Mostrar mensagens com a etiqueta miss. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta miss. Mostrar todas as mensagens
02 dezembro 2019
Jardineiras
Se há coisa que tenho imenso medo é o de não saber aceitar a passagem do tempo. As redes sociais vendem-nos o produto da eterna juventude, completamente incompatível com o processo normal de envelhecimento.
Fui mãe relativamente nova (para os padrões portugueses, para os americanos nem por isso) e aos 33 anos já tinha estes 4 filhos e uns quantos problemas de saúde. Vou, agora, a caminho dos 43 e embora sinta perfeitamente que já não tenho a energia que tinha há 10 anos, em que noites mal dormidas não eram impeditivas na agenda dos dias, a verdade é que ainda me vejo como uma jovem, e às vezes são preciso algumas fotografias para confirmar aquilo que eu sinto na pele.
O tempo passa por nós e eu não sou excepção. Uma das coisas que a maturidade traz é esta capacidade de aceitação sem dramas de maior. Há roupas que deixam de fazer sentido, há maneiras de estar com que já não nos identificamos e não há crise. Sinto-me amada por Deus de uma forma que nunca senti e deposito a minha esperança no dia em que vou conhecer Jesus e me vai ser dado um novo corpo, sem dores, defeitos ou imperfeições. Vai ser maravilhoso.
Ao mesmo tempo, não me quero sentir refém e viver a desculpar-me, que é o que tantas vezes faço quando encontro alguém que já não me vê há muito tempo, ou quando os mais novos vêem fotografias minhas ("tão nova! tinhas só 20 anos!"). Há que saber aceitar que as calças de ganga não assentam da mesma maneira e nem por isso são ridículas. São o que são.
Toda esta linda conversa para dizer que eu amo jardineiras. Usei e abusei delas nos anos 90 e fiquei por aí, até porque a moda deixou de as ostentar. Aqui são muito comuns (até nos homens, coisa que não achava lá muito fixe, mas que com o tempo e camuflados vestidos, acaba por ser também uma questão de hábito). Sucumbi à Black Friday e rendi-me a estas Levi's que são muito mais giras do que se vê na foto. Não me ficam iguais como nos anos 90, mas eu gosto tanto delas que aproveitei a liberdade que sinto que aprendi aqui deste lado do oceano para as trazer. A liberdade de aceitar e ser. Oceano Atlântico, não me engulas esta sensação, por favor.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Salmos 121 na ponta da língua
. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...
-
O Verão passado foi o primeiro da minha vida que não mergulhei no mar salgado. Hoje olhei-me ao espelho e descubro que estou como vim ao Mun...
-
O pai da Maria escreve melhor que os outros todos (e nós temos muito orgulho)Pai à deriva Ter filhos é descer um degrau na escada da qualidade de vida. Talvez por isso as pessoas hoje, que são mais felizes que antigam...
