21 dezembro 2006

O espelho do passado

Fui, toda a infância, tímida. Acompanhada de uma irmã e um irmão com idades muito aproximadas que não eram nada disso. Cresci com as comparações e por isso era conhecida como "bicho do mato". Entrar num sítio cheio de gente, dar beijinhos, responder a perguntas e, simplesmente, estar, eram grandes desafios para mim.

Recordo-me de antecipar os acontecimentos e preferir que não acontecessem só por ter de agir neles. (Exemplo: a ter de agradecer por uma prenda, muitas das vezes preferia não a receber). Parece exagero. Mas era. Sofri sempre por ser assim. Uma criança tímida não é entendida pelos outros. Soa a antipática, a enjoadinha. Pequenos passos eram barreiras intransponíveis para mim.

A minha filha revela-se, cada vez mais, uma criança tímida. É uma bem disposta, tem um feitio fácil de convencer, aprende as coisas com facilidade, é meiga. Mas no que toca a socializar, a coisa complica-se. Nos últimos dias tivemos provas disso. Em casa de amigos, ontem na festa da Escola. Trepa por nós acima, chora quando lhe é pedido que colabore e demora tempo a desbloquear. Ontem não desbloqueou e veio para casa desgostosa.

Em mim instala-se um grande dilema: por um lado não lhe quero dar cobertura, por outro sei o que sofre.

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...