisão interior com porta, cuja tranca improvisada mal funciona. Aparte isso, esta foi a divisão mais desafiadora para limpar quando cá chegámos. A sanita e lavatório estavam tão manchados que era difícil imaginar que branco era a cor original, mas ao fim de algumas esfregas intensivas, ficou tudo lindinho. Os conceitos portugueses de material de construção civil são completamente desafiados aqui : madeira no chão, papel na parede e janela na banheira. Embora seja estranho acertar com água nos estores e janela, ter luz natural na casa-de-banho não tem preço. Ah, e a banheira tem pés, bem antiga. Adoro!
Cypress Swamp
Este tinha sido o meu sítio preferido quando aqui estive há 3 anos (juntamente com a Reservoir, que virá num post a seguir). Valeu a pena esperar que o calor passasse para caminhar sem sufoco.
23 outubro 2019
Another day at the office
Nestes nossos dias, a frase mais repetida por mim é: "Agora quero silêncio" e "Tenho de ir pesquisar para ter a certeza" - que isto de ter filhos em níveis de escolaridade acima da primária tem um lado de constante descoberta e necessidade de actualização.
A parte de corrigir obriga-me a essa renovação, mas tem o seu lado divertido. À pergunta: "Como se pode prevenir a prisão de ventre?" um dos meus filhos responde: "Comendo na quantidade exacta."
22 outubro 2019
Bicharada
Já me habituei a ver formigas pela casa, apesar de todos os esforços para as eliminar, a teias de aranha que surgem de um dia para o outro pelos cantos (ontem estava junto à nossa cama - e por cama entenda-se que temos uma esponja de pilates no chão - uma aranha com cerca de 3 centímetros), e este lagarto verde (que quando lhe tocamos fica todo castanho) instalou-se na janela do nosso quarto sem ponta de vergonha.
Também já matámos mais do que uma enorme barata dentro de casa, e há pouco mais a fazer, a não ser matar e aceitar que não será a última a aparecer. Aqui nesta floresta, nós é que estamos a mais, a bicharada é quem manda nisto tudo.
Nunca esquecendo o dia em que o Tiago, ainda no Lake Cavalier, pisou sem querer um formigueiro. Ui, foi mordido!
21 outubro 2019
Pertencer
Esta é a nossa "família" aqui.
Na semana passada, no tempo de oração de mulheres, foi a primeira vez que senti que talvez pudesse pertencer um dia a este lugar. Talvez seja isto que os estrangeiros ou emigrantes sentem quando mudam de terra: que se encaixam aos poucos mas que nunca são realmente desse lugar, e se adequam a esta ambivalência de sentimentos. Senti que poderia eventualmente vir a pertencer, que poderia ter uma voz no futuro e uma participação. Sim, o tempo aqui tem sido de poucas falas, não por falta de vontade minha, mas porque o ambiente é mesmo assim e eu não tenho propriamente facilidade em forçar conversas. Enquadro esta dificuldade de inserção no facto de isto ser uma novidade - por aqui, os estrangeiros não abundam e há notoriamente uma dificuldade em enquadrar tudo o que é diferente. Nós somos diferentes).
Ao mesmo tempo, acho que o meu sentimento de pertença talvez se tenha dado, não tanto porque as circunstâncias mudaram, mas porque os meus parâmetros de avaliação têm vindo a ser colocados em causa. A forma de as pessoas se relacionarem é diferente, ponto final, e não vale a pena demorar-me em explicar isto ou até avaliar. Aquilo que para nós portugueses é sobrevalorizado como espontaneidade e empatia, aqui são critérios que valem zero se não és de um determinado setting.
Isto tem sido algo muito valioso para me situar na forma como eu recebo os que vêm de fora quando estou em Portugal. Eu, que sou geralmente uma pessoa que se considera atenta, pergunto-me quantas vezes terei demorado em ir até alguém (e agora sei, para quem não tem amizades no sítio onde chega, duas semanas podem ser uma eternidade), quantas vezes terei aceitado o silêncio de um estrangeiro, quantas vezes terei demorado em fazer questões que demonstrem interesse, que ajudem à integração.
Eu, que escrevi um capítulo sobre hospitalidade (aqui), saio com estas noções ainda mais reforçadas. Hospitalidade não é entretenimento, não é refeições ou convívio. Hospitalidade é ir ao encontro do outro e caminhar uma segunda milha, mesmo quando nada temos em comum. Hospitalidade é cuidado e interesse.
Nestas semanas longas e sempre iguais, tenho aprendido a questionar-me acerca de como me relaciono no meu país, o que me liga a outros e quais são as expectativas que coloco no meio disto tudo. Tenho muito a aprender ainda, mas Deus está-me a ajudar e vai continuar certamente. Estou agradecida por estas dificuldades, porque elas me ajudam a ver aquilo que eu preciso melhorar do lado de lá.
Na semana passada, no tempo de oração de mulheres, foi a primeira vez que senti que talvez pudesse pertencer um dia a este lugar. Talvez seja isto que os estrangeiros ou emigrantes sentem quando mudam de terra: que se encaixam aos poucos mas que nunca são realmente desse lugar, e se adequam a esta ambivalência de sentimentos. Senti que poderia eventualmente vir a pertencer, que poderia ter uma voz no futuro e uma participação. Sim, o tempo aqui tem sido de poucas falas, não por falta de vontade minha, mas porque o ambiente é mesmo assim e eu não tenho propriamente facilidade em forçar conversas. Enquadro esta dificuldade de inserção no facto de isto ser uma novidade - por aqui, os estrangeiros não abundam e há notoriamente uma dificuldade em enquadrar tudo o que é diferente. Nós somos diferentes).
Ao mesmo tempo, acho que o meu sentimento de pertença talvez se tenha dado, não tanto porque as circunstâncias mudaram, mas porque os meus parâmetros de avaliação têm vindo a ser colocados em causa. A forma de as pessoas se relacionarem é diferente, ponto final, e não vale a pena demorar-me em explicar isto ou até avaliar. Aquilo que para nós portugueses é sobrevalorizado como espontaneidade e empatia, aqui são critérios que valem zero se não és de um determinado setting.
Isto tem sido algo muito valioso para me situar na forma como eu recebo os que vêm de fora quando estou em Portugal. Eu, que sou geralmente uma pessoa que se considera atenta, pergunto-me quantas vezes terei demorado em ir até alguém (e agora sei, para quem não tem amizades no sítio onde chega, duas semanas podem ser uma eternidade), quantas vezes terei aceitado o silêncio de um estrangeiro, quantas vezes terei demorado em fazer questões que demonstrem interesse, que ajudem à integração.
Eu, que escrevi um capítulo sobre hospitalidade (aqui), saio com estas noções ainda mais reforçadas. Hospitalidade não é entretenimento, não é refeições ou convívio. Hospitalidade é ir ao encontro do outro e caminhar uma segunda milha, mesmo quando nada temos em comum. Hospitalidade é cuidado e interesse.
Nestas semanas longas e sempre iguais, tenho aprendido a questionar-me acerca de como me relaciono no meu país, o que me liga a outros e quais são as expectativas que coloco no meio disto tudo. Tenho muito a aprender ainda, mas Deus está-me a ajudar e vai continuar certamente. Estou agradecida por estas dificuldades, porque elas me ajudam a ver aquilo que eu preciso melhorar do lado de lá.
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