04 fevereiro 2020
10 janeiro 2020
Salmos 121 na ponta da língua
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A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportunidades para memorizar e nos enchermos da Palavra de Deus. É tentar aproveitar todos os buraquinhos que existem, porque sei que Deus fala quando eu leio o que ele deixou escrito, sei que ele comunica quando eu volto a dizer uma e outra vez. Deus só está em silêncio para aqueles que não o buscam através da sua Palavra. E eu quero ouvi-lo diariamente.
A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportunidades para memorizar e nos enchermos da Palavra de Deus. É tentar aproveitar todos os buraquinhos que existem, porque sei que Deus fala quando eu leio o que ele deixou escrito, sei que ele comunica quando eu volto a dizer uma e outra vez. Deus só está em silêncio para aqueles que não o buscam através da sua Palavra. E eu quero ouvi-lo diariamente.
08 janeiro 2020
O sabático começou há um ano.
Foi há um ano que esta decisão foi tomada.
Era comum o assunto do sabático vir às nossas conversas, desde 2017.
"O que nós estamos a precisar é de uma pausa", "A ideia do sabático faz todo o sentido no ministério pastoral", e outras frases que nós nos dizíamos mas também ouvíamos de amigos de fora do país, com experiências semelhantes.
Contudo, a ideia parecia-nos inconcebível a vários níveis. Na verdade, sobreviver tornou-se o nosso verbo comum desde 2017. Exaustos, sobrecarregados, a viver um dia de cada vez, continuando. E isto foi possível porque Deus foi sempre quem nos animou. Pelo meio, os sonhos permaneciam e continuámos a trabalhar com amor aos outros, com paixão pelo Reino, com o desejo de novos projectos. Coisas bonitas aconteceram porque era Deus quem as fazia acontecer na nossa cabeça e prosseguíamos. Neste processo, apercebemo-nos que o nosso desgaste colocava em perigo aquilo que sabíamos com certeza de que não era a vontade de Deus: sair daqui e partir numa nova aventura. O desejo de alívio poderia fazer com que tomássemos decisões erradas e decidíssemos partir para não mais voltar Não queríamos que isso acontecesse porque sabíamos que isso era desobedecer.
Sentíamos que o nosso amor aos outros e ao nosso trabalho começava a ficar toldado por dores que nunca tínhamos chorado, por uma falta de paciência crescente, por puro cansaço. Precisávamos ser aliviados e sair temporariamente para permanecer.
Recordo-me do dia em que o Tiago afirmou, como nunca: "É desta, precisamos mesmo de um sabático", e recordo-me também do meu alívio interno quando ouvi essa frase com uma força como nunca antes. O alívio veio porque no meu íntimo eu desejava o sabático mas tinha feito o compromisso comigo de não o tornar a mencionar, desde umas largas semanas antes. Tinha decidido para mim que se fosse da vontade de Deus, ele iria acontecer apenas e só com a afirmação do Tiago.
E assim foi. Nesse dia eu tive certeza absoluta que Deus nos ia dar um sabático e que era mesmo da sua vontade (e não apenas da minha). As incertezas eram muitas: a reacção dos outros, o apoio ou falta dele, a nossa substituição, o traçar de um plano de saída, e claro: o sustento.
Digamos que não foi um processo linear ou simples, e os meses até ao sabático foram piores do que os meses antes desta tomada de decisão. Uma família emocional e fisicamente cansada a tentar encontrar um consenso para um plano de descanso foi um desafio daqueles (podemos mais tarde escrever um manual: "O que não fazer na preparação de um sabático") mas conseguimos.
Hoje vejo ainda melhor como o Espírito de Deus se move e como ele trabalha em cada um de nós. Deus fala connosco de muitas maneiras e confirma o seu propósito de outras tantas. Precisamos estar atentos à sua voz e nunca - mas NUNCA - desprezar aquilo que Deus nos instrui a fazer.
