30 novembro 2019

Barriga cheia de ovos

Uma coisa é certa : nunca comemos tantos ovos como nestes quatro meses e meio. Vamos sentir falta de os lavar, de apreciar o seu sabor e cor viva.

Thanksgiving

Sim, os bichos expostos foram reais. Sem comentários.

Caminhamos juntos

Aqui, fomos meros desconhecidos durante 4 meses e meio. Aqui aprendemos o valor do silêncio, da incógnita, da ausência. Aqui encontrámos um amor de Deus que nunca antes experimentámos e foi neste compasso que vimos ainda mais claramente aquilo que somos chamados a fazer ao nosso redor em Portugal.

A nossa vocação enquanto família passa por escrever, cantar, tocar, ensinar. Queremos honrar cada vez mais os talentos que Deus nos dá, com humildade e coragem. Caminhamos juntos com o Senhor Deus a guiar-nos e isso é o que nos sustém, anima, encoraja, empurra. Hoje é o nosso último sábado por aqui. Faltam 9 dias. N-O-V-E.


Dar uma volta

O conceito "vamos dar uma volta" não existe aqui. Quanto muito, se estás a caminhar, tens de ter o objectivo de fazer exercício. Caminhar só porque sim é algo muito estranho. Isso nota-se na forma como somos olhados pelos vizinhos ou até pela ausência de pedidos de desculpa quando apanhamos sustos de morrer e temos cães à solta a correr e ladrar na nossa direcção (imaginem dois boxers a cavalgar e a ladrar e nós sem sabermos se quando pararem vão acalmar). Os donos chamam os cães com a maior tranquilidade possível, ignorando a nossa presença, como que afirmando: "mas que ideia parva é essa de passar a vida aqui a caminhar?". Não estou a exagerar, isto não aconteceu uma vez apenas. Weird. Muito, muito esquisito.

29 novembro 2019

Petrifed Forest

Desde o primeiro dia que o Mr. Lars - como bom geólogo que foi toda a vida- nos dizia que nos queria levar à Petrifed Forest, que é uma floresta petrificada localizada em Flora, poucos quilómetros de Jackson. É propriedade privada e está aberta para visitas públicas. Acredita-se que a floresta tenha sido formada há muitos anos, quando toras de abeto e bordo caíram num canal antigo do rio até este local, onde mais tarde foram petrificadas. É uma das duas únicas florestas petrificadas no leste dos Estados Unidos, sendo a outra a Floresta Fóssil de Gilboa, em Nova Iorque. Foi declarada reserva natural em Outubro de 1965, e valeu a pena esperar pelo Outono para a conhecer.

28 novembro 2019

Somos bichos de hábitos


Da janela do carro, a vista é esta e tem sido nada menos que isto nestes quatro meses: beleza que nem o baço do vidro consegue diminuir, de tão esplendorosa que é. Vemos fardos de palha pela estrada, casas abandonadas, casas requintadas, cavalos, celeiros, vacas e garças, uma panóplia sem fim cheia de excentricidade que sim, é como nos filmes.

Aqui, conhecemos pessoas que nunca viram o mar e estão pouquíssimo raladas com isso. Pessoas que nunca puseram os pés numa grande cidade e não tencionam fazê-lo. Pessoas que foram à Times Square e juraram para nunca mais, de tão confusas e claustrofóbicas que ficaram. Pessoas que acham muito estranha essa coisa de vivermos em prédios uns por cima dos outros. Pessoas que buscam o isolamento e compram mais propriedade só para garantir que nos 200 metros ao redor não é construída nenhuma casa. Pessoas que vivem mesmo no meio do nada. Todas estas formas de estar colocam em causa os meus paradigmas de normalidade e do que é bom para viver.

Tinha uma ideia romântica de eventualmente querer viver no campo e descobri que na prática isso depende muito do campo e que sou uma mulher da cidade. Num país pequeno como Portugal, viver no campo nunca significa estar muito longe da cidade onde tudo acontece. Aqui, viver no campo pode significar não viver muito longe da cidade, mas até a cidade aqui é diferente de uma cidade europeia. Estamos no sul dos Estados Unidos e cidade aqui nada tem que ver com Nova Iorque ou Seattle, onde já estivemos. Aqui, até a cidade é calma, o trânsito que acontece pode ser muito moderado, e pelo facto de tudo acontecer cedo e terminar cedo, podemos dar connosco ao final da tarde com a sensação de viver num mundo fantasma onde ninguém habita (já está tudo em casa).

Apercebo-me que caminhar é muito importante para mim, tal como para estas pessoas é importante ter largueza de espaço. Elas não vivem como nós a desejar sair de casa para espairecer porque elas não se sentem aprisionadas em apartamentos como nós. Porque tudo nesta vida é relativo e uma questão de hábito, aquilo que eu tomo por essencial à manutenção da sanidade mental, para o meu vizinho do lado isso pode ser um conceito de que ele nunca ouviu falar.

