10 janeiro 2020

Salmos 121 na ponta da língua

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A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportunidades para memorizar e nos enchermos da Palavra de Deus. É tentar aproveitar todos os buraquinhos que existem, porque sei que Deus fala quando eu leio o que ele deixou escrito, sei que ele comunica quando eu volto a dizer uma e outra vez. Deus só está em silêncio para aqueles que não o buscam através da sua Palavra. E eu quero ouvi-lo diariamente.

08 janeiro 2020

O sabático começou há um ano.

Foi há um ano que esta decisão foi tomada.

Era comum o assunto do sabático vir às nossas conversas, desde 2017.
"O que nós estamos a precisar é de uma pausa", "A ideia do sabático faz todo o sentido no ministério pastoral", e outras frases que nós nos dizíamos mas também ouvíamos de amigos de fora do país, com experiências semelhantes.

Contudo, a ideia parecia-nos inconcebível a vários níveis. Na verdade, sobreviver tornou-se o nosso verbo comum desde 2017. Exaustos, sobrecarregados, a viver um dia de cada vez, continuando. E isto foi possível porque Deus foi sempre quem nos animou. Pelo meio, os sonhos permaneciam e continuámos a trabalhar com amor aos outros, com paixão pelo Reino, com o desejo de novos projectos. Coisas bonitas aconteceram porque era Deus quem as fazia acontecer na nossa cabeça e prosseguíamos. Neste processo, apercebemo-nos que o nosso desgaste colocava em perigo aquilo que sabíamos com certeza de que não era a vontade de Deus: sair daqui e partir numa nova aventura. O desejo de alívio poderia fazer com que tomássemos decisões erradas e decidíssemos partir para não mais voltar Não queríamos que isso acontecesse porque sabíamos que isso era desobedecer.
Sentíamos que o nosso amor aos outros e ao nosso trabalho começava a ficar toldado por dores que nunca tínhamos chorado, por uma falta de paciência crescente, por puro cansaço. Precisávamos ser aliviados e sair temporariamente para permanecer.

Recordo-me do dia em que o Tiago afirmou, como nunca: "É desta, precisamos mesmo de um sabático", e recordo-me também do meu alívio interno quando ouvi essa frase com uma força como nunca antes. O alívio veio porque no meu íntimo eu desejava o sabático mas tinha feito o compromisso comigo de não o tornar a mencionar, desde umas largas semanas antes. Tinha decidido para mim que se fosse da vontade de Deus, ele iria acontecer apenas e só com a afirmação do Tiago.

E assim foi. Nesse dia eu tive certeza absoluta que Deus nos ia dar um sabático e que era mesmo da sua vontade (e não apenas da minha). As incertezas eram muitas: a reacção dos outros, o apoio ou falta dele, a nossa substituição, o traçar de um plano de saída, e claro: o sustento.
Digamos que não foi um processo linear ou simples, e os meses até ao sabático foram piores do que os meses antes desta tomada de decisão. Uma família emocional e fisicamente cansada a tentar encontrar um consenso para um plano de descanso foi um desafio daqueles (podemos mais tarde escrever um manual: "O que não fazer na preparação de um sabático") mas conseguimos.

Hoje vejo ainda melhor como o Espírito de Deus se move e como ele trabalha em cada um de nós. Deus fala connosco de muitas maneiras e confirma o seu propósito de outras tantas. Precisamos estar atentos à sua voz e nunca - mas NUNCA - desprezar aquilo que Deus nos instrui a fazer.
Mesmo que numa primeira fase pareça que estamos sozinhos. Não estamos.

07 janeiro 2020

Recomeços

Recomeçando, deste lado de cá. Entregando a Deus todas as minhas expectativas, segura de que é ele quem toma conta de tudo, e está connosco em todos os momentos.

04 janeiro 2020


Começámos o ano a ir ao Porto a um funeral. Quando entrava no cemitério na zona de Águas Santas, cheio de imagens e decorações duvidosas, tão diferente deste cemitério que visitámos em Vicksburg, pensava nas vezes que tive de enfrentar esta despedida sem a esperança da eternidade.

 Já disse adeus a pessoas que amava, sem certeza de que um dia as vou encontrar. São ainda alguns os momentos em que me pesa a leveza desses anos em jovem, em que lidei com alguma normalidade com o facto de nem todos acreditarem no mesmo Deus que eu, e pouco fazer para transmitir a urgência de crer.

Neste funeral, num dia cinzento, carregado e num ambiente de profunda tristeza, agradecia a Deus por ver que a família que agora se despede, pode ter a esperança de um reencontro. Pode recordar quem parte com uma herança e um legado, tendo acompanhado o seu querido num ambiente de fé e confiança em Deus.

 Não sei quando posso eu ficar numa circunstância de doença e morte eminente, mas recordo deste testemunho, e de tantos outros, de pessoas que no seu leito de dor, sofrimento e morte dependeram do que conheciam da Palavra de Deus para ganhar ânimo para aguentar. Pessoas que a sofrer pedem que lhes cantem os hinos que falam da grandeza de Deus. Pessoas que em estados intermitentes de consciência, citam os versículos que uma vez decoraram. Pessoas que, na sua saúde, se alimentaram de tal forma da Palavra de Deus, que quando se encontram na fraqueza, é dela que se continuam a alimentar.

Tendo começado o ano de uma maneira triste, esta é a altura de lembrar que é tempo de amealhar, para mim. É tempo de beber e comer da Palavra, enquanto a saúde existe e as dificuldades maiores não surgem, é tempo de fazer como as formigas : guardar durante o bom tempo para ter stock para o mau tempo. É tempo de me encher e transbordar para os outros. É tempo.

Descubra as diferenças, 2010 - 2020

Origem desta manta aqui.

01 janeiro 2020

Tricotar rima com orar, decorar e recitar

Aqui há uns anos, ao meu redor pela família e amigas, instalava-se uma febre de crochês e tricôs à qual eu, mãe quase desesperada entre fraldas, birras, caos, escapei sem fraquejar. Nada em mim se deliciava ao ver crescer as linhas, a minha disponibilidade para essas lides era nenhum. Não era claramente a altura para mim, e essa foi uma das lições que fui aprendendo com a maternidade: há um tempo para tudo, e aquele não era o meu tempo.

Aqui há uns dias, a ideia voltou, porque me pus a pensar em coisas que me ajudassem a parar, a meditar no meio de toda a correria que agora se avizinha. Depois de uns vídeos no Youtube e uma ida ao armazém, comecei o projecto simples de uma mantinha às riscas. As mãos depressa ganharam memória, deixando livre a minha mente para pensar, descontrair, orar, recitar os textos que sei de cor e propor-me a novos. É a conjugação perfeita, agora que sentar-me no sofá não é correr o risco de ter a casa a pegar fogo, noutra divisão.


Para a semana recomeçamos a escola e o horário aperta. O desafio será saber parar com um propósito, sempre que o relógio permita, não sucumbindo a distracções.

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...