Mesmo que numa primeira fase pareça que estamos sozinhos. Não estamos.
Era comum o assunto do sabático vir às nossas conversas, desde 2017.
"O que nós estamos a precisar é de uma pausa", "A ideia do sabático faz todo o sentido no ministério pastoral", e outras frases que nós nos dizíamos mas também ouvíamos de amigos de fora do país, com experiências semelhantes.
Contudo, a ideia parecia-nos inconcebível a vários níveis. Na verdade, sobreviver tornou-se o nosso verbo comum desde 2017. Exaustos, sobrecarregados, a viver um dia de cada vez, continuando. E isto foi possível porque Deus foi sempre quem nos animou. Pelo meio, os sonhos permaneciam e continuámos a trabalhar com amor aos outros, com paixão pelo Reino, com o desejo de novos projectos. Coisas bonitas aconteceram porque era Deus quem as fazia acontecer na nossa cabeça e prosseguíamos. Neste processo, apercebemo-nos que o nosso desgaste colocava em perigo aquilo que sabíamos com certeza de que não era a vontade de Deus: sair daqui e partir numa nova aventura. O desejo de alívio poderia fazer com que tomássemos decisões erradas e decidíssemos partir para não mais voltar Não queríamos que isso acontecesse porque sabíamos que isso era desobedecer.
Sentíamos que o nosso amor aos outros e ao nosso trabalho começava a ficar toldado por dores que nunca tínhamos chorado, por uma falta de paciência crescente, por puro cansaço. Precisávamos ser aliviados e sair temporariamente para permanecer.
Recordo-me do dia em que o Tiago afirmou, como nunca: "É desta, precisamos mesmo de um sabático", e recordo-me também do meu alívio interno quando ouvi essa frase com uma força como nunca antes. O alívio veio porque no meu íntimo eu desejava o sabático mas tinha feito o compromisso comigo de não o tornar a mencionar, desde umas largas semanas antes. Tinha decidido para mim que se fosse da vontade de Deus, ele iria acontecer apenas e só com a afirmação do Tiago.
E assim foi. Nesse dia eu tive certeza absoluta que Deus nos ia dar um sabático e que era mesmo da sua vontade (e não apenas da minha). As incertezas eram muitas: a reacção dos outros, o apoio ou falta dele, a nossa substituição, o traçar de um plano de saída, e claro: o sustento.
Digamos que não foi um processo linear ou simples, e os meses até ao sabático foram piores do que os meses antes desta tomada de decisão. Uma família emocional e fisicamente cansada a tentar encontrar um consenso para um plano de descanso foi um desafio daqueles (podemos mais tarde escrever um manual: "O que não fazer na preparação de um sabático") mas conseguimos.
Hoje vejo ainda melhor como o Espírito de Deus se move e como ele trabalha em cada um de nós. Deus fala connosco de muitas maneiras e confirma o seu propósito de outras tantas. Precisamos estar atentos à sua voz e nunca - mas NUNCA - desprezar aquilo que Deus nos instrui a fazer.
Mesmo que numa primeira fase pareça que estamos sozinhos. Não estamos.
07 janeiro 2020
Recomeços
Recomeçando, deste lado de cá. Entregando a Deus todas as minhas expectativas, segura de que é ele quem toma conta de tudo, e está connosco em todos os momentos.
06 janeiro 2020
04 janeiro 2020
Começámos o ano a ir ao Porto a um funeral. Quando entrava no cemitério na zona de Águas Santas, cheio de imagens e decorações duvidosas, tão diferente deste cemitério que visitámos em Vicksburg, pensava nas vezes que tive de enfrentar esta despedida sem a esperança da eternidade.
Já disse adeus a pessoas que amava, sem certeza de que um dia as vou encontrar. São ainda alguns os momentos em que me pesa a leveza desses anos em jovem, em que lidei com alguma normalidade com o facto de nem todos acreditarem no mesmo Deus que eu, e pouco fazer para transmitir a urgência de crer.
