Começámos o ano a ir ao Porto a um funeral. Quando entrava no cemitério na zona de Águas Santas, cheio de imagens e decorações duvidosas, tão diferente deste cemitério que visitámos em Vicksburg, pensava nas vezes que tive de enfrentar esta despedida sem a esperança da eternidade.
Já disse adeus a pessoas que amava, sem certeza de que um dia as vou encontrar. São ainda alguns os momentos em que me pesa a leveza desses anos em jovem, em que lidei com alguma normalidade com o facto de nem todos acreditarem no mesmo Deus que eu, e pouco fazer para transmitir a urgência de crer.
Neste funeral, num dia cinzento, carregado e num ambiente de profunda tristeza, agradecia a Deus por ver que a família que agora se despede, pode ter a esperança de um reencontro. Pode recordar quem parte com uma herança e um legado, tendo acompanhado o seu querido num ambiente de fé e confiança em Deus.
Não sei quando posso eu ficar numa circunstância de doença e morte eminente, mas recordo deste testemunho, e de tantos outros, de pessoas que no seu leito de dor, sofrimento e morte dependeram do que conheciam da Palavra de Deus para ganhar ânimo para aguentar. Pessoas que a sofrer pedem que lhes cantem os hinos que falam da grandeza de Deus. Pessoas que em estados intermitentes de consciência, citam os versículos que uma vez decoraram. Pessoas que, na sua saúde, se alimentaram de tal forma da Palavra de Deus, que quando se encontram na fraqueza, é dela que se continuam a alimentar.
Tendo começado o ano de uma maneira triste, esta é a altura de lembrar que é tempo de amealhar, para mim. É tempo de beber e comer da Palavra, enquanto a saúde existe e as dificuldades maiores não surgem, é tempo de fazer como as formigas : guardar durante o bom tempo para ter stock para o mau tempo. É tempo de me encher e transbordar para os outros. É tempo.
















.jpg)

