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30 dezembro 2019

Lições da garça no Lake Cavalier

Acordávamos pela manhã, por mais cedo que fosse, e aí estava ela: parada, quase estátua, a contemplar o lado direito do lago. Ali ficava incansável, como que certificando o cenário paradisíaco ao nosso redor, com uma condição: uma boa margem de distância. De todas as vezes que abri com cuidado a porta de vidro para a fotografar - numa tentativa de a registar para nunca mais me esquecer - e caminhava lentamente pelo relvado, havia ali um momento que por mais silencioso que fosse, eu já me tinha feito anunciar, e ela saía, como que dizendo: passaste os limites.

É da garça que me lembro agora, sempre que nestes novos dias cheios de caras que amo e dos sítios de que tinha saudades, dou comigo ainda a descobrir um novo ritmo. E dou comigo ainda sem saber me situar porque ainda não descobri os meus novos limites por aqui. Nos momentos de cabeça confusa e meio cansada desta agenda social, vejo a garça a voar e a dizer: não podes. Sinto-me uma pessoa a regressar a tudo o que conhece e ama mas com uma incapacidade para me inserir da mesma forma. Deve ser isto que se chama transformação, mudança, maturidade, talvez. Digo-o sem arrogância ou superioridade, porque isto nada mais é do que trabalho do Espírito, que me alerta: atenção! Tu vais viver de forma diferente. Tu não te podes permitir a mesma correria sem paragens. A tua cabeça precisa de mais contemplação.

Recordo a garça, que na sua quietude e postura, se mantinha como nossa companhia, mas sem a pretensão de algo mais. Ela sabia os seus limites, conhecia o seu espaço, e voltava todos os dias. Mesmo quando não tinha permanecido tanto tempo por causa das minhas imposições. Cada novo dia é uma nova oportunidade de recomeçar, e essa é a maior esperança de todas: podemos mudar, tentar, até acertar.


14 dezembro 2019

Escangalhada


O cansaço nunca é bom medidor de emoções ou discernimento, portanto tenho passado os últimos dias a dar-me um enorme desconto a mim mesma, embora por vezes me sinta mais a ser levada pelos dias do que eu a dominá-los. Mas já passei pelo jetlag vezes suficientes para saber que a sensação de ausência, de flutuar, de confusão, leva sempre alguns dias a passar. A juntar ao jetlag, regresso geralmente com viagens marcantes, experiências, encontros que levam tempo a processar.

Desta vez, não é apenas uma conferência ou uma experiência que trago comigo, são 4 meses e meio de uma vida nova que nunca mais será a mesma. De repente, estou de regresso ao meu lar, a tudo o que conheço e tenho saudades, e sou assaltada por um sentimento de receio, de dúvida, de falta de encaixe. Vejo tudo com um olhar diferente e novo e isso é lento a ser processado.

Não volto a este lugar para continuar a vida como sempre foi porque isso já não vai ser possível. Deus fez-me uma pessoa diferente e preciso de recomeçar e voltar a pertencer com tudo aquilo que é novo. Aquilo que Deus mudou, prometeu e mostrou do lado de lá é verdade em qualquer lugar - só preciso de perceber como se aplica a toda a realidade que ficou, sabendo que essa mesma realidade pode ter mudado ou não; e que esse acerto terá os seus custos, mas que tudo o que acontece aos filhos de Deus contribui para o seu bem. E eu confio que Deus tem sempre o melhor para mim. 

13 dezembro 2019

Uma enorme, gigante, infinita gratidão


Aqui para nós, o meu maior medo de todos ao viajar para a América, era que algum de nós ficasse doente e precisássemos usar o seguro de saúde. Viajar sem um seguro não era opção, mas mesmo com uma cobertura grande que cobrisse as maiores dificuldades, recorrer a ele seria sempre incorrer em enormes despesas e enfrentar todo um mundo desconhecido.