Neste funeral, num dia cinzento, carregado e num ambiente de profunda tristeza, agradecia a Deus por ver que a família que agora se despede, pode ter a esperança de um reencontro. Pode recordar quem parte com uma herança e um legado, tendo acompanhado o seu querido num ambiente de fé e confiança em Deus.
Não sei quando posso eu ficar numa circunstância de doença e morte eminente, mas recordo deste testemunho, e de tantos outros, de pessoas que no seu leito de dor, sofrimento e morte dependeram do que conheciam da Palavra de Deus para ganhar ânimo para aguentar. Pessoas que a sofrer pedem que lhes cantem os hinos que falam da grandeza de Deus. Pessoas que em estados intermitentes de consciência, citam os versículos que uma vez decoraram. Pessoas que, na sua saúde, se alimentaram de tal forma da Palavra de Deus, que quando se encontram na fraqueza, é dela que se continuam a alimentar.
Tendo começado o ano de uma maneira triste, esta é a altura de lembrar que é tempo de amealhar, para mim. É tempo de beber e comer da Palavra, enquanto a saúde existe e as dificuldades maiores não surgem, é tempo de fazer como as formigas : guardar durante o bom tempo para ter stock para o mau tempo. É tempo de me encher e transbordar para os outros. É tempo.
01 janeiro 2020
Tricotar rima com orar, decorar e recitar
Aqui há uns anos, ao meu redor pela família e amigas, instalava-se uma febre de crochês e tricôs à qual eu, mãe quase desesperada entre fraldas, birras, caos, escapei sem fraquejar. Nada em mim se deliciava ao ver crescer as linhas, a minha disponibilidade para essas lides era nenhum. Não era claramente a altura para mim, e essa foi uma das lições que fui aprendendo com a maternidade: há um tempo para tudo, e aquele não era o meu tempo.
Aqui há uns dias, a ideia voltou, porque me pus a pensar em coisas que me ajudassem a parar, a meditar no meio de toda a correria que agora se avizinha. Depois de uns vídeos no Youtube e uma ida ao armazém, comecei o projecto simples de uma mantinha às riscas. As mãos depressa ganharam memória, deixando livre a minha mente para pensar, descontrair, orar, recitar os textos que sei de cor e propor-me a novos. É a conjugação perfeita, agora que sentar-me no sofá não é correr o risco de ter a casa a pegar fogo, noutra divisão.
Para a semana recomeçamos a escola e o horário aperta. O desafio será saber parar com um propósito, sempre que o relógio permita, não sucumbindo a distracções.
Aqui há uns dias, a ideia voltou, porque me pus a pensar em coisas que me ajudassem a parar, a meditar no meio de toda a correria que agora se avizinha. Depois de uns vídeos no Youtube e uma ida ao armazém, comecei o projecto simples de uma mantinha às riscas. As mãos depressa ganharam memória, deixando livre a minha mente para pensar, descontrair, orar, recitar os textos que sei de cor e propor-me a novos. É a conjugação perfeita, agora que sentar-me no sofá não é correr o risco de ter a casa a pegar fogo, noutra divisão.
30 dezembro 2019
Lições da garça no Lake Cavalier
Acordávamos pela manhã, por mais cedo que fosse, e aí estava ela: parada, quase estátua, a contemplar o lado direito do lago. Ali ficava incansável, como que certificando o cenário paradisíaco ao nosso redor, com uma condição: uma boa margem de distância. De todas as vezes que abri com cuidado a porta de vidro para a fotografar - numa tentativa de a registar para nunca mais me esquecer - e caminhava lentamente pelo relvado, havia ali um momento que por mais silencioso que fosse, eu já me tinha feito anunciar, e ela saía, como que dizendo: passaste os limites.