Saio daqui a amar mais o mundo, não porque Portugal é melhor do que aqui ou aqui é melhor do que Portugal. Amo mais o mundo pela sua diferença e embora me seja difícil imaginar se aqui tivesse de viver, também sei que o regresso ao trânsito de Lisboa e subúrbios terá os seus desafios e há coisas das quais vou ter muitas saudades. O que me leva a amar mais o mundo é saber que Deus está em qualquer parte dele, e que não são as cicunstâncias que definem a minha forma de estar, é a minha alegria em Deus. Se ele me chamasse a viver sem mar e eu aceitasse porque a minha alegria está nele, viver sem o mar não seria assim tão dramático, entendem?
Isto é o centro da cidade de Jackson ao final da manhã de um dia de semana. Não parece uma cidade fantasma?

27 novembro 2019

Nomes

Os nomes têm importância na Bíblia. Vemos extensas passagens com genealogias, registando pessoas que tiveram um papel na história. Agora que esta aventura está a chegar ao fim e vejo ao detalhe no meu caderno cada despesa efectuada a cada dia, não posso deixar de agradecer a Deus por este tão grande milagre que não seria possível sem a generosidade daqueles que, ao receberem o nosso mail com um pedido de ajuda, responderam como puderam, e alguns responderam além do que podiam.

Se a generosidade já era algo que tinha um lugar muito especial no meu coração, hoje toda eu quero ser generosa sem olhar a meios. Os que nos abençoaram financeiramente têm nomes e por isso, preciso de os registar, honrando aquilo que nos providenciaram e que nunca, mas nunca esqueceremos (estão escritos sem critério, apenas como foram registados no nosso ficheiro):

Igreja da Lapa
Mamã e Papá (Cavaco e Oliveira)
Selma e António Uamusse Gomes
Sara e Nuno
Joel e Helena Oliveira
Cassiana e Ricardo Tavares
Marta e Ricardo Rufino
Samuel Oliveira
Lifeway Church
Northbrook Church
Tiffany Sedate
René e Sarah Breuel
Endre Kim
Nuno e Marta Ornelas
Alan e Celeste Pallister
Eunice e Tó-Zé Bento
Henrique Raposo
Miriam e Tiago Martins
Pedro Gil
Pedro e Sofia Santos
Suelen Dias
Jónatas e Débora Duarte
Vilma Correia
Manuel e Mariana Ferreira
Sandra Marcelino
Rute e Ricardo Teles
Ana e Frederico Rangel
Grace Baptist Church
Eunice e Tiago Ferreira
Hugo e Sarah Moura
Joel e Joana Silva
Alberto Lagido
Sara e Tiago Falcoeiras
João e Isabela Antunes
Edvânio e Rose
Rita e Filipe Sousa
Mara e Tiago Branco
Bernardo Patrocínio
Rúben e Selma

Deus vos abençoe.




Começar a regressar


Ao meu redor, há livros, coisas e coisinhas. 
Começo a separar cada molho, para calcular o peso e perceber onde encaixar. Olho para pequenas coisas que não dá para levar, tiro uma foto para mais tarde recordar, e tento não pensar muito nisso. Vejo como o sol entra nesta pequena cabana com pequenos buracos no chão por onde entra o frio e sei que nada voltará a ser igual. 
Imagino as caras dos que já não vejo há uns meses e tento situar-me no espaço e circunstâncias que conheço tão bem, e fico a pensar como será tudo com este novo olhar, com um coração transformado. Não regresso uma versão melhorada de mim mesma, regresso mais cheia de Jesus e isso só pode ser bom. 
Vai ser bom. 





26 novembro 2019

Era uma vez uma árvore vermelha

Diferenças em apenas uma semana :

Bibliotecas

Nestes meses, tornámo-nos clientes assíduos das Bibliotecas de Madison, Ridgeland, Pearl, Flowood e Pelahatchie. Perdi a conta aos livros que todos juntos lemos, e passámos bons dias de trabalho nestes espaços. Aqui em baixo, Flowood e Ridgeland.


Numa festa de anos


Chamam a miudagem para assar os hotdogs. Ouve-se uma voz pequenina :

"Girls first, because we are gentlemen".

Dólares

A minha sexta vez na América, mas a primeira para viver. Nos primeiros dias, comportei-me como sempre: na pressão da fila com gente a pagar, abria a mão com as moedas e pedia ajuda ao funcionário que estivesse a atender. Mas não dava para continuar assim, queria saber fazer os trocos rápido e sem fazer esperar ninguém.

Aqui, a maioria das pessoas paga com cartão, até contas como um café no Starbucks. Sabem aquele cenário típico na mercearia ou no Pingo doce com uma velhinha com um porta moedas a contar os trocos para dar a conta certa? Nunca vi acontecer aqui, o que me aumentava a pressão.
Comecei por antecipar cenários e trocos e simular. E habituei-me aos quarter dólar, dime, and cents. Também me habituei a dobrar as notas, que não entram numa carteira portuguesa, são bem mais compridas.


Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...