30 julho 2015
Campo Caravela
Voltei lá. Não dei logo com a estrada para o canal. Afinal, o último ano em que lá estive foi em 90. Fechou portas pouco depois. Quando cheguei, albergava a esperança de lá poder entrar. Não deu. Muitos arbustos, portão fechado a cadeado, a suspeita de animais por ali, fiquei ao longe a observar um cenário de meter dó.
Fui muito feliz aqui.
As manhãs faziam-se no pinhal, e entre histórias e concursos bíblicos (ah, como eu gostava de competir em destreza bíblica), o final da manhã acabava na praia. A caminhada era feita a cantar, e o regresso era corrido, na recta final: os primeiros a chegar apanhavam a água do duche quente, por causa do sol. Três dos banheiros não tinham tecto, e era com as árvores por cima, caruma a cair, que se tomava banho. Os quartos eram meticulosamente arrumados, para posterior avaliação e concurso, e junto às portas de entrada decorávamos o chão com frases ou versículos bíblicos escritos com pinhas e pedras. Depois do almoço, o bar abria, com a sua janela a fazer de alpendre. Os chocolates eram alinhados, e o meu preferido era o "Coma com pão". As tardes tinham desporto e actividades manuais (muito gesso moldei eu). Foi ali que ganhei o gosto por andar de baloiço. As meninas ficavam nas quatro casas do lado esquerdo, os rapazes nas outras quatro do lado direito. A distribuição era feita por idades.
À noite, depois de empilhadas as mesas de refeição, a sala virava ponto de encontro, junto da lareira. Com mesas ao alto, encenavam-se teatros. Noite escura, sem electricidade nas casas, dirigíamo-nos a uma casinha pequena para apanhar os candeeiros acabados de acender. Sentadas no chão do quarto, à luz fraca, trocávamos os últimos pensamentos do dia e orações. Algumas noites tinham caças aos gambuzinos e outras partidas semelhantes. Na última noite, descíamos em direcção à praia, com sacos-cama e cobertores, e lá fazíamos a reunião com o calor da fogueira acabada de acender. Choravam-se lágrimas de despedida, depois de 10 intensos dias no Caravela.
Foi aqui que algumas histórias bíblicas ganharam outra vida. Deus falou comigo neste sítio especial, e por isso não foi só mais um lugar bonito em que tive o privilégio de passar férias. Foi um sítio onde firmei convicções, alicercei amizades, coloquei questões, recebi algumas respostas e cresci. São boas as memórias.
♥
Aquele instante em que se apercebe que falta um dia para o Infantário fechar para férias, e diz com uma ponta de emoção: "Vou ter saudades da Magda e da São".
29 julho 2015
28 julho 2015
Comemorar a dois.
13 anos já mereciam mais do que um jantar fora e cinema. E, por isso, fomos uns dias pela Costa Vicentina, onde é difícil não ficar de queixo caído com tanta beleza.
Começando pela Praia da Galé,
dizendo olá a Sines,
e respirando Melides.
Começando pela Praia da Galé,
continuando pela Ilha do Pessegueiro,
nunca esquecendo Porto Covo,
passeando por Milfontes,
pernoitando por ali,
e respirando Melides.
23 julho 2015
13 anos.
Há 13 anos, no dia 20 de Julho de 2002, ele oferecia-me o nome dele. Eu aceitei. Mal saberia eu que este gesto, acrescentar algo à ordem natural do nome que os meus pais me colocaram, seria um bom prenúncio de toda uma nova vida que estaria a chegar. Foi-me adicionado um nome que não apagaria nada do que até aos 25 anos fui, mas que simbolicamente traduziria o facto de me tornar uma só pessoa com outra: é uma nova vida que começa. O casamento torna-nos pessoas novas. Sim, o casamento transforma-nos. Nos dias bons, nos dias menos bons, nos dias péssimos. Nunca esquecendo que prometemos amar-nos quer estejamos saudáveis, quer estejamos doentes. Ricos ou pobres. Alegres ou deprimidos.
Até que a morte nos separe.
