30 março 2018

Em memória

"E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.
Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós."

22 março 2018

Muitas vezes fazem-me perguntas (especialmente por mail) acerca do ensino doméstico. Talvez as minhas respostas sejam pouco claras, porque nesta casa estamos num caminho, que se tem construído lentamente. E nós acreditamos que cada família deve fazer o seu caminho, no seu tempo, com liberdade.

Em momentos destes, em que a matéria de História já chegou ao fim mas a de Matemática está baralhada, olho para esta foto e relembro: esta escolha é muito mais do que números e letras.

19 março 2018

Dor - Paciência - Espera - Confiança



Quando, agora no início do ano de 2018, comecei a estudar a carta de Tiago com as minhas amigas-irmãs da Lapa, e chegámos a este versículo : "recebei com mansidão a palavra em vós enxertada" (Tiago 1:21), e no caderno do estudo perguntava: "Com que postura devemos receber a palavra enxertada de Deus?", foi como se de repente me fosse mostrada uma parte da Bíblia que eu nunca tinha compreendido tão bem. Isto passa a vida a acontecer, porque a palavra de Deus é viva e se revela a cada um de diferentes formas através do Espírito, mas tudo fica mais claro quando pudemos experimentar esta realidade numa área da nossa vida.

No último ano e meio, andei naquilo a que chamei carinhosamente no meu instagram #asagadosossos (a saga dos ossos). Abreviando o que não é assim tão importante, passei por vários enxertos ósseos e gengivais no maxilar superior, num processo que deveria ter sido curto mas com muitos contratempos, dores e espera. Aprendi bastante sobre a relativização da dor (mesmo já tendo passado por partos sem epidural, esta foi toda uma nova realidade), e foi um caminho de alguma humilhação, até porque pelo meio deixei de poder comer as coisas que mais gostava, fiquei fisicamente alterada (os meus filhos dizem que a dada altura eu estava igual ao Grinch), e as minhas forças estiveram no limite uma data de semanas.

Quando Tiago escreve que devemos receber a palavra de Deus que nos vai ser enxertada, e que o  devemos fazer com mansidão, é isto mesmo: para que os enxertos ósseos que fiz se fixassem, levei alguma pancada, e tive de esperar e confiar que tudo ia ficar bem. De pouco me adiantava lamentar o estado das coisas, de pouco me servia reclamar porque o meu processo estava muito mais complicado que o normal. Tiago diz que para a fé ser genuína, ela precisa de ser enxertada em nós (não nos é natural), que é um processo demorado, contínuo, e sobretudo doloroso. A atitude que temos no processo é fundamental.

A chamada #sagadosossos chegou ao fim há uns dias, mas a minha caminhada na fé não. Sou agradecida porque encerrei um capítulo que me ajudou a compreender muito melhor aquilo que a minha caminhada cristã deve ser. Com paciência, mansidão no meio da dor e a confiança em Deus, que está no controlo de tudo, mesmo quando não estamos assim tão certos de qual vai ser o desfecho final.



13 março 2018

Os aniversários estão sobrevalorizados



Quem já falou comigo sobre este assunto, sabe que reajo um bocadinho a comemoração de aniversários. Não me entendam mal: não sou contra festas. Mas acho que nos dias de hoje se dá uma importância exagerada ao dia e à forma de o comemorar. Chega a ser uma ofensa para alguns, haver algum tipo de esquecimento, desvalorização ou falta de comparência. Um dia sagrado.

Reconhecer os que amamos e sermos reconhecidos deve ser uma coisa presente no dia-a-dia e presentear com generosidade é um conceito que, quanto a mim, deve ser bastante alargado e até vivido. Pode ser com um postal, uma nota de apreciação, um prato de comida favorito, uma oferta de ajuda, uma oração. Sabem qual o melhor presente que me podem dar? Dizer que oram por mim. Nada me emociona e conforta mais.

Tentamos cultivar este hábito de maior simplicidade em família, não sendo escravos de festas ou presentes mas escolhendo passeios, ou de como nos apetecer estar. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas temos feito algumas mudanças nos últimos anos. Já aconteceu convidarmos um amigo especial de um dos miúdos (ou umas amigas próximas) para passar o dia, fazermos um piquenique, ver um filme, comermos fora. Não é preciso muito mais. Evitamos mega presentes e a expectativa do dia estar debaixo disso. Criar memórias para o futuro constrói muito mais do que super embrulhos que perdem interesse em pouco tempo, atafulham quartos e promovem a ideia de abundância e felicidade estarem directamente relacionadas.

