Aqui há uns dias, a ideia voltou, porque me pus a pensar em coisas que me ajudassem a parar, a meditar no meio de toda a correria que agora se avizinha. Depois de uns vídeos no Youtube e uma ida ao armazém, comecei o projecto simples de uma mantinha às riscas. As mãos depressa ganharam memória, deixando livre a minha mente para pensar, descontrair, orar, recitar os textos que sei de cor e propor-me a novos. É a conjugação perfeita, agora que sentar-me no sofá não é correr o risco de ter a casa a pegar fogo, noutra divisão.
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01 janeiro 2020
Tricotar rima com orar, decorar e recitar
Aqui há uns anos, ao meu redor pela família e amigas, instalava-se uma febre de crochês e tricôs à qual eu, mãe quase desesperada entre fraldas, birras, caos, escapei sem fraquejar. Nada em mim se deliciava ao ver crescer as linhas, a minha disponibilidade para essas lides era nenhum. Não era claramente a altura para mim, e essa foi uma das lições que fui aprendendo com a maternidade: há um tempo para tudo, e aquele não era o meu tempo.
Aqui há uns dias, a ideia voltou, porque me pus a pensar em coisas que me ajudassem a parar, a meditar no meio de toda a correria que agora se avizinha. Depois de uns vídeos no Youtube e uma ida ao armazém, comecei o projecto simples de uma mantinha às riscas. As mãos depressa ganharam memória, deixando livre a minha mente para pensar, descontrair, orar, recitar os textos que sei de cor e propor-me a novos. É a conjugação perfeita, agora que sentar-me no sofá não é correr o risco de ter a casa a pegar fogo, noutra divisão.
Para a semana recomeçamos a escola e o horário aperta. O desafio será saber parar com um propósito, sempre que o relógio permita, não sucumbindo a distracções.
Aqui há uns dias, a ideia voltou, porque me pus a pensar em coisas que me ajudassem a parar, a meditar no meio de toda a correria que agora se avizinha. Depois de uns vídeos no Youtube e uma ida ao armazém, comecei o projecto simples de uma mantinha às riscas. As mãos depressa ganharam memória, deixando livre a minha mente para pensar, descontrair, orar, recitar os textos que sei de cor e propor-me a novos. É a conjugação perfeita, agora que sentar-me no sofá não é correr o risco de ter a casa a pegar fogo, noutra divisão.
19 dezembro 2019
04 janeiro 2019
Esta noite dormi mal
Aqui há uns tempos cometi a ousadia de comentar, na presença de jovens mães, que não tinha passado bem a noite.
"Duvido que esteja aqui alguém que tenha dormido bem a noite." - foi a resposta pronta.
Num pequeno instante, as reacções saltaram. Como pipocas.
E foi assim que me calei quase instantaneamente, porque me senti a provar do meu próprio veneno. De nada valia a pena explicar a estas mães que eu vivi durante largos anos um estado zombie, que sei muito bem o que é estar no limite das minhas forças e paciência, que vivi vários internamentos de filhos, que também sei o que é estar eu mesma doente e ter filhos doentes, que sei o que é ter o pai ausente e ter de acudir a vários colos de pequeninos... enfim.
O que eu experimentei naquele dia, razão pela qual me calei no imediato, foi aquilo que eu acreditei durante muito tempo, e ainda hoje é uma tendência para mim em muitas áreas: acharmos que aquilo que nós vivemos é mais difícil do que os outros vivem.
Não foram poucas as vezes, que perante uma mãe de filho único a queixar-se, eu tinha a resposta presente: "era tudo tão fácil quando tinha só um". Ou quando uma mãe se lamentava de uma bronquiolite, eu pensava: "sei o que são bronquiolites há meses seguidos". Quando alguém dizia que era impossível ir às compras com os filhos, eu dava uma gargalhada cínica: "Nunca deixei de ir às compras com filhos atrás". Podia continuar o chorrilho de respostas que me tornavam a maior mártir da história da maternidade.
Ainda hoje caio facilmente neste tipo de julgamentos. Quando alguém se queixa de algo, minimizar a queixa (nem que seja em pensamento); ou também, ao contrário: quando alguém faz algo visto como extraordinário, desvalorizar esse esforço lembrando as inúmeras pessoas algures na história da humanidade que fizeram igual ou melhor (eu, incluída).
Este tipo de pensamentos não são nada bons, e muito menos cristãos - falo por experiência própria. Alimentam as nossas fraquezas. Se tendemos para a auto-comiseração, aumentam-na. Se tendemos para o ressentimento, alimentamos esse ressentimento. E por diante.
