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04 janeiro 2020


Começámos o ano a ir ao Porto a um funeral. Quando entrava no cemitério na zona de Águas Santas, cheio de imagens e decorações duvidosas, tão diferente deste cemitério que visitámos em Vicksburg, pensava nas vezes que tive de enfrentar esta despedida sem a esperança da eternidade.

 Já disse adeus a pessoas que amava, sem certeza de que um dia as vou encontrar. São ainda alguns os momentos em que me pesa a leveza desses anos em jovem, em que lidei com alguma normalidade com o facto de nem todos acreditarem no mesmo Deus que eu, e pouco fazer para transmitir a urgência de crer.

Neste funeral, num dia cinzento, carregado e num ambiente de profunda tristeza, agradecia a Deus por ver que a família que agora se despede, pode ter a esperança de um reencontro. Pode recordar quem parte com uma herança e um legado, tendo acompanhado o seu querido num ambiente de fé e confiança em Deus.

 Não sei quando posso eu ficar numa circunstância de doença e morte eminente, mas recordo deste testemunho, e de tantos outros, de pessoas que no seu leito de dor, sofrimento e morte dependeram do que conheciam da Palavra de Deus para ganhar ânimo para aguentar. Pessoas que a sofrer pedem que lhes cantem os hinos que falam da grandeza de Deus. Pessoas que em estados intermitentes de consciência, citam os versículos que uma vez decoraram. Pessoas que, na sua saúde, se alimentaram de tal forma da Palavra de Deus, que quando se encontram na fraqueza, é dela que se continuam a alimentar.

Tendo começado o ano de uma maneira triste, esta é a altura de lembrar que é tempo de amealhar, para mim. É tempo de beber e comer da Palavra, enquanto a saúde existe e as dificuldades maiores não surgem, é tempo de fazer como as formigas : guardar durante o bom tempo para ter stock para o mau tempo. É tempo de me encher e transbordar para os outros. É tempo.

08 outubro 2019

O dia amanheceu triste em Pelahatchie...

... com o nosso coração em Moscavide. Umas semanas antes de viajarmos, sonhei com a partida de alguém na nossa ausência.
Acordei a pensar que tinha de me preparar para a eventualidade de lidar com notícias tristes sem poder estar presente.

 Hoje acordámos com a notícia da partida de alguém muito querido para nós. Embora nos console a certeza da esperança do céu, custa bastante não estar presente para abraçar os que ficam, em especial a minha companheira de oração e confidências, querida Vilma. Choramos contigo.



- a foto acima é uma das muitas recordações que tenho da família Matos Avó. Neste domingo, Janeiro de 2006, nevava em Lisboa. Tínhamos um daqueles domingos preenchidos com culto e assembleias, e eu tinha ido colocar a Maria a dormir na casa deles, entre reuniões. -

17 novembro 2015

Tia Nieta


No dia de hoje é possível imaginar a tia Nieta chegar ao céu e ouvir: "Serva boa e fiel, entra no gozo do teu Senhor".

Uma vida com largas décadas dedicada à evangelização de crianças em Portugal tem estilhaços de recordações por todo o lado. Na minha própria família, entre tantas outras.

Aqui há uns tempos, escrevi sobre a forma como é possível vermos no exterior de alguém marcas bonitas do trabalho que Deus faz no seu interior (aqui). A tia Nieta tinha umas mãos bonitas como vi poucas. Era impossível não reparar. Dedos longos, mãos elegantes, uma espécie de representação cada vez mais esculpida de toda uma vida disponível para os outros e as crianças em particular.

Somos tão agradecidos pela vida da tia Nieta.

23 março 2015

Kara Lynne Thewlies Tippetts, 14.07.1976 - 22.03.2015 

"Mas porque acredito que os planos de Deus para mim são melhores do que os que eu poderia alguma vez planear, em vez de fugir do caminho que Ele colocou diante de mim, eu quero correr em direcção a ele. Eu não quero tentar mudar os pensamentos de Deus - eles são perfeitos. Eu não quero mudar o tempo de Deus - porque o Seu tempo é perfeito. Eu quero ter a graça de andar ao ritmo de Deus. Quero abraçar o Seu plano e poder ver como Ele é glorificado nisso. Quero submeter-me a Ele."


Nestes últimos dois anos, aprendi com a Kara como se aprende a morrer, não só no sentido real do que é perder a vida, mas de como é morrermos para nós próprios e vivermos em Cristo. Quando se falava da tristeza de deixar quatro filhos pequenos e marido, ela sabia que apesar da ausência brutal que iria deixar, que quem cuidava realmente dos seus filhos não era ela: era Deus. E ainda assim, um dos textos que mais me tocou sobre esta realidade que se seguiria à sua morte, ela ainda encontrou lugar para pedir a Deus por uma nova mulher para o seu marido e uma mãe para os seus filhos.