Estão a ver os seguros portugueses em que uma ida à urgência custa no máximo 40€,uma consulta uns 15€ e análises por uma bagatela? Isso não existe por lá (muito menos Serviço Nacional de Saúde, claro). Mesmo com os melhores seguros, as franquias e preços de tabela nunca prevêem valores abaixo dos 250 dólares. No nosso caso, tivéssemos uma amigdalite ou uma apendicite, entrar numa urgência começaria sempre por um valor mínimo de 500 dólares. Além disto, mergulhar no universo hospitalar significaria sempre viver vulnerabilidades num contexto diferente, não seria fácil. Mas era um risco assumido a partir do momento em que decidimos viajar. Deus, na sua infinita misericórdia, poupou-nos e a gratidão que sentimos é muito grande, não tem explicação. Obrigada, Senhor!

09 dezembro 2019

Oliveiras e Cavacos

Esta é a nossa última foto todos juntos, tirada no aniversário da cunhada Marta, no restaurante preferido dela, o Mama Hamils, onde se pode comer comida caseira com o sabor típico do Sul, num ambiente também ele muito característico. Estivemos todos juntos 4 meses e meio, e há muito do que vivemos que nunca poderá ser colocado em palavras, mas fica connosco.

I'm a city girl


Estamos numa escala de 8 horas em Nova Iorque. Estes meses todos depois, não tenho dúvidas: sou uma pessoa de cidades. Embora não sinta saudades do trânsito, de buzinas, de procura de lugar de estacionamento, de dias curtos e corridos, de viver enclausurada num apartamento, gosto da vida de bairro que temos em Oeiras, de ter tudo o que é essencial sem ter de usar o carro, do comércio local, da diversidade dos lugares de consumo. Num mundo ideal, teríamos a cabana de madeira de Pelahatchie em plena Oeiras. Mas não existe mundo ideal e é para lá que vamos regressar.

Se não era preciso estar longe de casa para saber que amamos onde vivemos, ter estado longe salienta aquilo que apreciamos ainda mais. Nova Iorque não se vê hoje ao longe porque chove e está nevoeiro, mas quanto mais viajo e conheço mais a América, também Nova Iorque permanece destronável no que toca a cidades que amo. A laranja, os Estados que já visitei.

As cidades do meu coração, por ordem: Lisboa, Nova Iorque, Roma, Praga, Paris, Dubrovnik.

08 dezembro 2019

Praia, Gulfport

O nosso último domingo aqui foi passado em Gulfport (que fica no estado do Mississippi) a 1 hora de caminho de New Orleans, visitando a Redeemer Baptist Church, junto ao litoral, banhado pelo Golfo do México. A cor da água é escura e a areia muito branca. Por instantes, deu para imaginar o nosso próximo domingo a caminho da Lapa na marginal de Oeiras.




05 dezembro 2019

Adeus, Pelahatchie!

Adeus, mini cabana. Foste um bom abrigo cerca de três meses. Nunca te esqueceremos!

03 dezembro 2019

Time to pack

Livros, livros, livros, manuais escolares, trabalho da escola, roupa, calçado. É uma espécie de tetris em que tudo pesa demasiado. Mas vamos conseguir.

Perspectivas

Ontem, a caminho de um jantar de despedida, olhávamos para o GPS e demos connosco habituados a um percurso recorrente (feito em alguns dias, mais do que uma vez) que ronda os 100km, ida e volta. Dizíamos que nunca mais veríamos as distâncias da mesma maneira, sobretudo quando ir e voltar de Lisboa são apenas 30km. Ao mesmo tempo, no meio desta floresta, habituámo-nos a encomendar coisas essenciais à distância de um clique no telemóvel e deixadas no alpendre, a nosso pedido. Aqui, tudo é mais largo, e também por isso tudo chega mais rápido e sem talões dos correios ou filas para levantar. Esta descontração de chegar a casa e ter um pacote algures na entrada, é algo que vamos sentir falta. Isso e não ter de procurar lugar para estacionar, deixar o carro destrancado, não ter escadas para subir nem constrangimentos com o barulho na nossa casa.

Joaquim - Quim - King

Se os americanos se enrolam todos para tentar dizer Rute à portuguesa, o nome Joaquim é toda uma comédia. Xuquim, Xaquim foram os mais comuns. À sugestão de o chamarem de Jack ou Quim, houve quem optasse pelo Quim, que em inglês ficou King. Ahahahahaahah.

02 dezembro 2019

Nós só queríamos um postalzinho de Natal...






Por aqui, as pessoas compram roupa a condizer para tirar fotos. Mas nós não somos daqui. Pedimos desculpa pelo incómodo.

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...