É da garça que me lembro agora, sempre que nestes novos dias cheios de caras que amo e dos sítios de que tinha saudades, dou comigo ainda a descobrir um novo ritmo. E dou comigo ainda sem saber me situar porque ainda não descobri os meus novos limites por aqui. Nos momentos de cabeça confusa e meio cansada desta agenda social, vejo a garça a voar e a dizer: não podes. Sinto-me uma pessoa a regressar a tudo o que conhece e ama mas com uma incapacidade para me inserir da mesma forma. Deve ser isto que se chama transformação, mudança, maturidade, talvez. Digo-o sem arrogância ou superioridade, porque isto nada mais é do que trabalho do Espírito, que me alerta: atenção! Tu vais viver de forma diferente. Tu não te podes permitir a mesma correria sem paragens. A tua cabeça precisa de mais contemplação.
Recordo a garça, que na sua quietude e postura, se mantinha como nossa companhia, mas sem a pretensão de algo mais. Ela sabia os seus limites, conhecia o seu espaço, e voltava todos os dias. Mesmo quando não tinha permanecido tanto tempo por causa das minhas imposições. Cada novo dia é uma nova oportunidade de recomeçar, e essa é a maior esperança de todas: podemos mudar, tentar, até acertar.
É da garça que me lembro agora, sempre que nestes novos dias cheios de caras que amo e dos sítios de que tinha saudades, dou comigo ainda a descobrir um novo ritmo. E dou comigo ainda sem saber me situar porque ainda não descobri os meus novos limites por aqui. Nos momentos de cabeça confusa e meio cansada desta agenda social, vejo a garça a voar e a dizer: não podes. Sinto-me uma pessoa a regressar a tudo o que conhece e ama mas com uma incapacidade para me inserir da mesma forma. Deve ser isto que se chama transformação, mudança, maturidade, talvez. Digo-o sem arrogância ou superioridade, porque isto nada mais é do que trabalho do Espírito, que me alerta: atenção! Tu vais viver de forma diferente. Tu não te podes permitir a mesma correria sem paragens. A tua cabeça precisa de mais contemplação.
Recordo a garça, que na sua quietude e postura, se mantinha como nossa companhia, mas sem a pretensão de algo mais. Ela sabia os seus limites, conhecia o seu espaço, e voltava todos os dias. Mesmo quando não tinha permanecido tanto tempo por causa das minhas imposições. Cada novo dia é uma nova oportunidade de recomeçar, e essa é a maior esperança de todas: podemos mudar, tentar, até acertar.
29 dezembro 2019
Reencontros
Há reencontros que têm um sabor especial, por muitas razões. A irmã Manuela é a avó que me carrega em oração de forma fiel e permanente. É a companhia com sentido de humor do lado de lá do Whatsapp, mesmo quando a saúde não está nos seus melhores dias. É parte da família que Deus nos deu e que nos mostra mais como é amar como Jesus nos ama.
27 dezembro 2019
Simplicidade
Estávamos a minutos de receber alguma da nossa família na Consoada e a tranquilidade era a do vídeo. É acerca disto que acredito cada vez mais no Natal. Espera tranquila e relembrar o Senhor Jesus à mesa.
Se em tempos idos, a confusão e o número de prendas eram o ponto alto e confuso da noite, hoje já não temos nada disso. Jantamos e debruçamo-nos na Palavra de Deus, oramos e cantamos. Depois, trocamos lembranças que demoram, no máximo, 5 minutos a abrir, fazendo cada vez mais sentido que o natal é acerca da partilha do amor de Jesus neste dia e o resto do ano.
Foi um bom Natal!
25 dezembro 2019
24 dezembro 2019
Diz que neva em Nova Iorque.