"No outro dia orava por uma mulher que venha a seguir a mim. Orei a Deus, pedindo-lhe que seja gracioso com o Jason e as crianças, e que lhes traga alguém que os ame com uma singularidade feroz. Pedia a Deus que esta mulher chegasse a este lugar cheia de graça, a este sítio difícil de corações despedaçados, e que os inunde com amor e gentileza. Oro para que ela seja também recebida com carinho e corações abertos, por todos. E que em todas as contrariedades que encontrar nesta nova vida, que seja paciente."

Hoje, o meu coração chora.

23 fevereiro 2015

O tempo não está ao nosso dispor mas fazemos de conta que sim.


Vivemos como se o tempo estivesse ao nosso dispor. Todos sabemos que não, mas não é isso que fazemos na prática. Não vou hoje ali, vou amanhã. Não combinamos isto este Verão, fica para um próximo. Acalentamos todos o desejo de chegarmos a uma idade avançada a tricotar e a ler histórias aos netos, e se não vivemos este dia muito bem, amanhã também não será o último.

"Foi tudo muito rápido", foi a frase mais repetida nestes últimos dias. No carro, falávamos de como no espaço de uma semana se deixou de recear uma súbita alta médica e arranjar alternativas de apoio domiciliário, para se falar em cuidados paliativos. Na segunda-feira tudo parecia mais ou menos igual. Na terça, uma febre do mais novo, uns telefonemas, "Não vamos hoje. Vamos amanhã ver a tia".

Secretamente albergava o desejo de - numa passagem para uma enfermaria - os miúdos ainda poderem entrar. Segundos depois desta fotografia, uma sms do Tiago que tinha subido antes de mim: "A tia pode partir a qualquer momento".

Subi minutos depois. As campaínhas de acesso. As portas que batem em silêncio. Os sussurros de quem está. As últimas frases que se dizem. O pesar da espera. Os meninos que já não entraram. O dia de visita que nunca mais se repetirá.

"Foi tudo muito rápido. Foi tudo muito rápido."


O tempo de Deus não é o nosso.

"(...) um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia." - II Pedro 3:8

19 fevereiro 2015

Tia-avó Rute, para os mais pequeninos.

A tia Rute está com o Senhor, desde ontem à noite.

A pesquisar nos arquivos das fotos, tenho dificuldade em encontrar uma foto só da tia. E a resposta é simples e encontram-na mais abaixo:







O colo da tia-avó Rute fará falta aos mais novos.

11 novembro 2014

O céu.

Hoje foi o dia da despedida.

Uma cerimónia preparada por quem já não se encontra, um texto como último testemunho, homenagens sentidas. Como em qualquer outro dia, Deus não deixa nada ao acaso. O céu que pela manhã anunciava algo de imensamente bonito: mais um crente está em festa do lado de lá.

10 novembro 2014

"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé."


Partiu para o Senhor o Pastor João Rosa de Oliveira.

Queria poder contar a importância do Pastor e da irmã D. Lídia na vida da nossa família. Mas há dívidas de gratidão que não se saldam em palavras.

Uma das coisas que ele dizia aos nossos miúdos, numa doença que eles não lhe viam estampado no corpo:

- "Quando quiserem que eu morra, deixem de orar!". Ninguém deixou de orar, Pastor. Deus entendeu que estava na altura de gozar do lado da eternidade que tanto desejou, que tanto anunciou.

Até já.

21 abril 2014


Há 13 anos, Deus chamava para Si de uma forma muito pacífica, após anos de muito sofrimento, a minha avó materna. As previsões médicas apontavam para uma partida difícil, sendo que a avó dependia de oxigénio nos ultimos anos de vida. Deus quis contrariar este cenário quase garantido e permitiu que os momentos antes de a levar para junto dele fossem tranquilos e rodeada dos seus.

Ficar junto a alguém que amamos no momento em que o seu corpo deixa de ter vida é uma dor muito grande, mas também um grande privilégio. Choro sempre que me recordo da avó que tive, porque foi um exemplo de simplicidade como ainda não encontrei em mais ninguém. Mas agradeço muito a Deus porque ainda a tive na minha vida 24 anos, pela forma como escolheu levar a minha avó nesse 21 de Abril de 2001 e porque nesse dia desisti de ir à Gulbenkian ver um filme de animação e estava em casa.