Outro dos perigos é resguardarmo-nos em conversas com "pessoas que nos compreendem". Se por um lado é bom falar com pessoas que estão na mesma fase ou a passar pelo mesmo desafio, por outro isso convence-nos que só essas pessoas sabem das nossas lutas e nos podem ajudar.
Descobri que ver em perspectiva é sempre uma boa opção. Darmo-nos o benefício da dúvida. A história do copo meio cheio ou meio vazio. Claro que uma mãe que está privada de sono sabe que esta fase não durará o resto da vida e não encontra grande conforto no: "Isso vai passar". Pode, até, ficar irritada com o "Ainda vais ter saudades". Mas alargar a visão e buscar ouvir não só o que nos conforta ou agrada, pode parecer um contra senso, mas tenho aprendido que ajuda a olhar além de nós.
Experimento, há alguns anos, a presença de amigas que desejariam muito ter uma noite mal dormida. Mas não conseguem por nada engravidar. Foi com elas que aprendi a refrear os meus queixumes, numa primeira fase. O poder que um olhar triste e desejoso de ter esse tipo de angústias teve no modo de me expressar acerca dos meus dramas, foi muito grande. Já viram ou partilharam as lágrimas de alguém que vive infertilidade? Experimentem.
Desde aquele dia que peço ainda mais ajuda a Deus para me calar. Para me ajudar a reagir com amor, com compreensão e sem julgamento. Para que haja lugar a um desabafo (eu tinha mesmo dormido mal aquela noite graças a uma enxaqueca com aura), porque acredito no poder aliviador de um fardo. Às vezes, o silêncio é a melhor compreensão. Outras vezes, "vais conseguir ultrapassar, sei o que isso é", e ainda outras: "nunca passei por isso, mas lamento muito" e sempre: "Vou orar por ti".
Imagens retiradas daqui.
"Duvido que esteja aqui alguém que tenha dormido bem a noite." - foi a resposta pronta.
Num pequeno instante, as reacções saltaram. Como pipocas.
E foi assim que me calei quase instantaneamente, porque me senti a provar do meu próprio veneno. De nada valia a pena explicar a estas mães que eu vivi durante largos anos um estado zombie, que sei muito bem o que é estar no limite das minhas forças e paciência, que vivi vários internamentos de filhos, que também sei o que é estar eu mesma doente e ter filhos doentes, que sei o que é ter o pai ausente e ter de acudir a vários colos de pequeninos... enfim.
O que eu experimentei naquele dia, razão pela qual me calei no imediato, foi aquilo que eu acreditei durante muito tempo, e ainda hoje é uma tendência para mim em muitas áreas: acharmos que aquilo que nós vivemos é mais difícil do que os outros vivem.
Não foram poucas as vezes, que perante uma mãe de filho único a queixar-se, eu tinha a resposta presente: "era tudo tão fácil quando tinha só um". Ou quando uma mãe se lamentava de uma bronquiolite, eu pensava: "sei o que são bronquiolites há meses seguidos". Quando alguém dizia que era impossível ir às compras com os filhos, eu dava uma gargalhada cínica: "Nunca deixei de ir às compras com filhos atrás". Podia continuar o chorrilho de respostas que me tornavam a maior mártir da história da maternidade.
Ainda hoje caio facilmente neste tipo de julgamentos. Quando alguém se queixa de algo, minimizar a queixa (nem que seja em pensamento); ou também, ao contrário: quando alguém faz algo visto como extraordinário, desvalorizar esse esforço lembrando as inúmeras pessoas algures na história da humanidade que fizeram igual ou melhor (eu, incluída).
Este tipo de pensamentos não são nada bons, e muito menos cristãos - falo por experiência própria. Alimentam as nossas fraquezas. Se tendemos para a auto-comiseração, aumentam-na. Se tendemos para o ressentimento, alimentamos esse ressentimento. E por diante.
Outro dos perigos é resguardarmo-nos em conversas com "pessoas que nos compreendem". Se por um lado é bom falar com pessoas que estão na mesma fase ou a passar pelo mesmo desafio, por outro isso convence-nos que só essas pessoas sabem das nossas lutas e nos podem ajudar.
Descobri que ver em perspectiva é sempre uma boa opção. Darmo-nos o benefício da dúvida. A história do copo meio cheio ou meio vazio. Claro que uma mãe que está privada de sono sabe que esta fase não durará o resto da vida e não encontra grande conforto no: "Isso vai passar". Pode, até, ficar irritada com o "Ainda vais ter saudades". Mas alargar a visão e buscar ouvir não só o que nos conforta ou agrada, pode parecer um contra senso, mas tenho aprendido que ajuda a olhar além de nós.