Este ano realizei um sonho que nunca imaginei ser possível, nem nos meus melhores dias: levar os meus filhos a Nova Iorque. Foram cinco dias inesquecíveis que superaram também as minhas melhores expectativas. Estava calor e o cenário não era como o que eu tinha visto anteriormente: neve e luzes de Natal. Quem nunca viu o Home Alone e não se imagina em Nova Iorque, em pleno Central Park, de luvas e de gorro? Parece que há sítios do mundo onde é mais fácil e mais encantador viver esta época. Damos connosco a sonhar a passear pelas nossas ruas preferidas, sem destino, simplesmente a estar.
Mas o Natal não é acerca de glamour, de luzes a piscar, de tradições, por si só. Embora não as desprezemos e as vivamos com alegria, elas nunca devem ser vividas se não apontarem para o doce mais saboroso de todos: o nascimento do nosso Senhor. Não foi uma noite com neve (tudo indica que era tudo menos Dezembro), nem com fartura, embora houvesse uma enorme festa que poucos tiveram o prazer de assistir - imaginam um coro de anjos a cantar: "Glória a Deus nas maiores alturas"? Uau, que espectáculo único! As luzes fazem sentido se imaginarmos os anjos no palco do céu, juntos a várias vozes a anunciar uma mensagem tão aguardada por tantos anos. A festa ganha um novo tom se também cantarmos, a alta voz, que o Messias já chegou. A mesa ganha todo o propósito se for acerca da partilha do amor de Deus por nós, que se estende até ao próximo.
O Natal é sempre e só acerca da mensagem da cruz. Do Rei que chegou para reinar eternamente, com justiça e amor, e que escolheu chegar mansamente na forma de um pequenino bebé. Ah, o Natal!
23 dezembro 2019
22 dezembro 2019
Quarto domingo do Advento
Pois disse eu: A tua benignidade será edificada para sempre; tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus, dizendo:
Fiz uma aliança com o meu escolhido, e jurei ao meu servo Davi, dizendo:
A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração.
E os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, a tua fidelidade também na congregação dos santos.
Pois quem no céu se pode igualar ao Senhor? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao Senhor?
Deus é muito formidável na assembléia dos santos, e para ser reverenciado por todos os que o cercam.
Ó Senhor Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ti?
Tu dominas o ímpeto do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar.
Tu quebraste a Raabe como se fora ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte.
Teus são os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste.
O norte e o sul tu os criaste; Tabor e Hermom jubilam em teu nome.
Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e alta está a tua destra.
Justiça e juízo são a base do teu trono; misericórdia e verdade irão adiante do teu rosto.
Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre; andará, ó Senhor, na luz da tua face.
Em teu nome se alegrará todo o dia, e na tua justiça se exaltará.
Pois tu és a glória da sua força; e no teu favor será exaltado o nosso poder.
Porque o Senhor é a nossa defesa, e o Santo de Israel o nosso Rei."
Salmos 89:1-18
19 dezembro 2019
18 dezembro 2019
Como não celebrar o Natal?
Quando comecei a escrever as meditações para a caminhada para o Natal deste ano (disponíveis aqui) o calor ainda abundava no Mississippi e o regresso a Portugal ainda me parecia muito distante. Enquanto escrevia, tentava ter em mente de que quando estas meditações estivessem a ser lidas, já estaríamos de regresso ao nosso lar, mas confesso que isso me foi difícil - a minha cabeça estava longe de voltar.
Durante muito tempo nesta ausência, eu sentia as saudades, sentia o estar longe, mas como dizer isto sem parecer fria? Não sentia mesmo pena de não estar. Recebia fotos de coisas que aconteciam, que me alegravam, mas nada em mim estremecia com pena. Sentia que era naquele calor que eu tinha de permanecer, que era na experiência da solidão e do desconhecido que Deus iria trabalhar em mim. Tive saudades das pessoas, dos lugares, do mar. Mas não tinha saudades da minha casa, embora me tivessem dado tanto jeito todos os utensílios que não tinha lá. As saudades que surgiram em as normais, mas nunca ao ponto de me distrair da beleza dos dias. Hoje vejo que todos estes sentimentos foram plantados por Deus no meu íntimo, para assim trabalhar melhor em mim com propósito, a cada dia. E agradeço-lhe por isso.
