23 novembro 2018

Há 10 anos


A nossa casa vivia um caos permanente, com dois bebés e uma criança pequena. No meio disto, o meu marido fazia músicas e dava concertos, e agora à distância ainda não sei muito bem como isso aconteceu, mas aconteceu. Recordo-me que ir a um concerto exigia uma logística que se organizava com largos dias de antecedência. Num desses concertos, em que deixei a miudagem e o filho mais novo de 4 meses com os meus pais, escrevi isto assim:

"Deve ser verdade,

ou então sou só eu que ando demasiado cansada, mas de facto a maternidade deve retirar-nos neurónios. Capacidades. Deve bloquear-nos temporariamente para tantas outras coisas que nos eram tão habituais, anteriormente. Talvez isto me tenha batido mais forte nos últimos tempos, com estes três filhos de rajada.

Verifico se armazenei leite suficiente no frigorífico, meto as mãos nos bolsos e confiro se não levo cheiro a leite azedo ou toalhetes sujos e desafio-me a conversas para lá de noites mal dormidas e gracinhas da prole. Caramba, que isto não é fácil, assim de repente a sair em cima da hora do concerto e sempre de olho no relógio e no telemóvel. Mas, e no entretanto, enquanto a música não começa, o que é que a gente faz? A minha cultura musical nunca foi grande coisa, é certo, mas do que é que falávamos antes? Onde é que eu metia as mãos, agora que as tenho sempre ocupadas? Não me lembro de como é que eu fazia isso tudo. Que estranho.

A parte boa é que, quando posso (muito raramente, verdade) saio de casa com uma mala minúscula e as mãos a abanar. Quando regresso, a correr, está tudo igual. Os meus amigos parecem ainda gostar de mim e da minha companhia. Eu ainda gosto deles."

(aqui.)



Dez anos depois, a logística é outra (há aulas no dia a seguir, mas não tenho bebés a chorar por alimento a meio da noite) e já estou habituada a sair só com uma mala pequena, com os meus pertences. A minha cultura musical continua a não ser grande coisa, mas os meus amigos ainda gostam da minha companhia (quero acreditar).

Apareçam.

22 novembro 2018

E o Joaquim? Fez 11 anos, pois claro.


Não sei se com 11 anos, o máximo que se pode desejar é um cd do Michael Jackson, uma gravata e uns ténis Gazelle ("mas acredito que sejam muito caros, por isso se não der não faz mal" - nota no primeiro pedido que escreveu), mas sei que o Joaquim ganhará muito se permanecer com esta capacidade de ficar deslumbrado com tão pouco.




13 novembro 2018

A união com Cristo na morte e na vida



"O que é o baptismo?
 O baptismo é a lavagem com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 O baptismo com água é a lavagem do próprio pecado?
 Não, apenas o sangue de Cristo pode limpar-nos do pecado."

- perguntas nº 44 e 45 do "The New City Catechism"

13.Nov. 1988, Primeira Igreja Baptista de Lisboa.

Completam-se hoje 30 anos que fui mergulhada nas águas do baptismo, momento que simbolizou a minha morte e a minha ressurreição através do meu Salvador Jesus. Neste dia, muito ainda estava a começar, e hoje ainda muito há para aperfeiçoar, mas isso faz parte de um processo gradual e crescente, chamado de santificação. Com o baptismo, não só afirmei publicamente a minha fé - a de uma menina de 11 anos que sabia que precisava de ajuda com o seu pecado, mas passei a pertencer à Igreja Universal do Senhor Jesus.

Neste meu percurso, Deus tem-me abençoado com igrejas locais, que nestes 41 anos de vida têm sido fundamentais para o meu crescimento. Na Igreja, existimos enquanto família e permanecemos para nos servir, amar, cuidar, confrontar e perdoar. Não daria para chegar até aqui sem pessoas que servem de exemplo, sem pessoas que amam e cuidam, sem pessoas que confrontam e nos advertem. Jesus virá um dia, mas sabia muito bem o que fazia quando nos deixava nesta doce e trabalhosa companhia.
São 30 anos de um percurso atribulado mas cheio da graça do meu Senhor. A maravilhosa graça!