13 setembro 2013

E.

A 13 de Setembro de 1999 deixava de fazer sentido caminhar todos os dias em direcção ao Chiado.


08 janeiro 2013

"Quem me dera..."

Na sexta-feira, quando o Tiago saiu para o hospital, sabendo do estado já crítico em que a irmã Manuela se encontrava, fizemos uma oração com os miúdos, para que Deus fizesse a Sua vontade e estivesse com ela e com a família.

Quando ele me avisou que a irmã Manuela tinha partido, disse aos miúdos. Depois de muitas perguntas, a Marta parou, arregalou os olhos e disse:

"Mamã, isso quer dizer que a irmã Manuela já pode falar com Jesus! Já pode vê-lo, já pode tocar nele! Que sorte, quem me dera..."

05 janeiro 2013

!

Numa tentativa ingrata de resumir uma história ainda longa, aqui vai: desde Outubro que nos juntámos da parte da tarde aos cultos na Lapa, da 2ª Igreja Baptista de Lisboa, que se encontra sem Pastor há mais de um ano. Por decisão da nossa Igreja em São Domingos de Benfica, decidimos ficar e juntar-nos a estes irmãos, num plano de um ano, que correndo bem e sendo da vontade de Deus, culminará com a fusão das duas Igrejas numa só, no final de 2013. Neste processo, bastante anterior a estes 3 meses, houve pessoas marcantes na nossa chegada lá.

Uma delas, a irmã Manuela. Chegar à Lapa e não dar com a irmã Manuela era impossível, porque ela chegava e fazia-se notar. Da última vez que lanchámos a seguir ao culto, há pouco mais de 2 semanas, libertou o Joaquim da minha insistência em beber o leite com chocolate até ao fim. Desautorizou-me, portanto, com a benevolência típica de uma avó, "Ele já não vai beber o leite, vai mas é brincar". Foi brincar o Joaquim, contente da vida.

A irmã Manuela adoeceu por altura do Natal, e nesta última semana piorou seriamente. Ainda lhe foram segredadas frases em como a partir do próximo domingo, o desejo que alimentava no seu coração, se iria mesmo realizar. Mas Deus quis chamá-la ontem, à Sua presença.

Amanhã vamos sentir a falta da irmã Manuela na hora que ela tanto desejou: a presença de SDB na Lapa. Mas vamos cumprir essa hora com a alegria que lhe pertencia a ela e a todos os cristãos - Jesus é o Senhor da nossa ressurreição.

Às 10h30, Escola Bíblica Dominical
Às 11h35, culto.
Às 16h, culto.

A localização, aqui.

07 julho 2011

"Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará."

Maria José Nogueira Pinto

O artigo está todo aqui.

16 junho 2011

César

Hoje terei de explicar aos meus filhos, aquando do nosso culto doméstico, que uma das pessoas por quem orávamos há largos meses, partiu. A saúde do César era frágil desde que nasceu, e ao fim de 46 anos, Deus assim quis.

Agora passamos a orar pela família Nobre, que nos é querida.

09 maio 2011

Diz em Eclesiastes que:

" É melhor ir a uma casa onde há luto do que ir a uma casa onde há festa, pois onde há luto lembramos que um dia também vamos morrer.
A tristeza é melhor do que o riso; pois a tristeza faz o rosto ficar abatido, mas torna o coração compreensivo."
O resto, disse-o o meu marido aqui.

21 abril 2011

Todos os 21 de Abril

são acentuados pela falta que nos fazes.
Foi há 10 anos que te dissemos adeus.

(1997)

- avó Maria dos Anjos - 

13 dezembro 2010

Falei dele

uma vez aqui neste blogue. Desde esta madrugada que deixei de ter quem me apertasse a mão. No Céu também não há beijinhos, de certeza. Até esse dia.

10 setembro 2010

Esta noite

Deus chamou para Si a "avó" Rosa (ver aqui). Mais do que a sua simpatia e personalidade conciliadora, recordá-la-ei pela sua capacidade de perdoar e ultrapassar as adversidades.

E por esta manta, também.

29 março 2010

Não sei que mãe eu seria

depois de uma dor destas.
Acredito num Deus que dá e tira, consola e restaura. Mas sinto-me tão pequenina quando sei destes acontecimentos, de pessoas que conhecemos.
Resta orar pelo consolo, de uma dor inimaginável.

04 janeiro 2010

Hoje chorei

como tantas vezes (ver aqui). 37 anos é idade que não tardo a ter.

Adeus, Lhasa.

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...