A caminhada de regresso a Portugal, vejo hoje, foi feita de uma caminhada de afastamento dele. Tal como o Natal na verdade precisa de ser. Necessitamos estar muito afastados de Deus para termos de nos aproximar. Um dia, o seu filho veio ao mundo, para que eu não estivesse mais perdida. Por causa da sua vinda até mim, hoje tenho esperança e um lar.
Caminhamos para o Natal, lembrando que é no sentido de Belém que precisamos dirigir-nos, tal como fizeram Maria e José. Eles foram e assim nós devemos ir também. Mesmo que esteja desagradável, mesmo que não haja aparentemente lugar para nós como não houve para Maria, mesmo que ninguém repare que algo de extraordinário pode acontecer nos sítios mais humildes.
Com esta ideia presente, regresso a Portugal sabendo que é o sítio certo a que tenho de voltar. Reconhecendo que a minha insignificância é tudo o que Deus precisa para a transformar em glória para o seu Reino. Tudo no seu tempo, apenas e só para o agradar. Não foi isso que o Senhor Jesus fez toda a vida?
Chegar a casa e ter na caixa de correio os postais dos que sabem que, algures neste mês, também receberão um postal dos Cavacos. É bom estar de volta.
17 dezembro 2019
16 dezembro 2019
Caleb
Tinha mais ou menos dois anos (imagem acima), começou por pedir o seu próprio boletim, ainda na "igreja pequenina". Queria, também, ter a sua cadeira, mas algures durante o período musical, começava a cambalear e adormecia até ao final.
Com mais ou menos três (segunda imagem) , já na igreja da Lapa, começou a pedir para ir para a fila à frente de onde nos sentávamos habitualmente. De boletim na mão, deixei-o ir à experiência, até porque eu estava mesmo atrás e a operação de resgate era fácil de fazer. Desde então, esteja lá o Papá durante as músicas ou fique completamente sozinho porque o Papá está a pregar, aquele é o lugar dele.
Ontem, cinco meses depois, o lugar voltou a ser preenchido. Pousou as coisas, orientou o que precisava ter à mão e olhou em redor, a reconhecer o espaço. Eu, que já não preciso estar exactamente na fila atrás a controlar tudo, fiquei a observar, relembrando a fidelidade de Deus na nossa vida. Até nestes pequenos pormenores. Comovente.
Sabes que chegaste a Portugal quando:
... metade da população está constipada ou com vírus, ou com febre - essa doença quase mortal;
... toda a gente está vestida com sobretudo e botas, mesmo estando 15°;
... entras em casa de alguém e parece que continuas na rua. Conforto? Zero.
... sabes que tão depressa não vais conhecer determinado bebé porque está muito frio para sair à rua;
... ligas a tv para ver o que se passa pelo país e o noticiário gasta largos minutos a falar de alertas de mau tempo. E que alertas são esses? Tornados? Furacões? Tempestades? Não. Vai chover. Ou antes, vai cair bastante água do céu;
... voltas a ver nas redes sociais fotografias das pulseiras do serviço de urgência.
Como não te amar, Portugal?
... toda a gente está vestida com sobretudo e botas, mesmo estando 15°;
... entras em casa de alguém e parece que continuas na rua. Conforto? Zero.
... sabes que tão depressa não vais conhecer determinado bebé porque está muito frio para sair à rua;
... ligas a tv para ver o que se passa pelo país e o noticiário gasta largos minutos a falar de alertas de mau tempo. E que alertas são esses? Tornados? Furacões? Tempestades? Não. Vai chover. Ou antes, vai cair bastante água do céu;
... voltas a ver nas redes sociais fotografias das pulseiras do serviço de urgência.
Como não te amar, Portugal?
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