Experimento, há alguns anos, a presença de amigas que desejariam muito ter uma noite mal dormida. Mas não conseguem por nada engravidar. Foi com elas que aprendi a refrear os meus queixumes, numa primeira fase. O poder que um olhar triste e desejoso de ter esse tipo de angústias teve no modo de me expressar acerca dos meus dramas, foi muito grande. Já viram ou partilharam as lágrimas de alguém que vive infertilidade? Experimentem.
Desde aquele dia que peço ainda mais ajuda a Deus para me calar. Para me ajudar a reagir com amor, com compreensão e sem julgamento. Para que haja lugar a um desabafo (eu tinha mesmo dormido mal aquela noite graças a uma enxaqueca com aura), porque acredito no poder aliviador de um fardo. Às vezes, o silêncio é a melhor compreensão. Outras vezes, "vais conseguir ultrapassar, sei o que isso é", e ainda outras: "nunca passei por isso, mas lamento muito" e sempre: "Vou orar por ti".
"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria,
não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira
facilmente, não guarda rancor."
Imagens retiradas daqui.
08 outubro 2018
2018/2019
O ano lectivo começou há três semanas. Não tem sido fácil arrancar. Gostava de ser daquelas mães desejosas que a
escola comece e que o despertador passe a tocar, mas não sou! Gosto
muito da liberdade dos dias em que eles estão em casa sempre, mesmo que
isso implique estarmos o tempo todo juntos.
Entre manuais guardados, bibliotecas e amigos, conseguimos grande parte dos manuais para este ano e isso foi um encorajamento (pagar 857€ ia ser complicado, mas Deus sabe das nossas necessidades!). O tempo começa a esfriar e não tarda estamos a dar as voltas aos roupeiros e a comer castanhas com mantas no sofá. E isso agrada-me!
Entre manuais guardados, bibliotecas e amigos, conseguimos grande parte dos manuais para este ano e isso foi um encorajamento (pagar 857€ ia ser complicado, mas Deus sabe das nossas necessidades!). O tempo começa a esfriar e não tarda estamos a dar as voltas aos roupeiros e a comer castanhas com mantas no sofá. E isso agrada-me!
25 abril 2018
16 abril 2018
Chama-as pelo seu nome
No Salmo 147 diz que Deus conta as estrelas e as chama pelo seu nome. Como é que eu tenho a ousadia de me preocupar com o dia de amanhã, fazendo-me de esquecida que tudo - TUDO - o que vai acontecer Deus já planeou e vai ser executado ao mínimo pormenor?
08 março 2018
Abrandar
Nunca nego a possibilidade de ter um bebé no colo, e as razões são várias :
Um bebé obriga a parar. E preciso - precisamos - tanto de parar.
Sabemos, especialmente as mães mais recentes - que se não for o bebé a obrigar a parar, não o vamos fazer. O corpo ainda é jovem, há muito que fazer, e é difícil esperar. Mas precisamos abrandar e contemplar.
Um bebé treina a nossa paciência. E preciso - precisamos - tanto de exercitar a paciência. Especialmente durante a noite.
Um bebé precisa de ser ensinado a dormir. Quem nunca teve um bebé cheio de sono, mas a lutar contra ele próprio?
Um bebé no colo ensina-nos acerca do imenso amor de Deus. De como ele nos carrega, nos embala, não nos abandona e nos ensina a descansar nele. Um bebé confia como devemos confiar no nosso Pai.
Se tens a possibilidade de ter um bebé no colo, ignora a confusão ao redor, fecha os olhos e aproveita. Deus é bom em todo o tempo e delicia-se em cuidar de nós. Só precisamos abrandar e confiar.
26 janeiro 2018
Primaveeeeraaa...
A minha irmã sabe que eu tenho uma paixão por tulipas. Estão no meu top 5 de flores.Gosto muito da primavera, é a minha estação do ano favorita. Deve ser porque não sofro de alergias, dirão alguns amigos. Pois pode ser. Mas gosto dos dias maiores, do sol que dispensa sobretudos, das cores que começam a brotar.
Este ano há muitos bebés doentes, e este inverno está muito esquisito. Já não há estações como antigamente, dirão os mais velhos. Pois não. Mas ainda assim, anseio por este chegar de tempo novo, ainda que incerto,por vírus enviados para nenhures e por piqueniques. As tulipas que a minha irmã me ofereceu dizem o mesmo.