08 novembro 2018

Deus sabe o que tu não tens

 

“Deus prometeu suprir todas as nossas necessidades. O que não temos agora, não precisamos agora. ” 

Quando li esta frase de Elisabeth Elliot (1926–2015), assenti. Tive de concordar. Tenho presente a sua vida,  a história do marido missionário assassinado, a sua dedicação ao evangelho, o seu fervor absoluto acerca de Jesus e a congruência entre as suas palavras e a sua prática, e digo: “Amém”.As circunstâncias da sua vida eram como contos de ficção no meu imaginário de miúda. Era por demais evidente que Deus estava por detrás de todas as dificuldades e decepções gigantes que Elizabeth experimentou para, no mínimo, servirem de exemplo para nós. Eu queria ser como ela, porque queria conhecer o seu Deus tão profundamente quanto ela - o tipo de Deus que fazia valer a pena cada prova. Mas eu não tinha noção do que significava a sua fé inabalável em Deus. Eu achava , ou pelo menos esperava, que a intimidade e confiança que ela tinha em Jesus poderiam vir através de uma vida de fácil. Descobri que, para ser como ela e conhecer a Deus dessa forma, precisaria aprender a feliz entrega da disciplina. Eu teria que trilhar um caminho através do sofrimento e precisaria descobrir a beleza no meio das minhas próprias cinzas estranhas ( Livro "These strange ashes")


QUAIS SÃO AS NOSSAS NECESSIDADES? 
Eu estava à porta da maior sala de emergência do nosso hospital infantil com tecnologia de ponta. Mal havia espaço para mim quando treze médicos se movimentavam com urgência, esbarrando uns nos outros, com gritos de ordem vindos do médico chefe. E no meio disto tudo, o nosso filho de 13 meses, pálido e sem vida. Eu queria chorar alto ou gritar o nome do meu filho, ou obrigar a alguém a prometer que tudo iria ficar bem. Eu não fiz nada disso. Fiquei em silêncio, sem me mexer, apertando as mãos, enquanto o meu coração batia, mas parecia se esvair. Só pensava que se eu ficasse quieta e contida, eles me permitiriam ficar perto do meu filho. Vi-os a colocar um acesso directamente no seu osso para administrar os medicamentos na medula o mais rápido possível. E segui atrás da maca com o rosto seco enquanto a enfermeira bombeava ritmicamente o ventilador manual, que permitia que o meu filho respirasse, até chegarmos ao nosso quarto nos Cuidados Intensivos e ele poder ser ligado à máquina. Eu tinha aprendido anos antes (talvez não tão bem quanto deveria) que Deus não nos deve filhos. E que às vezes ele os leva embora depois de dar. Mas o meu eu ingénuo de vinte e poucos anos ficou chocado com essa realidade. Sub-conscientemente acreditei estar imune ao aborto, então fiquei surpresa quando abortei. As palavras simples de Jó confortaram-me e assustaram-me: “O Senhor o deu e o Senhor o tirou” (ver Jó 1:21). E agora, com cinco crianças vivas - a mais nova com sérios problemas médicos - dei de caras com outro plano que não correspondia ao meu. Que, para ser justo, é uma ocorrência diária. Eu não tenho certeza se já tive um dia sequer que corresse de acordo com os meus planos. Mas as diferenças entre o meu plano e o de Deus, com algumas excepções notáveis, geralmente são de pequena escala. Observar a vida do meu filho por um fio não foi uma diferença de pequena escala entre o plano de Deus e o meu.

O QUE SIGNIFICA PROSPERAR
Naquela noite, no hospital, sozinha com o meu filho inconsciente e o som do ventilador no meio de um silêncio assustador, Deus estava a trabalhar mais uma vez na minha compreensão de carência e de prosperidade. Nos anos seguintes, iria questionar-me muitas vezes sobre quais eram as minhas necessidades e as necessidades da minha família, enquanto filhos de Deus. Será que precisava que o meu filho fosse saudável? Quão saudável era saudável o suficiente? Será que os nossos filhos mais velhos precisavam de uma infância imaculada pelo sofrimento? Será que eles precisavam de uma família com menos “necessidades”? Eles precisavam de mim para educá-los em casa a tempo inteiro para se tornarem pessoas cristãs decentes? Será que eu precisava de dormir? Quantas horas? Precisava de menos vomitados na minha vida? Quão coerente precisava eu ser para me tornar um ser humano gentil? Tu, provavelmente, tens as tuas próprias perguntas. Precisas de um casamento saudável? Precisas que o teu filho seja salvo? Precisas mudar para uma cidade diferente, uma casa diferente, um bairro diferente? Precisas de te livrar da tua dor crónica? Precisas que Deus te dê um "sim" ao pedido que lhe fazes há vinte anos? Precisas de te livrar da solidão? Precisas de estabilidade ou mudança? O que é que Paulo quer dizer quando promete: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.” (Filipenses 4:19)? 