17 julho 2015
Pessoas
Lá em cima no Arco, pensava na natureza humana. De como nos espantamos com o mal a que assistimos, porque simplesmente nos dissociamos dele. Chocarmo-nos com o mal alheio é não termos noção de que, debaixo de variadas circunstâncias e sem a ajuda de Deus, provavelmente faríamos igual. A natureza humana é pecaminosa, portanto deveríamos reservar o nosso espanto para quando o bem acontece.
13 julho 2015
Cenas à Joaquim
Sei que o que chama mais à atenção neste desenho, é o hilariante protesto de querer tratar os pais pelo nome próprio (coisa que ele nunca verbalizou, que me recorde). Mas o que me deixa enternecida é o pequeno pormenor de, ao escrever o nome completo dele, apontar para o respectivo pai a origem do apelido. Este miúdo só é despassarado no que quer.
09 julho 2015
Fazer família.
Lia um texto da Ann Voskamp que sintetizava mais ou menos isto:
"Família é um verbo. Família não é apenas o que somos, é algo que fazemos continuamente.
Cada vez que tiramos tempo uns para os outros, fazemos família.
Sim, e quando fazemos coisas difíceis uns pelos outros, a cada dia- nós construímos família."
"Família é um verbo. Família não é apenas o que somos, é algo que fazemos continuamente.
Cada vez que tiramos tempo uns para os outros, fazemos família.
Sim, e quando fazemos coisas difíceis uns pelos outros, a cada dia- nós construímos família."
Confiar
é, talvez, o verbo mais difícil de toda a vida cristã. Confiar que estará sempre tudo bem, independentemente do desfecho final. Foi o que me lembrou este estendal em plena baixa de Faro.
07 julho 2015
Joaquim, 7 anos e meio
"Afinal não vou ser polícia nem bombeiro, porque eles trabalham ao domingo. Vou ser cientista e inventar uma pastilha elástica que nunca perde o sabor."
06 julho 2015
Ainda a ilha da Armona - O mar.
Apanhámos uma temperatura do mar para lá de maravilhosa. Estava mesmo perfeita. Depois de largos anos em que os nossos banhos e estadia na praia estavam bastante limitadas por bebés e crianças muito pequenas, chegámos a uma fase em que cada um carrega as suas próprias coisas, vão e regressam do mar sem precisar de mais nada a não ser olhos atentos, e nós podemos mergulhar sem ter de ir a correr estender uma toalha ou impedir que alguém coma areia em doses industriais. Resumindo: foram dias de praia muito bons. Cheguei mesmo a regressar para casa sem nada que carregar, de mãos a abanar. Alguém acredita?
01 julho 2015
Numa ilha chamada Armona
Fomos de férias e desligámos. Os telemóveis estiveram em modo vôo, excepto por pequenos períodos do dia, computador nem vê-lo, e a única televisão existente nunca foi ligada. Andámos a maior parte do tempo com os pés descalços na areia e as quatro mudas de roupa que levámos para cada um foram um exagero. Na Armona, o dress code oficial chama-se fato-de-banho, seja a que hora for.
Não há carros, e talvez por isso, os aviões que passavam bem ao longe e que quase não deixavam ruído, nos chamavam tanto a atenção. Todos os dias chegam pessoas novas de barco, que se espalham algures pela ilha, que tanto tem praia de mar como de ria ( de manhã caminhávamos até ao mar, à tarde mergulhávamos na ria), havendo espaço de sobra para todos.
Fizemos amigos, comemos peixe grelhado, muitas saladas e os dias foram longos e descansados. As fotografias abaixo não têm qualquer filtro nem tratamento. A Armona não precisa disso.
Não há carros, e talvez por isso, os aviões que passavam bem ao longe e que quase não deixavam ruído, nos chamavam tanto a atenção. Todos os dias chegam pessoas novas de barco, que se espalham algures pela ilha, que tanto tem praia de mar como de ria ( de manhã caminhávamos até ao mar, à tarde mergulhávamos na ria), havendo espaço de sobra para todos.
Fizemos amigos, comemos peixe grelhado, muitas saladas e os dias foram longos e descansados. As fotografias abaixo não têm qualquer filtro nem tratamento. A Armona não precisa disso.
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