15 janeiro 2018
Copo meio cheio.
Há uns meses, o pai tentava relativizar um drama desnecessário de uma filha acerca de visão, dando o exemplo do Joaquim.
"O teu irmão praticamente não vê de um olho, e nunca o ouvi queixar-se".
Depois, pedia ao Joaquim para tapar o "olho bom" e dizer o que não conseguia ver. Era muito. Enquanto se explicava, o Joaquim dizia:"Não há problema, já estou habituado. Depois, abro o outro e vejo um bocado melhor, até ali. Por mim não faz mal, desde que eu veja bem, está tudo bem".
( Lembrava-me da quantidade de vezes que se magoou em mais pequenino, ou até da quantidade de vezes que ainda hoje passa por um desastrado apenas, ou até do dia em que descobrimos que andávamos a ver filmes 3D e ele não vê 3D, e se lhe perguntarmos ele continua a garantir que até conseguia ver bem.)
Desde esse dia, recordo muitas vezes esta constante forma de estar do Joaquim, que tanto tem para me ensinar, acerca de como escolho focar-me nas desilusões ou nas bênçãos. Que Deus sempre lhe aumente esta capacidade de viver agradecido com o que Deus lhe dá e faça comigo o mesmo.
(Lembrar-me constantemente que, para o Joaquim, o que conta são os 100% que vê do olho esquerdo, e não os 10% que vê do direito. O copo meio cheio, sempre. )
02 novembro 2017
!
O tempo existe para
nos lembrar que não somos omnipresentes. Que dizer "sim" implica muitas
das vezes ter de dizer "não". Somos limitados, não conseguimos fazer
tudo o que gostaríamos (e ainda bem!). Tudo o que está planeado, Deus
fará acontecer. Estarmos disponíveis para este plano não é
necessariamente estarmos sempre disponíveis para tudo. É esta, talvez, a
maior lição que tenho aprendido em 2017.
18 outubro 2017
Impiedoso, o tempo.
O ano lectivo começou há precisamente um mês. Plastificámos dezenas de manuais, fizemos planeamentos, desenhámos estratégias para que estes meses que se seguem sejam combatidos e vividos sempre de melhor forma. Custou ter o despertador a tocar novamente às 6h50, pegar em sacos e saquinhos, viagens constantes. O calor só agora começa a desaparecer, depois de vermos grande parte do nosso país (novamente) a arder.
Gostava de vos contar como foi o nosso Verão, entre férias e compromissos fora de Portugal. Vamos ver se consigo passar para escrito aquilo que gostava de nunca me esquecer. Só não sei por onde começar.
03 junho 2016
02 junho 2016
Nos meus sonhos
regresso das compras de costas direitas e compras na cabeça. Efeitos de todas as semanas andar pela linha de Sintra, provavelmente. Mas há uma harmonia e até uma concentração quase perfeita de quem carrega as coisas desta maneira.
16 março 2016
Não há nada tão tóxico como a comparação
Não há nada que nos derrube mais do que a comparação.
Não a queremos fazer, mas fazemos. E quando nascem os filhos é que são elas. Começamos pelas parecenças físicas e depois encaminhamo-nos para encontrar explicações de todos os tipos de defeitos e qualidades. Se não é ao pai que sai naquele defeito, será certamente à mãe, ou ao avô, à avó, ao tio e à tia.
Damos connosco a querer encontrar tantas vezes explicações, maravilhados que ficamos com talentos deles: "Mas de onde vem isto?" e a suavizar aquilo com que não sabemos lidar com um: "Mas o pai quando era novo também era assim". Crescemos a tentar encontrar um legado genético que nos explique enquanto pessoas, e a estar destinados a ser igual a este ou aquele; ou até pode ser que não, que as oportunidades hoje são outras.
As comparações, justificações e outras coisas acabadas em "ões" só servem para teorizar e esquecer que Deus tem um plano para cada um. Um plano que vai muito além da carga genética, da educação, das circunstâncias sociais, dos traumas. E não há nada mais libertador do que isto. Não sermos escravos dos genes ou do ambiente.
A comparação de nada serve. Na verdade, só destrói.
03 março 2016
Olá e adeus, Fevereiro!
Não sei como foi esta história do mês de Fevereiro, mas para mim foi uma espécie de olá e adeus.
- Fotos tiradas com o telemóvel.-
- Fotos tiradas com o telemóvel.-
01 março 2016
Ver mais.