A BONANÇA DEPOIS DA TEMPESTADE
O meu filho recuperou desse internamento traumático. Eu também. Embora essa não tenha sido a última vez que estivemos lá. 
Na altura, senti vontade de declarar vitória. Nós sobrevivemos. A minha fé estava intacta - até fortalecida. Mas uma das descobertas desta última década da minha vida tem sido que os grandes testes nem sempre são o teste que achamos que são. De alguma forma, passamos por essas grandes provas assustadoras. Pela graça e orações e pela ajuda do povo de Deus, agarramo-nos à esperança nas promessas de Deus e suportamos. Mas, muitas vezes, são os pequenos desafios que seguem os grandes que nos ameaçam derrubar. Alguns anos depois daquela sinistra estadia no hospital, no momento em que eu deveria estar feliz com as melhorias do meu filho e de como as coisas estavam  a correr bem, dei comigo a dizer a Deus às duas horas da manhã: “Eu não consigo. Não consigo mais viver assim. Eu não consigo continuar a  fazer as coisas que eu tenho de fazer todos os dias com tão pouco sono a cada noite. Eu preciso que me dês alívio. Eu preciso que me dês uma folga destes pesadelos nocturnos." Sabem, o nosso filho não consegue dormir uma noite seguida por causa dos seus problemas neurológicos. Ele tem melhorado, aqui e ali, mas estes primeiros cinco anos de sua vida têm sido desafiadores no que toca a sono. E foi neste período de sono que dei comigo a desabar.

TEM CUIDADO COM AS PROVAÇÕES MAIS PEQUENAS
Eu tinha a ideia de que, para discipular os meus filhos, precisava ser coerente e menos desesperada. Eu tinha a ideia de que, para que Deus me usasse para apontar-me para ele, eu precisava me desfazer desse estado. Eu estava ok com ser humilhada - já o tinha sido muitas vezes - mas quão fundo eu tinha de descer? Quer dizer, eu lia artigos cristãos que declaravam: o sono é um ato de humildade. Então, por que Deus me negaria essa humildade? Eu queria confiar nele com os meus olhos fechados.Mas Deus não me deixou colocar o meu coração em necessidades menores. Nós temos necessidades maiores do que dormir. Temos necessidades maiores do que a nossa saúde ou a saúde dos nossos filhos. Temos necessidades maiores do que um cônjuge ou alívio da dor crónica. Temos necessidades maiores do que coerência. Temos necessidades maiores do que esse emprego, carreira ou casa. Temos necessidades maiores do que servir a Deus como esperávamos.O que eu realmente precisava era aproximar-me mais de Filipenses 4, a fim de descobrir que o próprio Paulo tinha continuado mesmo sem ter as suas necessidades básicas satisfeitas. Ele diz assim: “Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.
Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.

Filipenses 4:12
Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.

Filipenses 4:12
Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.

Filipenses 4:12
”(Filipenses 4:12). Paulo suportou necessidades não atendidas e aprendeu a contentar-se no meio delas. 

EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA
As ideias de Deus para a nossa prosperidade são diferentes das nossas. Acreditamos que prosperidade significa oito horas de tranquilidade, um bom trabalho, estar rodeado de pessoas que nos tratam com respeito, tendo a oportunidade de ter sucesso em algo, boa assistência médica, um casamento amoroso e crianças felizes. Essas são coisas boas, mas não são as coisas que Deus está mais preocupado em nos providenciar nesta vida. Na economia de Deus, nós prosperamos quando a nossa necessidade por ele é encontrada nele. Queridos irmãos e irmãs, não há nenhuma circunstância debaixo do céu que Deus não esteja a usar para nos tornar carvalhos de justiça. Não há necessidade de que ele não se encha de si mesmo. A promessa é realmente verdadeira: Deus realmente suprirá todas as nossas necessidades de acordo com suas riquezas na glória em Cristo Jesus (Filipenses 4:19). Não há nada de que realmente precisemos que não seja encontrado em Cristo.Ainda mais, as circunstâncias em que vemos uma necessidade ou desejo nosso terreno ser negado, são muitas vezes os meios que Deus usa para acelerar a nossa santidade e felicidade nele. Quando queremos, recebemos mais de Cristo. Quando sofremos, a nossa solidariedade com ele cresce.Como de costume, Elisabeth estava certa: “Deus prometeu suprir todas as nossas necessidades. O que não temos agora, não precisamos agora. ” E o que precisamos agora, nós temos agora: a mão soberana e amorosa de Deus Pai trabalhando todas as coisas para o nosso bem (Romanos 8:28); Cristo, o Filho, como nosso advogado, Salvador e justiça (1 João 2: 1; Filipenses 3:20; 1 Coríntios 1:30); e a intercessão, ajuda e conforto do Espírito Santo que nos cercam a cada dia (Romanos 8: 26-27). Então, no final das nossas vidas, nós verdadeiramente poderemos dizer: “Eu nunca desejei nada. Nunca tive um "não" do meu pai que não fosse um "sim" para coisas melhores e mais profundas."


Original do texto aqui.

05 novembro 2018

O que é o amor?



Estudar as cartas de João está a ser um enorme desafio para mim. Quanto mais leio, mais me apercebo que preciso conhecer melhor sobre o verdadeiro amor. Pesquiso no dicionário significados, reescrevo as frases por outras palavras, respondo a perguntas. E o amor, aquele de que João fala e que é o próprio Deus, precisa ser conhecido, assimilado, vivido.

Quando penso que o amor é amar sem esperar em troca, Deus mostra-me que o amor não se vive nas minhas forças e demonstrações que eu consigo encontrar, pequeninas e insignificantes. O amor só se dá aos outros quando se conhece o amor do próprio Deus, que é - ele mesmo- AMOR.

Em tempos de relativismo, João fala de preto e branco, luz e trevas, amor e ódio. Se não amas, odeias. Não há indiferença pelo meio. E isto é tão difícil de assimilar quanto de viver. Porque, num tempo em que nos dizem que amar é um sentimento que não se força, a Bíblia contrapõe e ordena que amemos os outros como nos amamos a nós. Temos de escolher amar. Não dá hipótese.

Ao mesmo tempo, a Bíblia nunca nos diz que nos precisamos amar a nós mesmos, porque já o fazemos naturalmente; mas que se procurarmos amar o próximo como buscamos os interesses para nós mesmos, já estamos a começar a viver mais além.

Logo no início da primeira carta, João coloca as coisas em termos drásticos: se dizes que amas a Deus mas não amas o próximo, estás a pecar e a ser mentiroso. Quando estamos continuamente a pecar, afirmamos três coisas:

1 - Não estamos a compreender a dimensão da Graça de Deus;
2 - Estamos a enganar-nos a nós mesmos;
3 - Fazemos de Deus mentiroso - porque só ele é santo.

Conseguimos ver se o nosso amor está nas coisas erradas, quando não nos esforçamos por obedecer ao que Deus nos pede. Se olhamos para a lei sem graça, fica difícil compreender e aceitar a dimensão do amor de Jesus, que se sacrificou por todos nós. Devemos estar atentos a todos os tipos de ensinos contrários a estes, porque a Bíblia também fala deles como enganadores. Devemos permanecer e ficarmos ancorados na verdade - Deus é amor - e que através dele saberemos como amar melhor.


[O estudo vai continuar. ]



Este estudo das cartas de João é feito seguindo o caderno de estudo "Abide" de Jen Wilkin.




Ainda não eram 8.00

e a hora ainda não tinha mudado. O sol entrava timidamente pela sala, eu tentava organizar os meus pensamentos para o dia a começar, quando me lembrei da bondade de Deus e da minha obrigação de falar da sua fidelidade. Ali, na parede.

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...