Para isto tudo, precisamos dar o exemplo e eu sou grande entusiasta de o viver (chamem-me do contra, que não me importo nada!). Deus tem-me feito a vontade e, então, nos últimos anos tem-me oferecido dias de aniversário bem sui generis. Tenho tido dias que me fazem agradecer mais os que tenho junto a mim, os que cuidam de mim e dos meus e que estão lá neste dia e nos outros todos também.

Para o que for preciso. Só assim se explica que tenham vindo parar cá a casa dois bolos, à minha medida.

08 março 2018

Abrandar


Somos educados para produzir, para pensar, para trabalhar. Vivemos a um ritmo que fica cada vez mais difícil parar e focar. Os dias são curtos, os afazeres são muitos. É aqui que vivemos, não há como fugir.

Nunca nego a possibilidade de ter um bebé no colo, e as razões são várias :

Um bebé obriga a parar. E preciso - precisamos - tanto de parar.
Sabemos, especialmente as mães mais recentes - que se não for o bebé a obrigar a parar, não o vamos fazer. O corpo ainda é jovem, há muito que fazer, e é difícil esperar. Mas precisamos abrandar e contemplar.

Um bebé treina a nossa paciência. E preciso - precisamos - tanto de exercitar a paciência. Especialmente durante a noite.
Um bebé precisa de ser ensinado a dormir. Quem nunca teve um bebé cheio de sono, mas a lutar contra ele próprio?

Um bebé no colo ensina-nos acerca do imenso amor de Deus. De como ele nos carrega, nos embala, não nos abandona e nos ensina a descansar nele. Um bebé confia como devemos confiar no nosso Pai.

Se tens a possibilidade de ter um bebé no colo, ignora a confusão ao redor, fecha os olhos e aproveita. Deus é bom em todo o tempo e delicia-se em cuidar de nós. Só precisamos abrandar e confiar.

07 março 2018

Família

Diz aquele cliché que casa é onde está o nosso coração. Digo eu que é mais: é onde estão os nossos (não existe coração sem amar alguém, certo?).

Se gosto muito de passear, gosto ainda mais de regressar. O aconchego do nosso lar em nada se compara ao conforto de muitos outros sítios. É o lugar onde desarrumamos e limpamos, nos encontramos e aborrecemos, onde adoecemos e ficamos bons.

No meu caso, é o lugar onde também me sinto segura, onde desejo ficar sem me preocupar com o que fazer ou dizer e onde vou dormir e tenho os pés quentes e um abraço. Ah, e onde acordo e não estou preocupo com a liberdade a que os meus caracóis se dão durante a noite.

06 março 2018

Ontem completei 41 anos


Ontem completei 41 anos.
Durante muito tempo fazia orações a Deus que, na verdade, não queria ver respondidas. Ou achava eu que podia ter respostas simples a pedidos complexos. Pedia-lhe que me desse mais dele, e menos de mim - a tentar contrariar o anúncio do leite matinal - mas queria continuar cheia de mim e preencher os buraquinhos vazios com ele.

Durante muito tempo comportei-me como o povo no deserto, que não satisfeito com as provas que tinha da providência divina, guardou o maná que sabia que tinha de ser consumido naquele dia, para o dia seguinte. Achava eu que era melhor ir sempre guardando um bocadinho da graça, não fosse faltar-me para o futuro. Por causa disso, não vivia suficientemente grata no presente e constantemente a interrogar-me com o futuro.

Durante quase toda a vida quis acreditar que a cruz de Cristo me seria suficiente, mas que as consequências de a aceitar poderiam ser vividas quando tivesse mais vagar e maturidade.Como quem contrai um empréstimo, usufrui do dinheiro mas só o começa a pagar mais tarde.
Deus sabia que responder a estas coisas todas implicaria tirar-me bastantes. Algumas, que eu achava serem fundamentais, não eram. Outras, que não via como dádivas, passei a apreciar. Em todo o tempo, mas especialmente nessas alturas, vejo melhor o seu amor, vivo mais a sua graça, bebo sofregamente da sua misericórdia.

As minhas orações são hoje, mais cuidadosas. Estremeço tantas vezes vezes neste caminho de obediência tropeçada.
Peço-lhe constantemente que me ajude a depender só do seu amor, e nada do reconhecimento dos outros. Ainda assim, o seu amor superabunda - também - através dos que me rodeiam.

Tenho muito que agradecer. Quero e creio que a graça de Jesus continuará a bastar-me.
Bastou ontem, basta hoje, e bastará todos os dias em que viver.

03 março 2018

Pão da vida

 "Eu sou o pão da vida; quem vem a mim jamais terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede." 
João 6:35


Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...