Sempre que não tenho vontade de estar em algum lugar onde me chamam a estar - pelo facto de não me ir sentir à vontade ou não saber com o que posso contar - lembro-me de algumas pessoas por quem tenho admiração e que, apesar das suas dificuldades de feitio fazem o esforço de se contrariar. Por isso, muitas das coisas que faço não são coisas que eu deseje mas que têm de ser. No final, nem sempre existe a sensação de ter valido a pena, mas existe o sentido de ter feito aquilo que era chamada a fazer.
Dou comigo, muitas vezes, fora do meu habitat. Fora das conversas que me deixam confortável, fora da forma de estar, fora de qualquer empatia. Penso sempre para mim que não desejo dizer nada que não deva, só numa de simpatia (porque é horrível acedermos a dizer coisas só para nos enturmarmos) e cada vez lido melhor com o silêncio.
Não há muitos dias, numa situação dessas, dei comigo sem ter como acrescentar a uma conversa que me deixava particularmente desconfortável. Apercebi-me que a qualquer momento poderia ser confrontada com uma pergunta directa acerca de coisas acessórias, o que me ia deixar bastante desenquadrada. Não aconteceu. Suspirei de alívio. Mas numa conversa que não era sobre coisas importantes, apercebi-me de como é fácil não vermos além daquilo que é o nosso habitat. Além do nosso umbigo. Não ver mais do que o nosso jardim. Que me sirva de lição quando estiver no meu... habitat.
29 fevereiro 2016
No meio do rebuliço
Deviam ser umas 7h30. Frio. Uma confusão pegada para a semana que começa. Um sem fim de coisas para fazer. Mas consegui parar e pegar na máquina. O sol invadia insistentemente os quartos e corredor, e lembrava-me de como nos precisamos contrariar nesta correria e inevitabilidade dos dias.
16 fevereiro 2016
Menos.
Passaria ao lado, se na etiqueta o preço não fosse quase dado (saldos a 80% de uma loja já por si barata). Depois de perceber o conforto, estudámos (eu e as miúdas) possibilidades de minimização.
E assim foi:
E assim foi:
28 janeiro 2016
Stop.
Poderia dizer que não me custa rigorosamente nada acordar pelas 6h50, mesmo quando me deito pelas 22h. Mentiria. Também poderia dizer que gosto de conduzir e que por isso levar e trazer miúdos, ir ali, voltar acolá não me cansa. Mas cansa bastante. Também ficaria muito bem dizer que a serenidade é uma característica que me acompanha de manhã à noite a que poucas vezes perco a paciência. Errado.
Mas ainda assim, parando e pensando, sei que cada dia que coloco os pés fora da cama e é mais um dia destes, cheio de tanta coisa, é um dia que Deus nos dá. E no caminho que me cansa, nos momentos em que perco a paciência, quase sempre é só olhar em frente para ser constantemente relembrada disso.
Fotos tiradas com o telemóvel.
Mas ainda assim, parando e pensando, sei que cada dia que coloco os pés fora da cama e é mais um dia destes, cheio de tanta coisa, é um dia que Deus nos dá. E no caminho que me cansa, nos momentos em que perco a paciência, quase sempre é só olhar em frente para ser constantemente relembrada disso.
Fotos tiradas com o telemóvel.
29 dezembro 2015
Ilusões.
Geralmente por estes dias tenho sentimentos contraditórios. As férias escolares parecem-me sempre demasiado curtas e anseio que os dias estiquem. Por outro lado, quem trabalha em casa sabe da pressão implícita que há quando temos trabalho à espera. Avisamos que estamos a meio gás, mas sabemos que Janeiro está mesmo ali ao virar da esquina, implacável a exigir-nos que arranquemos logo em quinta, quando ainda nos sentimos em ponto morto. Na verdade, acabámos agora mesmo de parar, depois de tanto que se fez antes e durante o natal.
Tenho, também, sentimentos ambíguos com os frutos secos e a árvore. A árvore já não tem bebés que a desmanchem, nem gatos a atacá-la (a velhice é muito visível na nossa pequena felina). Mas tem ramos tortos que já não me dou ao trabalho de endireitar (secretamente conto os dias que faltam para ter de a enrolar novamente em película).
Mas também é nesta desarmonia final que ela fica mais rica, com os postais que nos chegaram entretanto, nas fotos dos nossos queridos. Tranquilamente aceito esta imperfeição, que as fotos não demonstram, pois claro.
De qualquer das formas ninguém acredita que a vida é como no Pinterest, pois não?
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