
posso falar destas últimas semanas de gravidez, aliviada com o seu desfecho.
Chegámos às 33 semanas quase sem darmos conta, e por essa altura, incomodada com um prurido que se alastrava pelo corpo há duas semanas, é-me detectada uma colestase gravídica, doença que eu pouco conhecia e que vim a perceber aos poucos os seus contornos e eventuais consequências.
Não foi bonito de ouvir que poderiamos ter um prematuro, que as complicações para mãe e filho poderiam ser algumas, que a medicação também tinha os seus riscos e que, mesmo aguentando mais uns tempos, nunca poderiamos passar das 37 semanas. Estava decidido que o parto seria induzido até essa data, se os valores se mantivessem dentro do razoável para esta situação.
Os valores foram subindo progressivamente, a medicação dava-me um desconforto crescente e a cada visita ao Hospital preparava um adeus às minhas filhas, a mala na bagageira e uma indução de parto. Depois de ter tido uma indução com a Maria (por perda de líquido) e um parto natural com a Marta, eu sabia que este não era o parto que eu escolheria ter.
Conformei-me aos poucos, ansiosa e preocupada. Precisamente no dia em que nos foi adiada a indução porque os valores finalmente tinham baixado, voltámos para casa felizes para comemorar o aniversário da Marta e o Joaquim decide dar sinais de querer nascer.
Madrugada adentro, em casa com contracções, adiei a ida para o Hospital até ao início da manhã, altura em que decidimos ir para lá. Mais ou menos 1 hora depois de me ter deitado na cama a receber a epidural, o Joaquim decidia nascer. Saudável como tanto pedimos a Deus. Minúsculo, tal como era suposto ser com este tempo.
Depois posso falar de como desejei escapar a uma episiotomia e consegui, e de como ter o meu nome associado à expressão "períneo intacto" desencadeia as mais diversas reacções em mães e enfermeiras.
O que eu sei, é que apesar de ser bom poder-me sentar sem qualquer tipo de dores, pegar nas minhas filhas como se nada fosse, não há coisa melhor no Mundo que assistir à misericórdia de Deus.
Há quem diga que foi tudo uma grande sorte, para mim foi a graça de Deus.
A imerecida graça.